Crítica | Aggretsuko – Temporada 4

A parceria entre a Netflix e a Samrio vem rendendo bons frutos. Desde 2018 estão sendo adicionados novos episódios de Aggretsuko na plataforma de streaming e a tendência é que surjam ainda mais projetos pela frente. Até o momento foram quatro temporadas e um especial de Natal, com uma qualidade que vem se mantendo ao longo dos anos, liderada pelo roteiro e direção de Rareko. Dessa vez, os 10 episódios tiveram como foco a relação entre Retsuko e Haida, além da boa e velha dinâmica do escritório de contabilidade, que ficou ainda mais interessante com a chegada de um novo presidente.

Talvez um dos pontos mais fracos dessa temporada seja justamente o romance entre Retsuko e Haida. O personagem se encontra em uma friendzone há cinco anos dentro da história e quatro temporada para nós, o que já até virou uma piada interna. Sempre existe uma tentativa do roteiro de aproximar os dois, só que aqui de maneira ainda mais enfática e com a promessa de uma definição. Agora tivemos a chance de entender essa relação do ponto de vista de Haida e seus dilemas pessoais, mas durante boa parte dos episódios mais parecia que a narrativa estava sendo enrolada até não conseguir mais.

Felizmente, essa subtrama amorosa ficou em segundo plano para dar destaque ao que realmente fez a série brilhar, que é a parte empresarial. Desde que Aggretsuko foi anunciado, o que mais me chamou atenção foi a combinação de um anime com um design fofo abordando questões da vida adulta, como a pressão, estresse e até o assédio no trabalho. Aqui, demos um passo ainda maior nessa análise do ambiente corporativo, pois temos uma visão mais ampla e não apenas da perspectiva de um empregado.

Tudo começa com a chegada de um novo presidente da empresa, Himuro, que conta com uma personalidade misteriosa, onde nunca sabemos exatamente quais são suas intenções. Ele é responsável por dar início a discussões como a inevitável modernização das companhias para que elas não sejam engolidas pelo mercado, transferências e demissões contra a vontade dos funcionários e o fato de que todos somos substituíveis. É interessante que esses temas estejam aparecendo justamente agora, no período de pandemia, quando várias empresas tiveram que se modernizar, assim como houveram muitas demissões por cortes de orçamento. Também é legal ver a universalização desse assunto, pois, mesmo que o Brasil e o Japão sejam países muito diferentes, há muitas coisas em comum sobre como os escritórios funcionam.

Um dos melhores arcos nessa subtrama envolve Ton (“Porcão”, no Brasil), que já foi um dos “vilões” do anime, mas aqui é retratado com mais humanidade através da sua relação com a família e a dedicação com a empresa. Essa temporada ainda contou com alianças inesperadas e diversas participações especiais de quem já apareceu em temporadas anteriores, o que também vale a pena conferir para continuarmos acompanhando como está a vida deles agora.

A quarta temporada de Aggretsuko conta com alguns deslizes, como facilitações narrativas e um início que demora a engrenar, mas consegue resgatar sua premissa básica, abordando dilemas da vida adulta. Felizmente, essa não é a última vez que veremos Retsuko, pois o quinto ano já está confirmado.

Aggretsuko - Temporada 4
3.5

Comentário do Crítico

Apesar de um início ruim e facilitações narrativas ao longo do caminho, a quarta temporada de Aggretsuko se destaca pela abordagem do cenário corporativo, lidando com temas atuais e um equilíbrio entre o drama e a comédia.

Sobre o Autor /

Estudante de Publicidade, redator do Anime21, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype

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