Crítica | Inuyashiki definitivamente é uma animação para adultos

A temporada de Outono de 2017 contou com ótimas surpresas para os fãs de animes. Uma delas foi Inuyashiki, a adaptação do mangá escrito e ilustrado por Hiroya Oku. Ele contou com 10 volumes publicados pela editora Kodansha entre 28 de janeiro de 2014 e 25 de julho de 2017, no Japão.

A história gira em torno de Inuyashiki, um senhor de idade desrespeitado pela família, que descobre estar com câncer e ter pouco tempo de vida. Tudo muda quando ele e um jovem são atingidos por uma luz no céu e têm seus corpos transformados em máquinas altamente destrutíveis.

O anime já chamava atenção antes mesmo de sua estreia, pois os trailers revelavam o uso de CGI acima da média e de forma satisfatória. Na indústria de animes, este recurso acaba sendo usado para baratear custos, mas aqui foi um plus, tornando os corpos robóticos e cenas de ação ainda mais interessantes.

Além disso, a própria trama já se torna um diferencial por trazer um protagonista com 58 anos. Normalmente vemos jovens ou adultos nesse papel para trazer uma maior familiaridade com o público, mas aqui a escolha caiu como uma luva, já que o foco está no drama vivido por este personagem.

Enquanto Inuyashiki usa suas novas habilidades para ajudar pessoas e deter bandidos, o jovem Shishigami, que também foi afetado por isso, usa seus poderes para o mal. Os dois se tornam uma máquina de destruição em massa, contando com mísseis dentro do próprio corpo. Eles ainda têm a capacidade de voar por meio de propulsores, estarem conectados por diversos meios de comunicação e até mesmo curar e reviver pessoas.

Na maior parte da trama acompanhamos Shishigami e suas ações negativas. Neste processo, não somos privados de cenas extremamente violentas e cruéis. Seus atos ficam cada vez piores, começando por matar uma família aleatória toda noite até ser o inimigo número um do Japão.

A animação é feita pelo estúdio MAPPA (Zankyou no TerrorYuri!!! on Ice), que entrega cenas de ação acima da média e um bom uso da tecnologia 3D, como citado anteriormente. Outro ponto que vale destacar são os traços dos personagens, que contam com uma aparência realista que fica ainda mais evidente através das expressões dos personagens.

A discussão que o anime traz também é válida, mostrando como duas pessoas totalmente diferentes se comportam após receber habilidades sobre-humanas. Os dois personagens principais funcionam muito bem como opostos, mas, infelizmente, não vemos muito do confronto entre eles.

Todas as questões que rodeiam a trama, são tratadas da forma mais real possível, como se fosse uma simulação de como seria aquilo em nossa realidade. É envolvido o núcleo familiar dos personagens, que é apresentado de forma íntima, mostrando o valor das relações interpessoais para eles. Ao mesmo tempo, os acontecimentos são noticiados e contam com envolvimento policial, onde o público pode notar as proporções aumentarem a cada episódio, incluindo uma aparição do presidente americano Donald Trump.

Em muitos momentos é possível traçar um paralelo com o anime Kiseijuu, pois os dois apresentam uma temática adulta, personagens descobrindo novas habilidades e tentando lidar com isso, além do nível de violência explícita. Além disso, a qualidade da animação da Mad House com Kiseijuu e MAPPA com Inuyashiki são parecidos.

Se você procura uma história que lide com dramas pessoais, uma discussão política e investigação policial, além de gostar de robôs com habilidades sobre-humanas, Inuyashiki pode ser o anime certo pra você. Ele, definitivamente, é uma animação voltada para adultos, tratando seus eventos de forma séria e crível.

Inuyashiki
4.5

Comentário do Crítico

Inuyashiki é uma obra que chama atenção desde a escolha de seus personagens até a condução da história, que ganha proporções cada vez maiores ao decorrer dos episódios, prendendo a atenção do espectador do início ao fim.

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