Crítica | Kujira no Kora explora mundo surreal para lidar com temas universais

A temporada de outubro de 2017 para os animes contou com obras bem interessantes. Além de Inuyashiki, outra que se destacou foi Children of the Whales (Kujira no Kora wa Sajou ni Utau), produzida em parceria com a Netflix. O gigante do streaming com certeza fez uma boa aposta, já que este anime se destaca por apresentar elementos diferenciados, a começar pela sua sinopse.

A história é focada em um garoto de 14 anos chamado Chakuro, que vive fazendo anotações sobre os acontecimentos da Baleia de Lama. Esta, por sua vez, é uma ilha que vaga sem direção por um mar de areia (sim, você não leu errado). Só pela história se passar em um mundo onde o mar é feito de areia já chama atenção por si só, mas não é só por isso que o anime se torna atrativo.

A trama se passa em um universo completamente novo em torno dessa ilha e o mar de areia, incluindo uma escrita e uma crença diferentes de tudo o que existe. Essa riqueza cultural é explorada através de personagens cativantes e particularidades que seguem as regras daquele mundo. Como exemplo, existem pessoas que são capazes de usar magia, mas que possuem um curto tempo de vida.

A trama gira em torno de uma criança, e isso cria um diferencial interessante através do ponto de vista apresentado, principalmente pelo tema central da história estar relacionado a uma guerra entre povos. Somos guiados por um olhar inocente e ingênuo em contraponto às discussões dos adultos e líderes. Ao mesmo tempo que aprendemos com o protagonista, o anime também deixa claro que ele tem muito o que aprender para sobreviver naquele mundo.

O estúdio responsável é o J. C. Staff, que faz um ótimo trabalho na animação pelo design de personagens e traços simples. Em alguns momentos o visual parece com uma pintura em aquarela, com tons pasteis e serenos.

Diferente de outras animações, onde os primeiros episódios apenas apresentam os personagens e nos preparam para uma grande batalha no final, aqui a ação acontece desde o início. A ameaça está sempre presente, mas ganhando intensidade com o decorrer dos episódios. Isso não impede o desenvolvimento da personalidade dos protagonistas, pois na verdade os conflitos existem justamente para amadurecê-los.

Ainda podemos incluir discussões sobre política e filosofia através de metáforas para o mundo real, mas nunca deixando de lado a fantasia. Apesar de se passar em um universo totalmente diferente da nossa realidade, ainda existem paralelos que aproximam os personagens do público. Seja pelo sentimento de perda por um ente querido ou através de decisões difíceis que precisam ser tomadas, é possível estabelecer relações usando a humanidade como ponto central.

Kujira no Kora faz um ótimo trabalho de criação de mundo, impressionando pelo conceito, à primeira vista bizarro, mas que faz sentido e é justificado dentro da proposta. É impossível não se identificar com algum personagem ou se empolgar com as reviravoltas da trama.

Kujira no Kora
4

Comentário do Crítico

Kuijra no Kora se destaca pela sua criação de mundo e riqueza cultural, explorando elementos surreais e personagens humanos.

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