Primeiras Impressões | Cells at Work! Code Black

Cells at Work é uma das séries animadas japonesas mais originais dos últimos anos, com a proposta de humanizar as células do corpo humano, trabalhando para mantê-lo em funcionamento. Com um mangá lançado em 2015, a primeira adaptação para anime surgiu em 2018 e agora ganhou uma segunda temporada, que teve uma ótima estreia. Mas o que me surpreendeu mesmo foi o lançamento do spin-off Cells at Work! Code Black, que tem potencial para ser ainda melhor que o original.

Os dois projetos possuem muitas diferenças, mas um dos elementos mantidos é a ótima didática. O anime explica o que está acontecendo de maneira dinâmica e contextual, incluindo as causas e consequências. Nesse piloto, por exemplo, é mostrado um corpo humano que voltou a fumar após 10 anos, então acompanhamos as células serem mais exigidas, além da situação do pulmão internamente.

Enquanto Cells at Work apresenta um corpo saudável, o derivado mostra o interior de um humano que fuma, bebe e tem problemas de saúde. A ideia é muito boa e o contraste entre as duas séries é evidente desde a primeira cena. Por exemplo, o ataque de uma bactéria aqui ganha mais intensidade e dramaticidade, de forma mais monstruosa e bem violenta. Além disso, enquanto o primeiro é um shonen, voltado para o público masculino jovem, aqui temos um seinen, para o público masculino adulto.

Esse episódio inicial é bem introdutório, e até temos uma maior explicação sobre como aquele universo funciona. O corpo humano é apresentado como uma indústria, onde todas as células são operárias para manter tudo em ordem. É interessante que o anime conta com inúmeros paralelos entre a vida de um trabalhador de uma fábrica ao de um glóbulo vermelho, mostrando a importância de seu trabalho, como o ambiente fica melhor quando estão todos integrados, a pressão de seus superiores e até cita leis trabalhistas.

Outro ponto marcante da série é o tom, bem mais sério e sombrio, chegando a flertar com o terror. Isso é refletido no visual, tanto no design dos personagens quanto na própria ambientação, com um cenário mais poluído, sujo e malcuidado. Também há mais dramaticidade e tensão nas sequências de ação, com um senso de perigo constante.

O lançamento simultâneo de Cells at Work! Code Black e a segunda temporada de Cells at Work é uma decisão interessante, pois fica ainda mais explícito os contrastes entre as duas séries. Enquanto uma assumiu de vez uma clima tranquilo, divertido e com personagens fofos, aqui é mostrado o horror que as células passam diante de crises, de maneira bem humanizada.

Code Black é estrelado por um glóbulo vermelho e uma glóbulo branco, ou seja, apesar de personalidades parecidas, os sexos foram trocados, assim como outras células possuem diferenças sutis que fazem esses personagens parecerem únicos. Por exemplo, enquanto as plaquetas de um corpo saudável são crianças fofas e gentis, as daqui são rebeldes e mal-humoradas. Também é possível perceber que outros “setores” serão ainda mais aprofundados, como o fígado no próximo episódio, que abordará a ingestão de bebidas alcoólicas, onde conheceremos personagens inéditos.

Cells at Work! Code Black é uma das melhores estreias da temporada de inverno de 2021, causando um impacto tão positivo e relevante quanto o lançamento da série original, em 2018. O anime tem tudo para ser um excelente seinen e ainda ensinar ao público várias informações sobre biologia.

Cells at Work! Code Black está disponível na Funimation.

Cells at Work! Code Black
5

Comentário do Crítico

O spin-off mantém a didática da série original, apostando em uma trama mais sombria e violenta, com personagens humanizados.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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