Primeiras Impressões | Digimon Adventure (2020)

Quem viveu no final dos anos 1990 e início dos anos 2000 sabe o fenômeno que foi Digimon. O anime original estreou em 1999 e marcou uma geração no mundo todo. Para comemorar os 20 anos da franquia, foi lançado o filme Digimon Adventure: Last Evolution – Kizuna, além de um reboot do clássico, ambientado nos dias atuais. O projeto surpreende, pois ele não conta apenas com um visual atualizado, como também recria toda a trama.

Uma das coisas mais legais desse projeto é que ele sabe usar a nostalgia a seu favor através de símbolos, como os brasões, os digivices e os óculos de Taichi. Ao mesmo tempo, ele não se baseia apenas nisso e tem muito a acrescentar na história. Por ser ambientado em 2020, o anime já começa mostrando a mudança da tecnologia, onde a internet, antes discada, agora funciona via wi-fi. Por mais que seja um clássico, o reboot passa a sensação de que este é um anime novo, como se os personagens tivessem sido criados agora.

Quanto à trama, ela conta com muitas mudanças em relação ao original. Para começar, o anime de 1999 se passa, quase totalmente, no Digimundo, enquanto o reboot explora o mundo real e como os digimons o impacta. A ameaça global está mais presente, abordando várias partes do mundo – como os EUA no segundo episódio. Além disso, a amizade entre monstros e humanos é melhor desenvolvida, com mais tempo para ser trabalhada. Por exemplo, enquanto no primeiro episódio do original todos os digimons e todas as crianças são apresentadas de uma vez, a estreia da versão de 2020 é enfocada em Taichi e Agumon.

A dupla protagonista está melhor do que nunca e com bastante tempo de tela para suas interações. Vimos só o começo dessa amizade, mas já é possível notar uma forte conexão entre os dois. Outra curiosidade é o fato de que Taichi agora também luta contra os digimons do mal, ajudando Agumon durante o confronto. Quem também marcou presença no episódio foi Koshiro, atuando como o “garoto do notebook” – claro, agora mais tecnológico. Apesar de seu digimon ainda não aparecer, ele sozinho já se mostrou muito útil graças ao seu conhecimento com redes de computadores. Espero que, como ele, haja uma utilidade para os outros personagens coadjuvantes, e não sejam reduzidos apenas como apoio emocional.

Outra mudança considerável é a animação em si, também feita pela Toei Animation. No clássico, a movimentação é mais estática, com reaproveitamento de frames por causa da limitação técnica da época. Agora, sem nenhum tipo de obstáculo, as batalhas estão muito mais fluidas e dinâmicas, além do anime estar com alta qualidade de imagem e som. Os fãs puristas podem ficar tranquilos quanto ao design dos personagens, pois eles estão praticamente idênticos, com pequenas diferenças nas roupas, por exemplo.

Ainda vale mencionar que há espaço para mudanças corajosas. Lembra das clássicas animações na hora da digievolução? Elas foram descartadas. E a abertura e encerramento de 1999? Foram substituídas por novas canções originais. O digivice mantém o visual clássico e ganha novas funções, como uma comunicação via holograma em tempo real. O digimundo – ou pelo menos o que vimos dele até agora – também foi atualizado.

Quem era fã de Digimon Adventure com certeza vai gostar do novo anime. Já para quem não conhece a franquia, é uma ótima forma de ser introduzido ao universo. A série conseguiu se reinventar com o tempo e adaptar o contexto tecnológico, mantendo a essência dos personagens. O anime pode ter começado só agora, mas já demonstra potencial suficiente para ser ainda melhor. Claro, a animação inevitavelmente se aproveita de uma marca consagrada – porém, mesmo se fosse um material original, chamaria atenção.

Digimon Adventure (2020)
4.5

Comentário do Crítico

O reboot é uma ótima forma de atualizar a animação para os dias atuais, recriando totalmente a trama. O destaque vai para as batalhas mais fluidas e dinâmicas, além do desenvolvimento dos laços dos personagens.

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