Primeiras Impressões | Suppose a Kid from the Last Dungeon Boonies moved to a starter town?

Entra temporada, sai temporada, mas algumas coisas nunca mudam. É simples: se uma fórmula faz sucesso, os estúdios tendem a repetí-la até que as pessoas parem de consumí-la. Enquanto o isekai é um tipo de anime que se tornou muito popular de uns tempos pra cá e aumentou sua quantidade exponencialmente, aqui temos outro caso recorrente: o protagonista super poderoso e avoado.

Antes de começar a falar da série em si, me chamou atenção seu título. Suppose a Kid from the Last Dungeon Boonies moved to a starter town? (Suponha que uma criança do último calabouço seja movida para uma cidade inicial) é um nome desnecessariamente longo e difícil de decorar. Sério, qual é o problema dos japoneses com títulos? E pior que esse nem tem uma forma resumida como KonoSuba ou DanMachi, tornando as coisas ainda piores, mas vou chamá-lo apenas de Suppose a Kid. Enfim, como o nome adianta, a história acompanha um garoto chamado Lloyd que partiu de Kunlun, a Última Masmorra, para uma cidade comum com o objetivo de se tornar um militar, até então sem uma motivação muito definida. Enquanto assistia, senti uma leve sensação de déjà vu, então será que vale a pena acompanhar?

Assisti ao anime sem ter nenhuma referência prévia. Não vi nenhum trailer ou conferi a light novel, e a primeira impressão que tive foi positiva. A sequência inicial apresentando um mundo de fantasia com monstros e a relação entre os dois irmãos me convenceu, além de ter um visual bonito, apesar de pouco inspirado. Aqui, de responsabilidade do estúdio Lidenfilms. O clima que a cena de abertura passa é logo quebrado pelas seguintes, onde realmente entendemos a proposta da história.

A primeira parte da sequência de Lloyd na casa de Marie é ótima, principalmente pelo uso do exagero e da quebra de expectativa como alívios cômicos. Eles funcionam durante um tempo, até serem usados de forma exaustiva. Um dos destaques é a relação entre Marie e Alka, onde a bruxa tenta se manter autoritária, mas morre de medo de sua mestra, tornando-se uma das melhores coisas do episódio.

Esse começo foi bem introdutório, inclusive apresentando os diferentes personagens da trama. Além de Marie, outro ponto positivo é Selen, a Princesa do Cinto, que tem uma história bem curiosa e dramática, apesar de seu dilema ser resolvido muito fácil, sendo resumida à garota apaixonada pelo protagonista. Ainda destaco a Mercenária de Um Braço, Riho Flavin, com uma personalidade mais rebelde e aproveitadora, servindo como um ótimo contraste.

Com introduções carismáticas e divertidas, um ótimo design de personagens e um mundo medieval minimamente rico, qual é o problema do anime? O protagonista. A tal “criança” do título. Suppose a Kid possui a premissa do personagem incrivelmente poderoso, mas também gentil, fofo e puro. Essa não é a primeira e nem a segunda vez que vemos essa persona. Lembra de In Another World With My Smartphone?, Wise Man’s Grandchild?, By the Grace of the Gods? É a mesma ideia. Esse tipo de herói costuma tirar toda a emoção e dramaticidade da trama, pois resolve todos os desafios sem problemas e, neste caso, já estava previsto no próprio título. É como chegar nas últimas fases de um RPG e depois voltar para a primeira cidade. Fica sem graça.

Nesse anime específico, temos todos aqueles momentos clichês, onde os outros personagens se admiram com a capacidade do protagonista e sua aura de superioridade, tentando ajudá-lo a ter um maior senso comum. E, nesse primeiro episódio, isso é feito exaustivamente. Pelo menos seu visual foge do padrão visto em outros animes e nem trata-se de um isekai, mas aqui há dois pontos graves.

Um deles é que o herói não só é ruim, como também prejudica todo o elenco. Por exemplo, enquanto as cenas de Marie e Alka são divertidas, Marie e Lloyd formam uma dupla com menos carisma, com dezenas de clichês sobre como o protagonista é incrível. O mesmo acontece com a relação entre Lloyd e Selen, pois ele resolve o problema dela como se fosse nada, desperdiçando o potencial da personagem como a Princesa do Cinto (por mais que sua premissa fosse absurda). E detalhe, qualquer personagem dessa obra é mais interessante que esse protagonista. Por que não focar neles?

Para não ser totalmente injusto, me surpreendi com o final desse episódio, onde Lloyd faz o teste de combate. Esperava que ele fosse demonstrar sua força na frente de todos, mas tivemos um twist intrigante – ou pelo menos foi o que pareceu. É suficiente para gerar curiosidade sobre os próximos passos e continuar assistindo.

Suppose a Kid parte de uma premissa genérica e clichê, passando a sensação que já vimos isso várias outras vezes (e melhor), porém não tira o mérito do anime. O protagonista é péssimo, mas tem muita coisa legal ao seu redor. A história pode não ser totalmente original e nem ter encontrado a melhor abordagem, só que ainda vale a pena acompanhar e torcer para que siga um caminho diferente.

Suppose a Kid from the Last Dungeon Boonies moved to a starter town? está disponível na Funimation.

Suppose a Kid from the Last Dungeon Boonies moved to a starter town?
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Comentário do Crítico

O anime possui uma sensação de déjà vu, partindo da premissa do herói poderoso e gentil, repetindo situações clichês e genéricas, mas ainda pode surpreender pelos excelentes coadjuvantes.

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