Primeiras Impressões | The 8th son? Are you kidding me?

Se Tower of God foi uma das melhores estreias da temporada de abril de 2020 até agora, já temos um candidato ao título de pior. The 8th son? Are you kidding me? surgiu como uma novel escrita por YA em 2013 e ganhou uma adaptação para anime este ano. A história é centrada em um homem assalariado que acordou num mundo de fantasia como uma criança de cinco anos. Agora, sob a identidade de Wendelin Baumeister, ele é o oitavo filho de uma família nobre, porém pobre. Ele descobre que pode usar magia e, curiosamente, é muito poderoso também.

O grande problema dessa série é que ela não apresenta nada de novo ao gênero isekai, sendo carregada por clichês que parecem uma espécie de déjà vu. Esta temática está tão saturada que os autores simplesmente não tem mais o que inventar. Cada novo anime que surge parece mais cópia de outro. Aqui temos, novamente, uma pessoa que vai parar em um mundo de fantasia e é incrivelmente poderosa, o que tira toda a graça da trajetória de vermos um personagem ficar mais forte através de treinamentos. Também estão presentes o visual padrão do protagonista e o grupo de garotas que o acompanha nas aventuras.

A “dificuldade” na vida do personagem, que leva o título do projeto, pode parecer interessante, mas logo é deixada de lado quando seus irmãos saem de casa sem criar algum tipo de vínculo com o caçula. Eles ainda são todos iguais, o que pode ser justificável por serem da mesma família, mas The Quintessential Quintuplets conseguiu resolver de forma mais criativa.

Como se não bastasse, ainda nesse primeiro episódio temos um roteiro preguiçoso, baseado todo em um flashback de como Wendelin foi parar naquele mundo. Praticamente todos os diálogos são explicações de quem ele é agora, onde mora e como as coisas funcionam naquele mundo, além de reafirmar elementos que já estavam claros. As pessoas são reduzidas a meros guias para o protagonista e a exposição trata o público como crianças de cinco anos. Ainda é decepcionante a forma como a trama se desenvolve através de coincidências e “sorte”, quando na verdade é apenas conveniência do roteiro mesmo.

A produção é dos estúdios Shin-Ei Animation e SynergySP que, mesmo juntos, não fizeram um trabalho competente. Já no primeiro episódio, temos repetição de cenas, design de personagens pouco inspirador e uma movimentação abaixo da média. Para piorar, a abertura do anime nos adianta que os monstros e grandes exércitos serão feitos de CGI com uma qualidade questionável.

A estreia de The 8th Son? Are You Kidding Me? fracassa em chamar a atenção do público, apresentando nenhum atrativo. Existem muitos outros isekais que fazem a mesma coisa, só que muito melhor: sem subestimar o espectador, com batalhas mais empolgantes e uma trama mais competente e menos derivativa.

The 8th son? Are you kidding me?
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Comentário do Crítico

A estreia do projeto decepciona pela falta de originalidade, além de uma introdução que trata o público como uma criança de cinco anos, através de diálogos expositivos.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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