Crítica | 7ª temporada de Game of Thrones diverte, mas não fascina (SEM SPOILERS)

Depois de sete anos no ar, não há dúvidas quanto à notoriedade de Game of Thrones. Mesmo quem não gosta, reconhece que a série é um dos maiores fenômenos da cultura pop, dos últimos anos. Os fãs de longa data sabem que seu status é merecido. Afinal, não é todo dia que vemos um história de fantasia, rodeada por elementos extremamente adultos, como política, sexo, violência e traição. Mas Game of Thrones nunca foi só isso.

Os dragões, White Walkers e cavaleiros eram só um pano de fundo para apresentar temas sociais, políticos e metafísicos, comuns a todo ser humano que vive em sociedade. Tudo isto através de um roteiro primoroso, adaptado da obra de George R R Martin. Ao menos, era assim até a quarta temporada. Desde então, a série tem investido cada vez mais no fantasioso, e cada vez menos no real. Nenhuma temporada torna isso tão aparente quanto a sétima.

Não me leve a mal, eu gosto de ver dragões quebrando tudo, como qualquer pessoa normal. Os White Walkers ainda me assustam e as espadas tilintando soam como música para os meus ouvidos. O problema de Game of Thrones não é, e nunca foi a ação. Aliás, o valor de produção da série só foi aumentando com o passar dos anos, tornando as batalhas maiores e os efeitos especiais ainda mais críveis. Mas não foi por isso que eu comecei a assistir a série, e certamente não é por isso que continuo assistindo.

Eu não espero ansiosamente o domingo chegar para ver problemas sendo resolvidos no campo de batalha, mas sim para vê-los sendo debatidos numa mesa de bar. Eu não fecho meus olhos de ansiedade ao ver um exército gigante, mas sim ao ver uma gigante injustiça sendo cometida contra um personagem que gosto. Eu não me apaixonei por Game of Thrones pelos belos visuais, mas sim pelo seu conteúdo, o elemento do qual senti mais falta ao acompanhar a sétima temporada.

O espetáculo dessa série espetacular nunca residiu em suas locações, mas sim na sua filosofia, que foi expressada através de algumas das mortes mais horrorosas apresentadas na TV. E elas não são horrorosas simplesmente por serem violentas, mas sim porque ninguém está livre delas.

A morte é a personagem mais implacável de Game of Thrones, porque ela não discrimina, e muito menos poupa. A morte em Game of Thrones é horrorosa porque ela reflete a morte na vida real. Ela não quer saber o quão popular uma pessoa é antes de levá-la. Na vida real, a morte sempre tem uma recepção negativa, mas continua voltando, independentemente do número de pontos em sua audiência. E quando não volta, ainda mantém sua presença, porque sabemos que a qualquer momento ela pode reaparecer.

Acontece que a morte não tem estado tão presente em Game of Thrones ultimamente, e o medo que eu sentia pelos personagens desapareceu. Sendo assim, como posso sentir algo quando uma ameaça no nível de um exército de White Walkers paira sobre Westeros?

Nem tudo que vemos na TV deve transmitir determinados sentimentos, mas, ao menos para mim, ver Game of Thrones sempre foi como jogar uma roleta russa, sem ter o risco de tomar um tiro na cabeça. Quando diversos personagens principais conseguem escapar de uma morte, que há três temporadas atrás seriam inevitáveis, eu posso dizer que a série se distanciou de sua proposta inicial.

Mas não se preocupe quanto ao resto. O elenco continua ótimo, a fotografia continua bela e a direção ainda é uma das melhores na televisão atual. Mas quando a maior prova disso é uma sequência em que Sam Tarly limpa fezes e cozinha para um bando de idosos, meu amigo, sabemos que a série não é mais o que costumava ser.

Se não fosse pelo último episódio, que dá um pouco mais de protagonismo para o elemento humano, a sétima temporada de Game of Thrones teria sido uma temporada perdida. Mas valeu pela viagem, pelo menos me distraiu por mais ou menos uma hora semanal.

Nota: 3 vagões – Bom

Game of Thrones - 7ª temporada
3

Comentário do Crítico

Game Of Thrones continua lindo… mas com o aumento da popularidade, a série teve que apresentar um conteúdo mais apelativo para o grande público, perdendo muito de sua essência, no processo.

Sobre o Autor /

Formado em cinema, amante de quadrinhos e produtor de conteúdo para o Trem do Hype

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