Crítica | Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (Sem Spoilers)

Durante o painel da Marvel Studios na San Diego Comic-Con 2019, lembro que um dos anúncios mais empolgantes da Fase 4 foi Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Um dos motivos era o fato de que o estúdio finalmente exploraria o conceito de universos alternativos abertamente, além da promessa de que esse seria o primeiro filme de terror do MCU. Por conta da expectativa criada, havia grandes chances desse projeto decepcionar o público, mas acredito que a equipe criativa tomou as melhores decisões possíveis para seu longa mais ousado e grandioso desde Vingadores: Ultimato.

A gente já está cansado de ouvir sobre a eficácia do planejamento do estúdio, liderado pelo produtor Kevin Feige, e aqui temos mais uma excelente prova disso. O termo “multiverso” foi introduzido em 2016, no filme do Doutor Estranho e, seis anos depois, ele ganha mais desenvolvimento em sua sequência direta. Depois de ser tutor de Peter Parker em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, agora Strange se torna o guardião de America Chavez (Xochitl Gomez). A garota possui a habilidade de viajar entre universos diferentes e há uma grande ameaça tentando roubar seus poderes.

Há uma discussão na internet sobre quais filmes e séries é preciso assistir para entender a obra, mas tudo o que você precisa saber já está aqui, incluindo esclarecimentos mais técnicos ou a recordação de eventos passados. Isso acaba fazendo com que os personagens tenham que ficar se explicando a todo momento, mas a exposição não incomoda na maior parte do tempo, já que é necessária e feita de forma didática e divertida. Agora, se você quer pegar todos os easter eggs, referências e detalhes da trama, indico não só assistir aos filmes e séries, como também ler os quadrinhos da Marvel.

Entre os méritos da obra, destaco o excelente ritmo narrativo, pois as duas horas de duração passam voando. Ela já começa no multiverso (e na loucura) e segue com sequências de ação divertidas. Há um alto nível de qualidade de CGI no uso inventivo das magias, te fazendo acreditar que as batalhas são reais.

Como não poderia ser diferente, o longa tem a cara do diretor Sam Raimi, elevando o nível de produção. Esse é, possivelmente, o mais próximo de um filme de terror que teremos na Marvel Studios, incluindo momentos de tensão e suspense, uma violência surpreendente (levando em conta a classificação indicativa) e até jumpscares. Além do flerte com o horror, também temos uma pegada meio brega e o uso recorrente da câmera subjetiva. Todos esses elementos funcionam muito bem e dão uma renovação ao MCU, mostrando que filme de super-herói pode assumir todo tipo de gênero.

O obra usa Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) para trazer reflexões sobre as diferentes possibilidades existentes, fazendo com que cada passo que ele dê seja fundamental para o destino do multiverso. Isso é explorado desde o romance com Christine (Rachel McAdams), passa pela responsabilidade que tem com Chavez e vai até o uso dos seus poderes, que aqui estão em altíssimo nível.

Porém, quem realmente rouba a cena é Wanda, principalmente pela entrega de Elizabeth Olsen no papel. Em Multiverso da Loucura, a Feiticeira Escarlate está em seu ápice, tornando-se uma ameaça para todo o multiverso. Seu arco é um dos mais bem trabalhados da Marvel Studios, culminando na melhor vilã até aqui, pois não só entendemos suas angústias e motivações, como também sofremos junto com ela.

A continuação de Doutor Estranho entra pra lista dos melhores filmes do MCU, entregando uma grande dose de fan-service sem deixar de lado o coração da história que quer contar. É daqueles projetos que ainda vamos comentar durante um bom tempo, pois deu um passo importante para a Marvel Studios dentro e fora das telas.

Lembrando que há duas cenas pós-créditos!

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura
5

Comentário do Crítico

Este é um importante passo para o MCU dentro e fora das telas, apresentando o que teremos mais próximo de um filme de terror da Marvel Studios.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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