Crítica | Gavião Arqueiro

2021 foi a retomada da Marvel Studios. Agora que a empresa ampliou suas produções para lançamentos no streaming, tivemos um recorde de cinco séries e quatro filmes em um ano, totalizando nove projetos. Infelizmente, um dos mais fracos entre eles é Gavião Arqueiro, que chegou ao fim recentemente. Com a proposta de ser uma aventura natalina mais pé no chão e apostando na química entre Clint Barton (Jeremy Renner) e Kate Bishop (Hailee Steinfeld), o seriado passa por altos e baixos em seus seis episódios.

Desde seu anúncio, a Marvel deixou claro que Gavião Arqueiro seria inspirada no quadrinho homônimo de Matt Fraction. Além das referências nos materiais promocionais, há a presença de Kate e alguns elementos retirados diretamente das HQs. Um ponto que tanto a série quanto o quadrinho acertam em cheio é a forma como abordam o que Clint faz enquanto não está com os Vingadores. As duas obras têm consciência que o Gavião Arqueiro não é o personagem mais querido dos fãs, e usa isso ao seu favor. Além disso, é uma ótima forma de explorar aventuras com um escopo menor, tendo gangues como os principais vilões.

Já que todos os Vingadores originais estavam ganhando produções próprias, nada mais justo que Clint também ganhasse sua série. Aqui é possível explorar melhor o dilema de ser um super-herói e não ter tempo para a família, assim como a responsabilidade pelas suas ações no passado, especificamente sobre sua época como Ronin, mostrando que os eventos no MCU têm consequências. Aqui há um ótimo trabalho em retratar a surdez do personagem, assim como a diversificação de flechas, o que, até agora, não havia sido tão bem explorado.

Outro destaque é a introdução de Kate Bishop, que tem tudo para ser uma excelente sucessora do seu ídolo. Inclusive, é muito legal ver a relação entre os dois, já que Kate decidiu se tornar uma heroína por causa de Clint, justamente por ele mostrar que não é preciso ter super-poderes para fazer a diferença. Apesar da presença da personagem ser um acerto, a série escorrega no núcleo dela, envolvendo sua mãe (Vera Farmiga) e seu padrasto (Tony Dalton). Toda essa subtrama é previsível e responsável pela maior parte da enrolação.

Entre os vilões, quem realmente rouba a cena e leva a série para um novo nível é Yelena Belova (Florence Pugh), responsável também por trazer de volta menções sobre a Viúva Negra. Apesar do seu arco ter um desfecho abaixo do esperado, é ótimo vê-la em ação e interagindo com Kate. Enquanto a Gangue do Agasalho de Ginástica funciona como alívio cômico, a personagem Maya (Alaqua Cox) – que vai ganhar uma série própria – teve uma ótima introdução, mas ainda não conseguiu mostrar todo o seu potencial.

Outro ponto marcante da produção é sua ambientação, já que tem como pano de fundo o clássico Natal em Nova York. Em todos os episódios temos músicas clássicas do feriado e vários elementos clássicos da comemoração nos EUA, o que funciona muito bem para entrarmos no clima natalino, até porque a série chegou ao fim na semana do Natal.

Com erros e acertos ao longo de seus episódios, é difícil montar um ranking onde Gavião Arqueiro não seja a série mais fraca da Marvel Studios até o momento. Independente do escopo da aventura, ela conta com cenas de ação mais fracas, um CGI abaixo do padrão e perde muito tempo com subtramas desinteressantes. Enquanto assistia, ficava o sentimento de que a produção tinha potencial, mas nunca era totalmente mostrado. Pelo menos, graças a este projeto, pudemos ver mais de Yelena, a apresentação de uma nova heroína e um pouco do submundo do crime no MCU.

Gavião Arqueiro
3

Comentário do Crítico

A série conta com muitos altos e baixos, sem nunca revelar todo o seu potencial. Ela se destaca pela introdução de Kate Bishop e o retorno de Yelena, mas peca pela enrolação em subtramas pouco inspiradas.

Sobre o Autor /

Estudante de Publicidade, redator do Anime21, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype

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