Crítica | In This Corner of the World aposta em visual fofo para lidar com tema pesado

Para o Oscar 2018, temos cinco animes disputando uma indicação para a categoria de Melhor Animação. Entre eles está Kono Sekai no Katasumi ni ou In This Corner of The World (Neste Canto do Mundo). Ele apresenta uma proposta que visa tratar de um sério, mas de forma simples, ou até mesmo infantil.

O anime gira em torno de Suzu, uma garota desatenta que adora desenhar. Esta seria apenas mais uma animação que concorreria ao Oscar, mas suas chances crescem pelo fato dela se passar durante a Segunda Guerra Mundial. A Academia tem um grande apelo por esse tipo de produção, portanto, não me surpreenderia se aparecesse entre os favoritos.

Partindo do mesmo princípio de Hadashi no Gen (Gen Pés Descalços), de 1983, que também aborda os bombardeamentos atômicos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki pelo ponto de vista dos japoneses, In This Corner of the World se diferencia pela forma como mostra isso. Ao invés de apresentar graficamente o terror da guerra, com destruição e sofrimento, somos privados disso. É como se víssemos todo o contexto pelos olhos de Suzu, e por ser uma garota distraída, ficamos à parte desta realidade.

É interessante, pois tudo que vemos e ouvimos sobre a guerra é completado pelo nosso conhecimento prévio. Nós, os espectadores, sabemos o que vai acontecer, mas nossa protagonista desatenta não faz a menor ideia. A situação é parecida com a de filmes de terror, onde vemos os personagens indo em direção ao perigo, queremos avisá-los, mas não há nada que possa ser feito.

Nós acompanhamos Suzu desde sua infância, mas o filme resolve sua transição para a vida adulta rapidamente, nos primeiros 30 minutos. Esse tempo é o suficiente para entendermos a personalidade da protagonista e conhecermos os personagens que a cercam. É então que uma nova fase da vida da garota se inicia, pois ela tem um casamento arranjado e passa a viver com a família do noivo.

Mesmo vendo militares e navios, e ouvimos sons de explosão, este não é o foco da trama. Sempre estamos acompanhando a vida de Suzu, e incluindo o papel das mulheres naquele período. Por exemplo, enquanto os homens serviam ao país, eram as mulheres as responsáveis por preparar os alimentos, mas os ingredientes, por serem escassos, também eram caros. Testemunhamos o estilo de vida, a pobreza e a forma de sustentação daquele povo, que tentava sobreviver da forma que conseguia.

O anime conta com um visual muito infantil e simplista, seja no ambiente, nas construções, ou até mesmo nos personagens, resultando em poucas expressões faciais. Isso é feito propositalmente, em contraposição à temática pesada que o filme tem como plano de fundo.

Em alguns momentos, a sensação é de que estamos assistindo a uma pintura. Isso se liga ao fato da protagonista estar sempre pintando quadros, que muitas vezes se misturam à realidade. Em oposição, temos os sons altos e graves de explosões que começam a invadir a vida tranquila que todos levavam.

As verdadeiras consequências para a personagem e todos à sua volta só aparecem próximo ao fim, quando um acontecimento faz com que o tom mude completamente e passe a ficar sombrio e realista. É então que percebemos, junto com a protagonista, os horrores da guerra.

In This Corner of the World é um filme que lida com amadurecimento em paralelo à guerra, que forçou muitas pessoas a amadurecerem precocemente. Mesmo que nunca trate diretamente sobre a Segunda Guerra Mundial, ela está presente a todo momento, nas consequências no cotidiano. É um filme reflexivo, e que mostra um ponto de vista não muito explorado, merecendo sua atenção.

In This Corner of the World
4

Comentário do Crítico

In This Corner of the World apresenta um visual infantil e simplista para lidar com um tema sério e pesado. O ponto de vista da protagonista é um grande diferencial pela forma como a história é conduzida, se tornando um importante diferencial.

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