Crítica | Neo Yokio é um grande desperdício de potencial

Apostando cada vez mais em animes, a Netflix decidiu investir nas suas próprias produções com traços japoneses. Depois de Castlevania, recentemente foi lançado Neo Yokio, que aparenta ser uma animação bem excêntrica. Diferente das outras produções originais, esta não teve tanta publicidade, mas um anime da Netflix criada pelo vocalista da banda Vampire Weekend e com Jaden Smith, Jude Law e Steve Buscemi no elenco chama atenção por si só.

A trama se passa na cidade de Neo Yokio, que claramente se trata de uma brincadeira com a cidade de Nova York e Tóquio. O protagonista é um garoto chamado Kaz Kaan, um exorcista da alta sociedade que tem um robô mordomo chamado Charles. Nosso personagem principal precisa lidar com problemas como escolher o termo adequado para uma festa e exorcizar um demônio em forma de crânio.

Com todas essas informações, é de se esperar que Neo Yokio fosse um anime de ação, com grandes batalhas envolvendo exorcistas (algo no estilo de Ao no Exorcist), mas esse plot é totalmente desperdiçado pela vida burguesa de Kaz. Em nenhum momento a animação se preocupa em explorar a origem de seus poderes ou apresentar vilões e desafios que realmente empolguem, dando o mínimo de destaque possível para esse lado da história.

Não podemos dizer também que o motivo para isso seja o baixo orçamento da animação, já que, quando necessário, o anime demonstra ter uma grande qualidade visual e de efeitos. Mas por que todo esse potencial de anime shonen é desperdiçado? Na verdade, eu diria que essa não é exatamente a proposta apresentada.

Isso fica muito claro pela sua trilha sonora. A própria abertura, assim como em sequências com grande movimentação não contam com músicas frenéticas ou um ritmo acelerado, mas pela mais refinada música clássica contemporânea (é sério). Essa decisão causa uma certa estranheza ao público, mas mesmo que seja proposital, ainda não é o bastante para comprar a ideia.

Ao invés de investir nos elementos presentes para criar uma dinâmica de ação e aventura, o anime decide fazer um questionamento sobre a sociedade em que vivemos através da cidade fictícia. Aqui são debatidos temas como misoginia, fanatismo e uma forte crítica ao estilo de vida burguês. O grande problema é que Neo Yokio não decide se quer ser uma paródia ou tratar desses assuntos de forma séria.

Outro ponto que pesa negativamente é a americanização de um estilo de animação japonês. Se você for assistir este anime procurando elementos do gênero vai acabar se frustrando, pois a única coisa que se mantém aqui são os traços. Eu diria até que se dessem a mesma ideia para japoneses produzirem, teria ficado bem melhor.

Neo Yokio é uma boa ideia que não foi bem executada, utilizando uma linguagem jovem para atrair seu público, mas que na verdade não sabe exatamente o que quer. Ele não funciona como comédia, aventura e nem como crítica, sendo reduzido apenas a uma produção rasa.

Nota: Um vagão – Ruim

Neo Yokio
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Comentário do Crítico

Neo Yokio poderia ser um ótimo anime se estivesse nas mãos certas, de preferência, japonesas. É uma prova de que nem todas boas ideias geram bons resultados, e neste caso, se tornou um grande desperdício.

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