Crítica | Roteiro intrigante de Wheelman mantém o espectador grudado na tela

Grandes filmes sobre pilotos de fuga têm sido lançados nos últimos anos. Para ser mais específico, dois (que eu lembre): Drive (2015), de Nicolas Winding Refn, e Baby Driver (2017), de Edgar Wright. Neles, vemos dois profissionais extremamente habilitados, com uma precisão sobre-humana, mas que perdem o controle em situações que vão além do volante. Wheelman se diferencia dos dois por um simples e importante detalhe: o protagonista erra durante o seu trabalho. Erra muito. Mas não por ser ruim no que faz. Em termos de habilidade, ele não deixa a desejar. Mas ele é humano, suscetível à dúvida e, com isso, sujeito a arruinar todo o plano.

Tudo começa quando o “Wheelman” (como o protagonista é chamado durante o filme) recebe uma ligação misteriosa de uma pessoa que afirma tê-lo contratado. Para se garantir, ele é obrigado a tomar atitudes duvidosas. Por querer se manter distante do meio com que convive em seus trabalhos, ele fica completamente à margem da situação e manipulável. A proposta de explorar este ponto fraco do personagem é muito inteligente, não só por ser diferente de outros filmes de temática parecida, mas por permitir a criação de um mistério cativante. O espectador sabe tanto quanto o protagonista, e as situações perigosas em que ele se envolve intensificam a necessidade de descobrir o que está acontecendo.

Esta desorientação partilhada se deve também à ousada direção de Jeremy Rush, que nos coloca, literalmente, na posição do personagem principal. A câmera está, na maior parte do tempo, grudada ao carro, aumentando a sensação de enclausuramento e a proximidade com o Wheelman. Não é algo exatamente inédito. Mais recentemente, houve abordagem parecida em Locke (2012), de Steven Knight. Mas esta câmera funciona tão bem para a história, que isto se torna irrelevante.

Para tornar a situação ainda mais dramática e aumentar a empatia pelo personagem, questões familiares entram na mistura. Agora não é só ele que está em risco, mas também sua ex-esposa, interpretada por Wendy Moniz, e sua filha, vivida pela revelação Caitlin Carmichael. A jovem atriz mostra muito potencial, pela forma como conduz todas as emoções de sua personagem, num momento de extremo estresse. Não é tarefa fácil, nem para uma atriz experiente, quanto mais uma mirim. Mas ela dá conta do recado, assim como o protagonista, vivido por Frank Grillo.

Desde suas pequenas participações em filmes como Guerreiro (2008) e nos dois últimos da franquia Capitão América (ele foi o Ossos Cruzados, para quem não lembra), ele tem se mostrado um bom ator, então é ótimo finalmente vê-lo com tanto protagonismo. Sua atuação é o que ancora o longa, já que passamos maior parte do tempo só com ele. Aqui vemos sua cara de mal e brutalidade de sempre, mas com várias camadas no fundo. Ele também está revoltado, assustado e preocupado com sua filha. Se Grillo não conseguisse nos passar todos estes sentimentos tão efetivamente, este estaria perdido. Mas, felizmente, isto não acontece, valorizando o ótimo roteiro de Rush e fazendo de Wheelman uma experiência válida.

Nota: 4 vagões – Ótimo

Wheelman
4

Comentário do Crítico

Wheelman pode soar familiar para alguns, mas as soluções que o diretor e roteirista Jeremy Rush encontra para contar a história são tão efetivas que você não vai conseguir piscar o olho.

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