Crítica | WandaVision (Sem Spoilers)

Escrito por: Gabriel Santos

em 07 de março de 2021

Em 2020, por conta da pandemia de COVID-19, não tivemos nenhuma produção inédita da Marvel Studios. Após o encerramento da Saga do Infinito, havia uma expectativa muito grande sobre os próximos passos do Universo Cinematográfico da Marvel, mas isso acabou ficando para 2021. Agora, podemos dizer que a nova fase do MCU começou com o pé direito, apresentando a obra mais diferenciada até o momento. WandaVision não só inovou no formato, pois é o primeiro seriado do estúdio, como também possui um conteúdo incomum, homenageando diferentes sitcoms ao longo dos episódios.

Desde Vingadores: Era de Ultron, quando foi apresentada nos cinemas, Wanda Maximoff sempre foi a promessa de uma personagem muito poderosa, com a possibilidade de adaptar arcos icônicos dos quadrinhos e aprofundar sua relação com Visão. Era pouco provável que os personagens ganhariam uma história solo nos cinemas ou até mesmo fosse possível adaptar tudo em um filme. Portanto, esse era o formato ideal e o Disney+ chegou na hora certa.

Na trama, como forma de superar a morte de Visão, Wanda cria uma realidade onde os dois possuem uma vida perfeita, como em uma sitcom americana. O mais legal dessa proposta é que a Marvel conseguiu trabalhar muito bem com a metalinguagem, fazendo com que cada episódio fosse, basicamente, uma série diferente. O trabalho de se reinventar a cada semana é primoroso, sendo pensado em detalhes que fazem a diferença, desde cenário, figurino, atuação e com direito até a comerciais, além de músicas produzidas pela talentosa dupla Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez. As homenagens às produções icônicas de cada década são a cereja do bolo e vão de The Dick Van Dyke Show até Modern Family, tornando-se um prato cheio para referências e easter eggs. Se a obra fosse apenas sobre Wanda e Visão tentando se encaixar como uma família comum já seria ótima, mas ela consegue ir além.

Um ponto que chama bastante atenção em WandaVision é a sensação de que há algo de estranho acontecendo, com um tom de mistério no ar. As respostas chegam ao público aos poucos, abrindo espaço para teorias e discussões. O lançamento semanal também é um fator positivo para o espectador e para o programa, pois fica mais tempo gerando boca a boca e ainda podemos apreciar melhor cada nova revelação. Claro, aqui também é levado em conta o fator da expectativa, que pode ter atrapalhado a experiência de alguns, seja por rumores criados na internet, elementos plantados pela produção ou até informações que saíram de entrevistas com os atores. Porém, se formos analisar a obra de forma isolada e a história que pretendia ser contada, tudo está no caminho certo, com um roteiro redondo que pensa em todas as minúcias.

Talvez o grande tema de WandaVision seja o luto, conseguindo abordá-lo de forma sensível e cobrindo todas as suas fases. A produção conta com momentos muito emocionantes, dando peso para tudo que Wanda viveu até aqui, principalmente suas perdas, além de um esforço em nos colocarmos no lugar da protagonista antes de julgarmos seus atos. A dupla Elizabeth Olsen e Paul Bettany não só demonstra muito carisma e química, como também é versátil, brilhando nos momentos cômicos e dramáticos. Kathryn Hahn (Agnes) rouba a cena sempre que está presente, vivendo uma personagem debochada, engraçada, intrometida e com um ótimo material para ser trabalhado. O trio Teyonah Parris (Monica Rambeau), Randall Park (Jimmy Woo) e Kat Dennings (Darcy Lewis) também está excelente, fazendo um pouco o papel do público ao procurar entender o que está acontecendo e dando ainda mais fôlego para a trama. Aliás, definitamente, seria incrível vê-los novamente em futuras produções.

Para os fãs dos quadrinhos, o que não falta é inspiração das HQs, como Visão, de Tom King, e Dinastia M, de Brian Michael Bendis, contando até com cenas tiradas diretamente das páginas da editora. Há um grande respeito pelo material base, seguindo o padrão da Marvel Studios, onde a adaptação não é literal. Depois de dar bastante foco para o lado cósmico na última saga, chegou a hora de nos aprofundarmos no lado místico, que continuará sendo explorado na sequência de Doutor Estranho.

Agora que chegou ao fim, posso dizer com propriedade que WandaVision realmente é a produção mais inovadora da Marvel Studios até o momento. Talvez a expectativa tenha atrapalhado em algumas decisões criativas, mas não posso reclamar do rumo que a história tomou e das possibilidades criadas para o futuro do MCU. Foi uma ótima experiência acompanhar os episódios semanalmente, com um ritmo excelente e deixando o espectador cada vez mais empolgado com o que vem a seguir. Que venha Falcão e o Soldado Invernal!

Crítica | WandaVision (Sem Spoilers)
A série se reinventa a cada episódio, homenageando sitcoms clássicas e quadrinhos icônicos, além de provar quem é a personagem mais poderosa do MCU.
4.5

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