Crítica | Cuphead é um entretenimento desafiante ao melhor estilo retrô

Sabe aquele jogo que você passa horas jogando a mesma fase porque não consegue derrotar o chefe? Então você fica estressado porque já morreu centenas de vezes, mas percebe que está progredindo. E quando finalmente derrota o boss sente uma mistura de alívio com empolgação. É exatamente isso que acontece em todas as fases de Cuphead.

Mesmo que você não tenha nascido nos anos 30, com certeza já assistiu ou pelo menos ouviu falar dos desenhos daquela época. A chamada Era de ouro da animação americana teve Betty Boop como um dos principais ícones, mas também já eram produzidos desenhos da Disney e da Warner.

Por exemplo, nesse período foram criados Patolino e Gaguinho, assim como a famosa animação do Mickey em um trem a vapor. Esse último, inclusive, foi homenageado no jogo Mickey Mania (1994), retomando a estética da época. Nomes como Gato Félix, Tom e Jerry, Pica-Pau, Popeye e até mesmo uma animação do Superman também se popularizaram nos anos 30.

Arte de Shawn Dickinson que retoma a estética da época

Alguns desses desenhos traziam uma atmosfera sombria, além do visual característico, e Cuphead consegue resgatar isso com excelência graças a sua direção de arte. A questão da narrativa obscura e “adulta” faz parte do próprio enredo do jogo, já que os personagens, basicamente, estão matando monstros para entregar suas almas para o demônio.

Assim como em South Park: Stick of Truth (2014) temos a impressão de jogar um episódio da série, em Cuphead temos a sensação de jogar um desenho animado dos anos 30. Isso fica ainda mais claro pelas expressões cartunescas, que transmitem muito bem a personalidade e sentimento dos personagens.

Além disso, a variedade de design é muito rica, sendo representada por praticamente qualquer coisa, como legumes, objetos e monstros. Os inimigos são ameaçadores o suficiente para que possam ser temidos, enquanto os protagonistas conseguem conquistar o público pelo carisma.

Quando pensamos em um jogo difícil, é comum associarmos a algo ruim, já que ele não traz boas lembranças, certo? Errado. Pense na popularidade de Dark Souls ou até mesmo Flappy Bird. Os dois são difíceis, cada um da sua maneira, mas as pessoas continuam jogando por serem desafiadores. Muitos jogos para celular seguem esse estilo e dão certo.

É bom deixar claro que não é um daqueles jogos impossíveis, que te deixam com raiva e são difíceis só por serem. Toda mecânica de Cuphead é pensada para explorar o raciocínio rápido e a capacidade de atenção dividida do jogador. É isso o que todo jogo deveria fazer, ao invés de destrinchar e facilitar ao máximo. É claro que depende da proposta apresentada, mas sinto falta desse nível de desafio.

A maior parte de Cuphead dispensa o caminho que normalmente se faz durante as fases e vai direto aos chefes, sendo eles, muitas vezes, os principais e únicos obstáculos do jogador. Por um lado isso pode parecer desanimador, já que as fases duram cerca de dois minutos, mas não se preocupe, pois você passará muito mais tempo nelas.

Todos os chefes contam com características únicas, que podem ser percebidas em outros jogos do gênero. Os ataques padrões e evoluções na aparência e habilidade são alguns dos exemplos. Em alguns momentos é bem semelhante a shooters de fliperama, os chamados “jogos de navinha”, ou até mesmo Sunset Riders (1991) onde é preciso atacar e desviar de dezenas de projeteis em sua direção.

Cala Maria, um dos chefes do jogo

Acima de tudo, Cuphead é um jogo extremamente viciante, principalmente pela sua dificuldade. Quanto mais você perde, mais você quer jogar, e isso vira um ciclo vicioso. Por outro lado, ele também funciona perfeitamente como forma de entretenimento, especialmente se você procura um novo tipo de desafio. Mesmo que ele não tenha te conquistado pelo gráfico, a jogabilidade é algo que, sem dúvida, vai te prender por horas.

Cuphead foi lançado em 29 de setembro para Xbox One e PC.

Nota: 5 vagões – Excelente

Cuphead
5

Comentário do Crítico

Cuphead é um daqueles jogos que você não deve jogar para desestressar. Ao invés disso, ele apenas muda o foco do estresse. Mesmo assim, garante boas horas de diversão.

2 Comentários

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