Planeta dos Macacos – A Guerra conclui um dos melhores reboots dos últimos anos

Em meio a tantos reboots sendo lançados nos últimos anos, um dos que conseguiu se destacar foi Planeta dos Macacos. Ele reconta a história da franquia clássica de uma maneira diferente, introduzindo novos elementos e conceitos para serem discutidos. A trilogia não poderia terminar de maneira melhor, explorando sentimentos de animais feitos em computação gráfica a um nível que não só convence, mas impressiona.

É importante dizer que os macacos são mais protagonistas do que nunca neste terceiro filme. Existe uma preocupação em estabelecer a relação desses personagens, que evoluíram até chegar em algo que lembra uma sociedade primitiva. O realismo consegue se superar, mostrando que a equipe técnica tem total segurança do que está fazendo. É explorado como o corpo dos animais se comporta na neve e na chuva, além de ser possível perceber mínimos detalhes na textura do pelo e na expressão facial através dos closes.

Por falar em expressão, elas também evoluíram graças ao trabalho dos atores, principalmente do veterano Andy Serkis. Não percebemos apenas sentimentos como raiva e tristeza, mas os macacos também expressam bondade, medo e outras emoções mais complexas. Mesmo que eles tenham captado essas características humanas, nunca é descaracterizada sua essência primata.

Cesar amadureceu biologicamente, com pelos acinzentados, uma fala desenvolvida e uma aparência mais desgastada. Mesmo assim, seu arco foca em um amadurecimento psicológico, onde ele precisa tomar atitudes como líder e se livrar do desejo por vingança. Aqui é estabelecido claramente que os macacos são os mocinhos e os humanos são os vilões, mas existem outras camadas a serem exploradas.

O principal antagonista é o Coronel, interpretado por Woody Harrelson, que contrasta muito bem com o protagonista. Ele é uma ameaça em potencial, se mostrando cruel quando precisa, além de ter muita presença em cena. No entanto, ele não é apenas um vilão genérico, pois suas ações são justificadas e entendemos sua motivação. O grupo que ele comanda ainda explora elementos como escravidão, superioridade de raças e até religião.

Ainda são adicionados mais dois novos personagens para compor o elenco, que simpatizam com o público através de seu carisma. Entre eles está uma garota muda, representando o lado sentimental que ainda existe em nós humanos. E o outro é um macaco capaz de falar assim como Cesar, e que consegue servir de alívio cômico, mesmo com a trama pesada. Os dois cumprem papéis importantes, pois conseguem injetar uma carga dramática necessária para que a história se desenvolva. Os outros macacos também têm seus momentos de destaque e nenhum deles é tratado de forma descartável, fazendo o público se importar com todos eles.

Em relação à guerra que o título traz, ela está presente visualmente através das explosões, mortes, desespero e a forma como tudo isso é filmado, lembrando outros filmes do gênero. Por outro lado, a maneira como ela afeta os personagens e suas consequências são mais importantes do que a ação em si.

Além da qualidade visual, a música incidental também chama atenção. Ela cumpre seu papel aumentando a dramaticidade da cena ou tornando-a mais inquietante. O roteiro também se destaca pelo desenvolvimento dos seus personagens e a amarração de todas pontas que foram abertas até aqui. Alguns acontecimentos são premeditados pelo desenrolar dos fatos, mas eles só conseguem aquele resultado por conta do que foi construído. O ato final é um dos melhores do filme, não deixando você tirar os olhos da tela e com reviravoltas empolgantes.

Planeta dos Macacos – A Guerra impressiona pelo seu realismo no visual e no futuro distópico, recontando um clássico a partir de uma nova narrativa. O filme é movido pela emoção e dramaticidade, mesmo que grande dos personagens seja feito por computação gráfica, tornando o desafio ainda maior. Mesmo assim, ele é o melhor filme deste reboot e consegue concluir o arco de maneira impecável.

Planeta dos Macacos - A Guerra
5

Comentário do Crítico

Se você nunca pensou que se emocionaria com uma história protagonizada por animais feitos de computação gráfica, está na hora de conhecer a nova trilogia de Planeta dos Macacos. Seu terceiro filme se destaca pelos detalhes técnicos, atuação e roteiro, que resultam em um belo final para a franquia.

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