Primeiras Impressões | Raio Negro não é o Luke Cage da DC

Depois do lançamento de Luke Cage, a Netflix adicionou ao seu catálogo mais uma série protagonizada por um herói negro: Raio Negro (Black Lightning). Felizmente, essa é a uma das poucas semelhanças entre os dois, já que Raio Negro apresenta novos elementos que não são comuns em histórias de super-heróis, e vão além da cor da pele.

Uma das diferenças desta série é o fato dela não começar exatamente do começo. O personagem não está no início de sua carreira como vigilante ou aprendendo a usar seus poderes. Ele na verdade está aposentado desta função e se encontra no dilema sobre a cidade realmente precisar de um vigilante.

Isso também revela outra característica do nosso protagonista que o diferencia de heróis comuns. Jefferson Pierce, o Raio Negro, não é um adolescente ou um bilionário. Ele é diretor de um colégio em um bairro violento dos EUA, além de ter duas filhas e lidar com o divórcio. Aqui deixamos de lado a figura imprudente que alguns heróis costumam ter, onde é construído o arco de amadurecimento, para já apresentar um personagem maduro e experiente, tanto na vida pessoal quanto heroica.

Se todas essas questões já estão resolvidas, o que exatamente a trama aborda? Ela é justamente sobre o retorno do Raio Negro, que não encontra outra opção senão proteger seu bairro atuando como um justiceiro. Por outro lado, ele sabe que isso pode colocar sua família em risco, além de dificultar qualquer tipo de reconciliação com a ex-mulher, que sabe de sua identidade.

Outro fato interessante que pode ser percebido no piloto da série está no senso de justiça do personagem. Ele não precisa vestir um uniforme para proteger as pessoas, pois o próprio Jefferson Pierce faz isso naturalmente. Diferente de Luke Cage, por exemplo, que tem como principal habilidade a força física, Pierce procura dialogar e tentar um acordo com as gangues da região.

A série também abre discussão para mostrar o ponto de vista de uma família afro-americana, principalmente em questões como o racismo e a violência. A cultura negra também está presente, obviamente, pela escolha do elenco, além da trilha sonora, já que o Raio Negro tem seu próprio rap. Ouça abaixo:

Se pelo tom temos uma série mais adulta que as outras da CW – como Supergirl e The Flash -, os efeitos nos lembram que esta é uma produção para TV: eles são funcionais, mas não é nada que chame atenção. Por outro lado, deixamos o famigerado “couro” que os personagens da DCTV utilizam para uma armadura que faz todo sentido dentro do contexto.

Raio Negro é a série sobre um herói que não quer ser um herói, mas precisa voltar a agir como um vigilante. O episódio piloto é uma ótima introdução a este universo, já que apresenta o tom, seus poderes, os dilemas que serão debatidos e as ameaças. É a série que faltava para a CW.

Raio Negro
4.5

Comentário do Crítico

O piloto de Raio Negro é uma ótima forma de introduzir o universo do herói e apresentar os elementos que serão debatidos, como a violência, o racismo e as decisões que um herói deve tomar ao voltar da aposentadoria.

Deixe um comentário

Seu email não será publicado

Start typing and press Enter to search