Crítica | Alguém Como Eu

As comédias românticas nacionais sempre estão presentes nas salas de cinema. Muitas das produções de sucesso são recheadas de humor e tem suas qualidadesSe Eu Fosse Você (2006) e Os Homens São de Marte… e É Pra Lá que Eu Vou (2014) são alguns exemplos -, mas outras simplesmente decepcionam e não conseguem trazer toda a diversão que esse gênero propõe. E Alguém Como Eu, filme luso-brasileiro dirigido por Leonel Vieira, infelizmente é uma dessas decepções.

A trama acompanha a jovem e bem-sucedida Helena (Paolla Oliveira), que decide viver em Portugal após decepções amorosas no Brasil. Mas ela fica solteira por pouco tempo, pois conhece Alex (Ricardo Pereira). A relação começa ótima, mas logo cai na rotina. Helena deseja então que Alex seja um pouco mais parecido com ela, e a partir daí, quando olha para ele, ela vê a figura de uma bela mulher. Seu desejo foi atendido, porém não da forma que ela imaginava.

O grande problema desse filme é o roteiro. Escrito à três mãos (por Pedro Varela, Adriana Falcão e Tatiana Maciel), somos apresentados à uma sucessão de cenas em que a personagem de Helena se vê como fracassada por não obter sucesso em seus relacionamentos amorosos. São cenas repetitivas e que pouco acrescentam pro desenrolar da trama. E o roteiro ainda comete um erro grotesco ao colocar em Helena toda a culpa pelo fracasso no relacionamento com Alex. Em tela é possível perceber que o personagem dele também contribuiu para esse fracasso, mas isso não é comentado na trama.

Helena é mal desenvolvida para ser uma protagonista. E diante disso Paolla Oliveira não tem muito o que trazer, apenas reagindo às situações vividas pela personagem. É uma pena, já que a atriz possui muito talento para personagens fortes. E seu parceiro de cena Ricardo Pereira está bem no papel. Muito presente nas novelas brasileiras, o ator é português, então neste filme ele teve a oportunidade de resgatar o seu idioma de origem.

Outro grave problema cometido pelo roteiro é optar pelo uso de narração em off. Helena que conta a história para o público, mas ela está sempre falando de emoções e situações que estão sendo mostradas pelos personagens, e quem está assistindo consegue entender sem ter que ouvir a narração. É um recurso mal utilizado e que incomoda bastante, sem necessidade alguma de existir no filme. E tem também vários diálogos expositivos que poderiam ser facilmente cortados.

E não foi por acaso que citei aqueles filmes, lá no primeiro parágrafo. Alguém Como Eu possui vários elementos que remetem a eles – inclusive a trama da mulher em busca de um relacionamento amoroso -, mas diferente deles, esse não consegue trabalhar bem a trama e se torna um longa que não inova.

A comédia – o que deveria ser um dos destaques desse gênero – é pouca. O verdadeiro humor está presente nas cenas em que estão os personagens de Joana (Júlia Rabello) e Fred (Arlindo Lopes). Apesar de interpretarem típicos estereótipos – a amiga engraçada e o amigo gay -, eles que trazem toda a diversão e leveza, fazendo o espectador rir com suas piadas e diálogos.

Por fim, o destaque fica mesmo por conta da bela fotografia de Luis Branquinho – ele mostra vários lugares do Rio de Janeiro e Lisboa – e a boa escolha de repertório, composto por várias canções brasileiras e outras da cantora portuguesa Mariza.

Alguém Como Eu é um exemplo de uma comédia romântica nacional que poderia ter dado certo. Mas seu roteiro não é dos melhores e é mal trabalhado, se tornando um longa fraco para os cinemas. Talvez funcionaria melhor sendo uma pequena produção televisiva.

Alguém Como Eu
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Comentário do Crítico

Cheio de clichês mal trabalhados e um roteiro fraco, Alguém Como Eu se torna uma decepcionante comédia romântica. Com pouco humor, o longa não consegue trazer um bom resultado e apenas se destaca por suas qualidades técnicas (fotografia e trilha sonora).

Sobre o Autor /

Um designer geek, cinéfilo de carteirinha, louco por livros e grande fã de Turma da Mônica e Mauricio de Sousa.

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