Crítica | Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Após o fim da saga Harry Potter, a Warner Bros. percebeu que seu maior sucesso não poderia se encerrar e que o universo mágico ainda possuía infinitas possibilidades para o cinema. Assim, quando Animais Fantásticos e Onde Habitam surgiu em 2016, o público conferiu um filme de introdução muito bom e com novos personagens, percebendo que aquele mundo tinha potencial para novas narrativas. Agora, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald expande esse universo ainda mais, porém se mostra uma sequência problemática.

Já empolgando com uma cena de abertura eletrizante e cheia de energia, este longa continua os eventos do primeiro filme: Grindelwald (Johnny Depp) foi preso, mas consegue escapar da custódia da Macusa (Congresso Mágico dos EUA). O plano dele é reunir seguidores e criar magos de sangue puro para dominar todos os seres não-mágicos. Assim, Newt (Eddie Redmayne) é recrutado por seu antigo professor Dumbledore (Jude Law) para enfrentar o bruxo das trevas, ao mesmo tempo que as histórias de outros personagens se entrelaçam em uma trama sombria.

Primeiramente é preciso dizer que Os Crimes de Grindelwald é visualmente impressionante. Com uma clara evolução em relação ao anterior, os efeitos visuais estão sensacionais, dando novas formas para os feitiços e para as magias que existem nesse universo. A ambientação dos anos 20 é bastante rica, desde os figurinos, passando pelas cidades de Paris e Londres. O Ministério de Magia Francês, por exemplo, é belíssimo em suas cores e contrastes, mostrando um design de produção incrível feito pela equipe. Tudo é reforçado pela experiência de assistir em IMAX 3D (sala em que aconteceu a cabine de imprensa). Até as logos de abertura saltam das telas mostrando que, no caso deste filme, a terceira dimensão realmente funciona e não escurece o longa. Por isso é altamente recomendável assistir neste tipo de sala, caso exista em sua região.

Os animais do título estão ainda mais bonitos e diferenciados. O conceito de cada um é pensado com cuidado, misturando sempre algo real com o imaginativo. Zouwu é um dos novos apresentados, cheio de texturas e pelos de movimentos fluídos. E Pelúcio, apesar de ter uma participação mais reduzida, continua divertidíssimo e arrancando boas risadas do público.

Contudo, existe um tom muito inconsistente que permeia todo o longa. Assistimos sequências de ação e suspense que deixam o espectador bem atento, só que em muitas partes fica monótono e nada de muito relevante acontece. É como se a trama estagnasse em um ponto para só se resolver no terceiro ato. Só que isso se mostra equivocado, perdendo o ritmo da história e faltando equilíbrio em deixar tudo o mais interessante possível.

A maioria dos problemas de Os Crimes de Grindelwald estão no roteiro de J.K. Rowling. São inseridas várias narrativas, além da principal, que se perdem, ficam mal desenvolvidas e em excesso. Elas culminam em uma cena chave no final, entretanto a falta de foco faz com que fiquem pela metade. Sim, este é obviamente um filme de transição – já que ainda temos mais três nesta saga. Mas dentro do que é estabelecido, fica um sentimento de confusão e complexidade que prejudica a compreensão do que realmente está nos sendo apresentado.

Por exemplo: dentro da narrativa de Credence (Ezra Miller) e Nagini (Claudia Kim) existe o Circo Arcanus. Esse elemento entra e sai do filme sem grandes explicações, sendo apenas um recurso para apresentar a personagem de Kim. Em outro momento, toda a ação e tensão é bruscamente interrompida para que uma personagem revele uma longa história sobre seu passado. Isso dura apenas alguns minutos, mas é tudo tão cheio de detalhes e novos nomes que a execução fica desastrosa, quebrando o ritmo e facilmente deixando o espectador perdido – aumentando a ideia de confusão.

Todos esses equívocos na trama prejudicam e beneficiam os personagens. Newt continua sendo um personagem divertido e um protagonista amável, com Redmayne encaixando perfeitamente no papel. Tina mudou e agora se mostra muito mais segura, corajosa e investigativa, e a atriz Katherine Waterston consegue passar isso muito bem. A conexão entre os personagens funciona e rende momentos emocionantes, em que os atores possuem bastante química.

O mesmo não acontece com Jacob (Dan Fogler) e Queenie (Alison Sudol). A relação deles continua cômica e amorosa, mas, por serem pouco explorados, ambos ficam perdidos na trama. Principalmente Queenie, que praticamente some na história, para muito à frente aparecer novamente – só que já tivemos tanta coisa e tempo suficiente para nos esquecermos dela. Zoë Gravitz cumpre seu papel como Leta Lestrange, revelando-se uma personagem bem enigmática. E Callum Turner é uma boa adição ao elenco fazendo Theseus Scamander, proporcionando uma cena incrível ao lado do irmão Newt.

Quanto à Jude Law como Dumbledore, é preciso elogiar muito o ator. Ele consegue trazer sua própria interpretação ao personagem ao mesmo tempo que resgata toda a essência dele criada por Michael Gambon, na saga Harry Potter, com todo o sarcasmo e ironia característico do professor de Hogwarts. Aliás, quando a escola aparece, toca a trilha sonora e resgata uma nostalgia nos fãs e até nos que são apenas admiradores do universo. Nesse momento aparece o ator Joshua Shea – interpretando a versão jovem de Newt -, que é muito parecido com Redmayne e consegue trazer todos os trejeitos que ele criou pro personagem. Por fim, Johnny Depp continua bem como Grindelwald, mas não traz nada de novo com relação ao que já fez em outros papéis.

Com efeitos visuais incríveis e um design de produção impecável, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald quer contar muita coisa, mas não consegue desenvolver tudo muito bem. A história fica confusa e mal estruturada, porém apresenta pontos positivos que serão interessantes de se explorarem nos próximos filmes. Tudo precisa de melhores esclarecimentos e, assim, nos resta aguardar para saber como o Wizarding World vai se expandir.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald
3

Comentário do Crítico

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald se mostra uma sequência problemática e inconsistente, sem conseguir desenvolver bem seus personagens e várias narrativas. Porém, apresenta pontos positivos que podem ser melhores explorados no futuro, além de efeitos visuais incríveis e um design de produção impecável.

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