Crítica | Army of the Dead: Invasão em Las Vegas

Hoje, Zack Snyder é conhecido pela sua contribuição ao Universo Estendido da DC Comics, culminando no recente Snyder Cut de Liga da Justiça, mas o que talvez algumas pessoas não saibam é que seu primeiro longa foi um filme de zumbi: Madrugada dos Mortos. É muito bom ver o cineasta voltando para esse gênero com Army of the Dead: Invasão em Las Vegas, que chegou recentemente na Netflix. A produção consegue fugir dos clichês, trazendo várias ideias simples e criativas, além de manter o estilo já conhecido do seu idealizador, incluindo muita câmera lenta e CGI.

Snyder esteve bastante envolvido nesse projeto. Ele atuou como diretor, roteirista, produtor e até diretor de fotografia, além de operar pessoalmente uma das câmeras. Portanto, se você é fã dele, já é meio caminho para gostar do filme. O resultado é uma obra que tem a sua cara e já mostra para que veio desde a incrível sequência inicial, que não é apenas bonita visualmente, com muita violência e até um certo humor irônico, como também mostra como as pessoas mudaram depois do apocalipse zumbi.

O filme se destaca pelo trabalho de maquiagem e efeitos práticos, usados para tornar os ferimentos mais realistas, assim como acerta na edição, sincronizando música e ação. Ele ainda conta com uma excelente escolha musical para a trilha sonora – não podendo faltar Viva Las Vegas.

A trama em si não traz nada de novo: depois de um apocalipse zumbi em Las Vegas, um grupo de mercenários se aventura no maior assalto de todos os tempos. Basicamente é uma mistura de heist movie com um longa de terror com zumbis, o que já foi feito várias vezes, inclusive no recente Invasão Zumbi 2: Península. Porém, aqui há muitas boas ideias e vários detalhes que tornam a produção mais interessante e diferenciada.

Começando pelos personagens, aqui temos uma equipe com personalidades diferentes, onde cada um tem uma função definida. Todos são muito bons e até aqueles que possuem participações menores conseguem brilhar. Dave Bautista prova, mais uma vez, que é um excelente ator de filme de ação, mas também mostra talento para as sequências mais dramáticas, principalmente ao lado de Ella Purnell. Ainda destaco a relação conflitante entre os personagens Dieter (Matthias Schweighöfer) e Vanderohe (Omari Hardwick), a personalidade ríspida de Marianne (Tig Notaro), além do jeito bad-ass da Coiote (Nora Arnezeder). Também gosto da presença de Martin (Garret Dillahunt) na equipe e sua importância narrativa.

Já do lado dos zumbis, há muitas novidades que chamam atenção, como a inteligência e a organização dos Alfas, assim como outros elementos que dificultam o trabalho dos humanos. Por exemplo, aqui temos um tigre zumbi, um zumbi usando capacete, ou zumbis que desviam de balas. Infelizmente, existem outros pontos que gostaria de ter visto com maior desenvolvimento em tela, mas foram deixados de lado, foram pouco aproveitados ou simplesmente eram incoerentes mesmo.

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas é um dos filmes de zumbis mais originais que assisti nos últimos anos. Snyder consegue trazer frescor para um gênero que estava saturado há muito tempo e gostaria de ver mais coisas desse universo. Felizmente, já temos um prequel confirmado em formato de anime chamado Lost Vegas.

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas está disponível na Netflix.

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas
4

Comentário do Crítico

O longa mantém o estilo já conhecido de Zack Snyder e conta com várias ótimas ideias criativas, trazendo frescor ao gênero.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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