Crítica | As Trapaceiras

Atualmente, Hollywood continua vivendo a fase dos remakes. Depois de acumular tantos clássicos nos anos 1980, se tornou comum atualizá-los para a nova geração. Um dos exemplos é As Trapaceiras, de Chris Addison, que aposta no talento da dupla Anne Hathaway e Rebel Wilson para recontar a história de Os Safados (1988) com protagonistas femininas.

Na trama, Penny Rust (Rebel Wilson) e Josephine Chesterfield (Anne Hathaway) são mulheres que enganam homens para roubar o dinheiro deles. As duas começam uma competição para conseguir US$ 500 mil de um milionário da tecnologia e descobrir quem é a melhor.

As Trapaceiras pode ser considerado uma versão moderna do longa de 1988. Aqui temos músicas, referências a obras e figuras da atualidade, além da maior presença da tecnologia, como celulares e tablets. Porém, o filme conta com exatamente a mesma estrutura de Os Safados. Curiosamente, seus roteiristas Stanley Shapiro, Paul Henning e Dale Launer estão de volta, com a adição do olhar feminino de Jac Schaeffer. Assistindo ao remake, a sensação que temos é a de que os três aproveitaram o conforto das situações divertidas e plot-twists do longa anterior e tentaram repetir a fórmula de sucesso mais uma vez. Isso porque a última versão é remake de Dois Farristas Irresistíveis (1964), com roteiro de Shapiro e Henning. O problema é que parece estarmos vendo o mesmo filme. Além de repetir a história, também é possível notar os mesmos planos nos mesmos cenários e com os mesmos diálogos, o que caracteriza ainda mais a sensação de cópia.

Uma das diferenças que a produção promete como inovação é a mudança de sexo dos protagonistas masculinos, vividos por Steve Martin e Michael Caine. Entretanto, Hathaway e Wilson estão praticamente repetindo os personagens. As duas injetam mais do seu estilo de comédia no filme, principalmente no caso de Wilson, mas em várias cenas não mudam as piadas do “original”.

A química entre as duas protagonistas funciona, sendo fundamental para que a história dê certo, pois em boa parte da trama temos as personagens se provocando e tentando prejudicar a outra. Neste caso, Hathaway está incrível como a “malvada” da história, com direito ao sotaque alemão. Já Wilson conta com um humor mais exagerado, que deve dividir o público, além de parecer imitar Steve Martin em algumas cenas. O que também atrapalha é sua atuação como cega, que não convence em nada. Desta vez, o “alvo” das protagonistas é vivido por Alex Sharp, que faz um bom trabalho como um jovem ingênuo, bondoso e desastrado.

Se formos considerar As Trapaceiras isoladamente, sem levar em contar que é um remake, ele consegue divertir. A atual geração – principalmente os fãs das atrizes – devem gostar de vê-las nessa que, de fato, é uma boa história. Mesmo assim, ele fica abaixo das expectativas, pois já a vimos em produções mais bem sucedidas. Agora, para quem conhece Os Safados, todas as reviravoltas se tornam previsíveis e não são tão bem resolvidas quanto no filme de 1988. Vale destacar também que a história aqui é mais resumida, o que deixa a trama mais corrida, prejudicando seu desenvolvimento.

As Trapaceiras é um grande desperdício de potencial. Ele poderia ter aproveitado a chance de tornar a história ainda melhor, mas infelizmente vai pelo caminho fácil e com menos valor de entretenimento. Com isso, é difícil imaginar outra coisa senão mais uma chance dos roteiristas ganharem dinheiro.

As Trapaceiras
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Comentário do Crítico

As Trapaceiras repete a mesma estrutura do filme de 1988 – que, por sua vez, também é um remake. Em várias cenas temos praticamente os mesmos enquadramentos, cenários e diálogos, se tornando um desperdício de oportunidade.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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