Crítica | Bad Boys Para Sempre

Nostalgia é um fator que vem sendo usado regularmente em Hollywood, resultando no retorno de diversas franquias que marcaram os anos 1980 e 1990. A partir disso, temos a volta de personagens clássicos e a apresentação desse universo para um novo público. Entre continuações, reboots e derivados, alguns projetos simplesmente não funcionam, outros deixam o público dividido – e há casos como Bad Boys Para Sempre, que soube se atualizar sem perder a essência.

O tom do longa já fica claro desde a sequência inicial, que remete à cena de abertura do original, onde acompanhamos uma discussão entre os policiais Mike (Will Smith) e Marcus (Martin Lawrence) em um carro. É muito bom ver os dois atores de volta aos papéis, principalmente porque, mesmo depois de tanto tempo, eles ainda conseguem interpretá-los exatamente como nos lembramos. A dupla é sempre divertida quando está junta, seja pelas caras e bocas de Lawrence ou pela atitude convencida de Smith. Definitivamente, eles são o ponto alto do filme, tornando-se um presente para os fãs.

O mais legal desta vez é que os personagens estão em novas fases da vida. Enquanto Marcus agora é avô e pensa na aposentadoria, Mike quer continuar na ativa. Graças a isso, temos conflitos que injetam uma carga dramática inesperada – mas muito bem-vinda -, e os atores se entregam e convencem, resultando em momentos genuinamente comoventes. Assim como em casos anteriores dessa trilogia, o roteiro trabalha bastante com a ideia de contrastes entre os policiais, não só pelos diálogos, como também visualmente, através de montagens, de forma mais explícita.

Além da dupla principal, também são destaques o retorno de Theresa (Theresa Randle), que aparece pontualmente em sequências divertidas, e o Capitão Howard (Joe Pantoliano), que chega a roubar a cena diversas vezes. Entre os novatos, Rita (Paola Nuñez) é introduzida, a princípio, como um interesse amoroso, mas representa a mulher forte e com atitude da vez. Kelly (Vanessa Hudgens), Dorn (Alexander Ludwig) Rafe (Charles Melton) representam a nova geração e são responsáveis por criar o contraste com os Bad Boys originais. Cada um tem uma personalidade e habilidade diferentes, que vemos em prática durante as missões, assim como rendem bons alívios cômicos. Por outro lado, eles ainda são tratados como coadjuvantes e não ganham tanto espaço.

O ponto baixo desta sequência fica para o núcleo mexicano, liderado por Isabel (Kate del Castillo) e Armando Aretas (Jacob Scipio). Sem entregar muitos detalhes, sabemos que eles estão em busca de vingança, mas suas cenas estão muito deslocadas de toda a trama, parecendo que estamos assistindo a duas produções diferentes. Assim como o próprio filme brinca, o roteiro não ajuda, fazendo a trama virar uma novela mexicana. A tentativa de incluir a cultura do país também acaba não agregando muito, além de piadas.

Com os dois primeiros Bad Boys sendo dirigidos por Michael Bay, muitos se perguntavam se a dupla Adil El Arbi e Bilall Fallah entregaria um trabalho no mesmo nível. É possível notar algumas inspirações, como o uso de slow motion, uma montagem rápida e dinâmica, além de, claro, explosões. O longa ainda conta com um excelente trabalho de coreografia nas lutas impactantes e angustiantes, onde podemos acompanhar uma evolução de Will Smith como ator de ação desde Bad Boys II. As perseguições eletrizantes são muito bem dirigidas e inventivas, tornando-se um verdadeiro espetáculo. Como não poderia ser diferente, há uma grande sintonia entre comédia e ação, não devendo nada aos anteriores. Conforme a trama avança, essas sequências vão ficando mais grandiosas até chegarmos a um clímax emocionante.

Bad Boys Para Sempre é um caso bem sucedido de atualização de uma franquia, com uma continuação justificável e que foge das convenções, surpreendendo o público. Apesar de ainda estarmos no início do ano, já é um nome forte para a lista dos melhores filmes de ação de 2020. Ele não entrega apenas momentos empolgantes, como também emociona e diverte o espectador. A espera valeu a pena.

Bad Boys Para Sempre
4

Comentário do Crítico

O terceiro filme não apenas entrega cenas de ação de tirar o fôlego, como também diverte e emociona o público. A franquia soube se atualizar sem perder a essência, com destaque para a carismática dupla Will Smith e Martin Lawrence.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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