Crítica | Bela Vingança

Bela Vingança foi um dos destaques na temporada de premiações deste ano, recebendo várias indicações e levando prêmios, inclusive no Oscar. Infelizmente, o longa escrito e dirigido por Emerald Fennell apenas chegou oficialmente ao Brasil na última semana e, mesmo que os grandes eventos já tenham passado, se você ainda não assistiu, vale muito a pena conferir.

Na trama, Cassandra (Carey Mulligan) é uma mulher traumatizada por um evento que aconteceu com sua amiga no passado e agora busca se vingar dos envolvidos. Levando em conta a premissa e o próprio trailer, parece que teríamos aqui mais um longa de ação sobre vingança, mas este projeto conta com muita originalidade. Um dos pontos que mais fiquei satisfeito é como a produção não apela para a violência explícita como forma de chocar o público, pois seria o caminho mais fácil, mas isso não faz com que ele seja mais leve por conta isso. Pelo contrário.

É inegável que o filme é um dos melhores trabalhos da carreira de Carey Mulligan, que está incrível no papel principal. Há momentos em que sua atuação está tão boa que engana não só os outros personagens como até mesmo o próprio público, como quando finge que está bêbada e, de repente, revela estar sóbria. Durante o longa vemos a protagonista tomar decisões questionáveis, abrindo espaço para discussões sobre se o que ela está fazendo é certo ou errado. Mesmo que você não concorde com suas ações, elas são muito bem justificadas pelo roteiro de Fennell. Também elogio o trabalho de cabelo e maquiagem, que ajudam a construir as várias camadas da personagem. Por exemplo, em algumas cenas ela tem uma aparência mais angelical, enquanto em outras está mais fria e calculista. Os coadjuvantes, apesar de aparecem pouco, possuem cenas fortes e marcantes. Entre os destaques está Bo Burnham e Chris Lowell.

A direção de Fennell é muito precisa, pincelando diferentes tons ao longo da história. Ela chega até a brincar com vários gêneros dentro do mesmo filme, indo de uma comédia romântica até um thriller psicológico. O projeto também possui uma crítica social muito contundente sobre o machismo e a cultura do estupro, sendo muito bem colocado através das falas dos personagens e das diferentes situações apresentadas sem parecer forçado. Certamente é uma obra reflexiva, que fica impossível não pensar sobre o assunto após assistí-la.

Mesmo que o roteiro tenha pontos previsíveis e um final discutível, Bela Vingança é muito relevante pela forma como aborda um assunto tão sensível e importante de ser debatido. O projeto merece todos os prêmios e indicações que recebeu e, mesmo que o Oscar tenha passado, vale a pena assistir.

Bela Vingança está em cartaz nos cinemas.

Bela Vingança
4

Comentário do Crítico

O longa conta com excelentes atuações, com destaque para Carey Mulligan, além de um roteiro afiado e uma direção precisa, trabalhando com vários gêneros, desde uma comédia romântica até um thriller psicológico.

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