Crítica | Bob Esponja: O Incrível Resgate

A animação Bob Esponja dispensa comentários. É o desenho mais popular da Nickelodeon, rendendo três longas-metragens. O terceiro, O Incrível Resgate, estava previsto para chegar aos cinemas, mas teve que ser adiado por conta da pandemia de COVID-19, encontrando um novo lar no streaming, chegando este mês na Netflix. Porém, mesmo com a mudança inesperada, a sensação é de que a produção está no lugar certo.

Diferente dos filmes anteriores, O Incrível Resgate chama atenção por ser o primeiro produzido totalmente em computação gráfica. Felizmente, todas as caras e bocas dos personagens e a essência da obra não se perdem, em uma adaptação visual que chega a lembrar o que foi feito em Scooby! O Filme. A partir do 3DCG, temos detalhes mais ricos, deixando as texturas mais notáveis, tornando a obra ainda mais bonita.

A sequência inicial é excelente, apresentando os personagens como um documentário sobre a vida marinha, além das tradicionais piadas da série: Bob Esponja e Patrick irritando Lula Molusco, Plankton tentando roubar a fórmula secreta do hambúrguer de siri e outras dinâmicas já conhecidas, mas que nunca perdem a graça. É incrível como todos os personagens são extremamente carismáticos e com personalidades bem definidas, além de sempre terem piadas afiadas na ponta da língua, seja usando a metalinguagem ou através de exageros. Ao mesmo tempo que há uma certa nostalgia para o público que assiste ao desenho, também são introduzidos elementos modernos, com a presença do robô Otto. Entre os novos personagens, um dos destaques é o egocêntrico e vaidoso Poseidon. Além disso, também não poderia deixar de mencionar o admirável trabalho de dublagem feito no Brasil, liderado por Wendel Bezerra.

A partir do desaparecimento de Gary, a animação passa a ter uma pegada mais road movie, resgatando a tradição de misturar animação com live-action em uma sequência de faroeste. Apesar das situações absurdamente divertidas e participações especiais inesperadas, narrativamente, esse é um dos momentos em que o filme mais enrola, já que todos os eventos não acrescentam muito à trama como um todo. É também aqui que conhecemos o personagem de Keanu Reeves, que funciona como um guia espiritual para Bob Esponja e Patrick, mas não deixa de ser um pouco Deus Ex Machina, aparecendo em momentos oportunos para resolver os problemas do protagonista.

Já no terceiro ato somos apresentados à Atlantic City, visualmente inspirada em Las Vegas. Aqui temos os melhores números musicais e uso de trilha sonora, mas também voltamos a ter divagações. Um dos maiores exemplos disso é a sequência do tribunal, que funciona como uma apresentação para uma plateia e há uma série de flashbacks dos personagens quando eram crianças, em um acampamento de verão. O efeito da sequência funciona, que é mostrar o quanto Bob Esponja é querido e gentil, destacando sua amizade com os outros personagens, mas ao mesmo tempo há um excesso, tornando o momento mais longo do que deveria, parecendo mais uma forma de promover Kamp Koral, a futura série derivada da franquia.

Com alguns altos e baixos, Bob Esponja: O Incrível Resgate poderia ser mais sucinto e com menos sobras, mas ainda tem seus pontos positivos, como o novo visual, uma bela mensagem sobre amizade e os personagens cativantes. Ele começa muito bem, com uma dinâmica que lembra os episódios da série, porém se perde em suas digressões e falta de foco.

Bob Esponja: O Incrível Resgate
3.5

Comentário do Crítico

A animação tem como destaque os carismáticos personagens clássicos e traz uma bela mensagem, mas é prejudicada pelas divagações do roteiro.

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