Crítica | Com ótimas sequências de ação, Maze Runner: A Cura Mortal entrega resultado mediano

Após dois filmes, a adaptação para os cinemas da série de livros escrita por James Dashner chega a um desfecho. A trilogia protagonizada por Dylan O’Brien e dirigida por Wes Ball consegue ir além de uma trama adolescente comum e dar uma nova leitura a histórias distópicas.

Um dos melhores momentos de A Cura Mortal está logo na sua cena de abertura: uma sequência de ação que lembra a de franquias como Velozes e Furiosos. O momento é muito bem dirigido, nunca deixando que o espectador se perca durante a cena e causando o entusiasmo e emoção que se pede. Isso também é visto outras vezes durante a produção, surpreendendo o público ao revelar elementos em cena através da movimentação da câmera ou pela adrenalina em manobras e ações ousadas.

Visualmente, o trabalho de ambientação, inclusive com o uso de CGI, é satisfatório. O muro, a cidade e toda destruição estão bem inseridos em relação aos atores, o que não passa a sensação de incômodo pela falta de realidade. Além disso, o filme ainda consegue fazer um bom uso de sua paleta de cores, que brinca a todo momento com cores quentes e frias para causar contrastes.

Outro ponto positivo está no trabalho da equipe de maquiagem. Isso fica notável não só na caracterização do personagem de Walton Goggins, como também na transformação dos personagens em “cranks”. Mesmo com tantas qualidades técnicas, o maior problema de A Cura Mortal está em seu roteiro, que nem sempre apresenta o peso do fim de uma trilogia.

Apesar da excelente direção em sequências de ação e do realismo no visual, isso não é o suficiente para um resultado a altura da conclusão de uma saga. Por exemplo, é possível notar em diversos momentos facilitações no roteiro, que mais parecem o recurso Deus Ex Machina, onde o herói é salvo no último segundo. Com o passar do tempo, temos a sensação de que o conflito sempre será resolvido, muitas vezes de maneira previsível.

Isso também afeta a maioria dos personagens cujas ações não são justificadas de forma coerente. Alguns deles não seguem uma lógica estabelecida pela sua personalidade e agem como melhor convém ao roteiro, prejudicando a própria construção do personagem.

Com tantos coadjuvantes e uma história focada no protagonista, era de se esperar que muitos ficariam sem tempo de tela. Neste caso, até mesmo arcos menores que poderiam ser interessantes, como dos personagens Minho (Ki Hong Lee) e Brenda (Rosa Salazar) acabam sendo apressados. O mesmo acontece com a vilã Ava Paige (Patricia Clarkson), que é reduzida a pequenas pontas insignificantes para alguém que tinha tanta importância na trama.

Não é como se o A Cura Mortal fosse curto demais para tantos arcos, até porque o filme conta com 2h23 de duração. Isso afeta o senso de ameaça do filme, que quase não existe exatamente por não ter esta figura antagonista. Quando aparece, o responsável é o personagem de Aidan Gillen, que reprisa a mesma atuação de Game of Thrones (Lorde Baelish/Mindinho), enquanto Teresa (Kaya Scodelario) quase se torna sua nova Sansa.

A Cura Mortal é um filme com muitos erros e acertos. É possível que algumas coisas passem despercebidas pelos fãs da franquia, mas a trilogia poderia ter um fim mais coeso e grandioso se soubesse usar melhor seus elementos. Ao invés de uma satisfação pelo desfecho, a sensação é de que poderia ter sido melhor.

Maze Runner: A Cura Mortal
3

Comentário do Crítico

Apesar de um ótimo primor técnico, incluindo fotografia e maquiagem, o roteiro e o subaproveitamento de personagens são os principais pontos negativos da conclusão desta trilogia.

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