Crítica | Cruella

Criada em 1956 por Dodie Smith, Cruella tornou-se uma das vilãs mais aclamadas da Disney como antagonista das adaptações de 101 Dálmatas em animação e live-action, chegando a ser vivida por Glenn Close. Levando em conta a nova onda do estúdio em adaptar suas animações clássicas e a recente proposta de Hollywood de contar a história de origem dos vilões, era apenas questão de tempo até que um longa estrelado pela personagem surgisse, desta vez com Emma Stone.

A obra entrega o esperado de uma produção do gênero, fazendo uma mistura de O Diabo Veste Prada com heist movies e uma tentativa de humanizar sua protagonista mostrando seu ponto de vista, o que também remete à Coringa. O filme ainda chega a lembrar a mesma premissa de Solo – Uma História Star Wars, onde conhecemos as origens de um personagem já estabelecido. Em todo momento há explicações sobre como surgiu o nome Cruella, piadas com o termo “cruel” – apesar do filme nunca mostrar a personagem fazendo crueldades de fato – e a ligação com os dálmatas. Apesar disso, é difícil criar uma relação direta entre o que foi construído aqui e o que já sabíamos sobre a personagem, deixando a sensação de que trata-se de um reboot e não um prequel. Apesar de ideias criativas e a forma que brinca com o gênero, o roteiro de Dana Fox e Tony McNamara decepciona pelas incoerências e facilitações narrativas, diálogos expositivos, além da trama previsível e excesso de voice over.

Na infância, a protagonista é vivida pela carismática Tipper Seifert-Cleveland, que chegou a me fazer imaginar como seria interessante assistir a alguma produção sobre esse momento da vida da personagem. Já na vida adulta, a talentosa Emma Stone dá vida à vilã, conseguindo justificar suas atitudes pela motivação convincente. A ideia do longa é tornar Cruella uma personagem relacionável com o público a partir da imagem da antagonista que “amamos odiar”, e funciona. Outro ponto positivo é a presença da excêntrica e detalhista Baronesa (Emma Thompson) como uma rival à altura no mundo da moda. Infelizmente, o longa é basicamente das duas, pois todos os coadjuvantes não possuem tempo de tela suficiente e são subaproveitados, como o personagem de Mark Strong. Já a dupla Jasper (Joel Fry) e Horace (Paul Walter Hauser), que deveria ser o alívio cômico, não funciona.

O projeto se concentrou bastante na parte técnica, entregando um trabalho primoroso de figurino, cabelo e maquiagem, além do design de produção na recriação de Londres dos anos 1970. Ainda destaco a excelente escolha de trilha sonora, tanto a original de Nicholas Britell quanto a seleção musical, que inclui rock e punk rock e combina com a proposta da obra. Entretanto, um ponto que incomoda é o excesso de CGI, seja na ambientação ou nos animais. Sempre que apareciam os dálmatas, por exemplo, por mais que fossem realistas, não passavam a sensação de serem criaturas vivas, mas sim algo artificial, prejudicando a imersão.

Cruella certamente vai agradar aos fãs da moda e do estilo da personagem, que aqui estão muito bem representados. A produção da Disney é de encher os olhos visualmente e conta com muitos méritos, mas há detalhes que incomodam e atrapalham a experiência, como a descaracterização da vilã.

Cruella está disponível no Disney+ via Premier Access.

Cruella
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Comentário do Crítico

O longa se destaca nos aspectos técnicos, como maquiagem, cabelo e figurino, mas é difícil criar uma relação direta entre o que foi construído nesta obra e o que já sabíamos sobre a protagonista.

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