Crítica | Esquadrão Trovão

Pegando onda na popularidade dos filmes de super-heróis, a Netflix lançou essa semana um projeto que, à primeira vista, tinha tudo para ser interessante, mas é muito prejudicado pelas decisões criativas de Ben Falcone. Desde 2014, o cineasta vem comandando projetos estrelados pela sua esposa Melissa McCarthy, mas até o momento não houve nenhum acerto. O mais recente é a paródia Esquadrão Trovão, que se passa em um mundo onde sociopatas ganharam poderes e são chamados de Meliantes, então uma dupla improvável forma uma equipe para detê-los.

Se formos analisar a obra como uma paródia de filme de super-heróis, não há nada para se aproveitar. Mesmo com uma abertura que remete aos quadrinhos, toda a ideia é genérica, desde a construção do mundo até os poderes, com uma grande quantidade de incoerências ao longo do caminho e nenhum tipo de desenvolvimento. Também não é aqui que você vai encontrar os melhores efeitos visuais ou práticos, sempre aparentes. Basicamente, tudo que existe aqui já foi feito antes – e melhor.

Agora, se pensarmos no longa como uma comédia, o resultado ainda é medíocre, começando pelo fato de que nenhuma piada funciona. Um grande problema presente durante toda obra é o timing. Existem vários alívios cômicos que são esticados até perderem a graça e praticamente tudo demora para acontecer, sem falar nas dezenas de sequências inúteis que não dão em nada. Ainda há momentos que são bregas, puramente vergonha alheia – no mau sentido – ou forçados.

A obra conta com grandes nomes de Hollywood no elenco, mas é incrível como Falcone consegue desperdiçar o talento de todos com diálogos ruins e pouca profundidade. Lydia (Melissa McCarthy) é uma protagonista irritante, sem carisma e mais atrapalha do que ajuda na trama. O maior problema da personagem é a digressão, pois sempre precisa fazer algum comentário ou piada nas situações presentes. Isso não só incomoda o público, como também tira o foco da narrativa. Há uma tentativa de investir no drama de Emily (Octavia Spencer), mas o longa não exige muito da atriz e nem aproveita todo seu potencial. Ainda temos o genérico e caricato O Rei (Bobby Cannavale), que representa o que um vilão não deveria ser, além dos ridículos Laser (Pom Klementieff) e Caranguejo (Jason Bateman).

Esquadrão Trovão é uma aula de como não fazer uma paródia de filmes de super-heróis. Mesmo com um elenco estrelado, a trama é vazia e sem alma, sendo um desafio assistí-la até o final por conta de tanta enrolação e pouca substância. Ainda não foi dessa vez que Ben Falcone acertou.

Esquadrão Trovão está disponível na Netflix.

Esquadrão Trovão
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Comentário do Crítico

O longa é uma aula de como não fazer uma paródia de filmes de super-heróis, sendo prejudicado pela superficialidade da trama e excesso de digressões.

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