Crítica | Eternos

Depois de ser lançado nos cinemas em novembro de 2021, Eternos finalmente chegou ao streaming como um dos grandes lançamentos de janeiro de 2022 no Disney+. O projeto conta com uma proposta bastante ousada, pois tenta explicar a criação do universo e a evolução da raça humana a partir dos Celestiais. Além disso, este é o maior grupo de heróis da Marvel Studios até o momento, apresentando 10 personagens de uma vez. Com tantos desafios, a produção acaba não ficando entre as melhores do estúdio, mas está longe de ser um desastre.

O projeto é um dos que menos segue a tal “fórmula Marvel”, apostando num ritmo mais lento e indo por um caminho contemplativo. Talvez um dos motivos para essa mudança seja o fato dele ter sido dirigido e coescrito por Chloé Zhao, vencedora do Oscar por Nomadland. Na trama, depois de passarem milhares de anos separados, os Eternos precisam se reunir para deter os Deviantes.

Um dos pontos fortes do longa é seu elenco, que procura representar pessoas do mundo todo e abraça a diversidade. Por exemplo, Makkari (Lauren Ridloff) é a primeira heróina surda do MCU, assim como Phastos (Brian Tyree Henry) é o primeiro abertamente gay deste universo. É interessante como todos são estabelecidos dentro da história humana, servindo de base para mitos e lendas, assim como justificam suas ausências durante os últimos eventos da Marvel Studios, como o Blip. Por outro lado, neste filme há um desbalanceamento de tempo de tela para cada um, assim como uma dificuldade em criar uma conexão entre o público e os personagens. Se Sersi (Gemma Chan), que é a mais próxima de uma protagonista, não possui tempo suficiente para mostrar ao que veio, imagina os outros integrantes?

Ainda assim, há algumas pinceladas que valem a pena destacar, como a relação entre as habilidades e os conflitos internos de Druig (Barry Keoghan), Sprite (Lia McHugh) e Phastos. Já entre os pontos baixos, estão o alívio cômico fora de tom de Kingo (Kumail Nanjiani) e o subaproveitamento de Dane (Kit Harington).

Ouro problema desse projeto é o ritmo, já que ele possui mais de 2h30 e temos a sensação de que a história não anda. Durante a maior parte do tempo vemos o grupo se unindo aos poucos, em meio a flashbacks e diálogos expositivos. Por um lado, isso é até justificável, já que há muitas pessoas e conceitos para serem introduzidos, só que prejudica a obra como um todo, pois o filme só começa a empolgar na última meia hora.

É uma pena que o estúdio tenha falhado justamente quando tenta uma proposta diferente, mas se tem uma coisa que Eternos conseguiu fazer é elevar o nível das ameaças do MCU, mostrando a verdadeira grandiosidade dos Celestiais. As cenas pós-créditos são boas o suficiente para nos deixar ansiosos com os próximos passos desse núcleo, mas é inegável que o primeiro longa do grupo não consegue entregar o mesmo nível de outras obras da Marvel Studios.

Eternos
2.5

Comentário do Crítico

Eternos funciona dentro do MCU, estabelecendo um novo nível de ameaça, mas falha ao criar uma conexão entre o público e os personagens. A trama arrastada e o excesso de exposição tornam apenas a última meia hora empolgante.

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