Crítica | Fada Madrinha

Durante todos esses anos, a Disney vem produzindo diversas obras inspiradas em contos de fadas. Entre elas, com princesas que recebem ajuda de suas fadas madrinhas. Portanto, já estava na hora do estúdio fazer um filme onde a ajudante fosse a protagonista. O momento chegou com Fada Madrinha, projeto dirigido por Sharon Maguire e disponível no Disney+ como uma das opções natalinas da plataforma. Aproveitando essa época do ano, pude conferir o longa e posso dizer que ele está no lugar certo.

Na trama, uma jovem e inexperiente fada madrinha chamada Eleanor tenta provar seu valor indo para o mundo real ajudar uma garotinha. Porém, ela descobre que a menina cresceu e se tornou uma mãe solteira com uma vida infeliz. Mesmo assim, Eleanor não desiste e faz de tudo para auxiliá-la com seus poderes.

Logo na cena inicial, o filme se propõe a não ser um conto de fadas comum. Essa não é a primeira vez que a Disney faz isso, tentando fugir da sua fórmula do “felizes para sempre” com uma modernização das histórias clássicas através de elementos da realidade, mostrando que a vida não é um conto de fadas. Porém, o que temos aqui é um sentimento de déjà-vu, com uma proposta que chega a lembrar Encantada, por exemplo.

Assim como no longa de 2007, temos uma personagem de um mundo de fantasia que vem parar no nosso mundo criando um choque cultural, com direito ao uso de animais da floresta como ajudantes em tarefas domésticas e outras repetições de piadas. E por falar no alívio cômico, na maioria das vezes ele vai por um caminho mais bobo, através do humor físico, rendendo momentos de vergonha alheia.

Mesmo que seja tecnicamente competente, como na trilha sonora original e nos efeitos visuais, o maior problema do longa é seu roteiro. Toda a trama já havia sido contada no próprio trailer e a condução da história é extremamente previsível. Isso vai contra a própria premissa da obra, que é fugir de fórmulas já existentes.

Eleanor pode conquistar o público pelo carisma de Jillian Bell, apresentando otimismo e ingenuidade, mas acaba caindo no estereótipo da fada desastrada que já vimos milhares de vezes e aqui não há nada de novo. Já Mackenzie (Isla Fisher) funciona bem como o oposto da protagonista, com uma visão pessimista do mundo. Inclusive, esse contraste é onde o filme mais investe para movimentar a trama. Porém, curiosamente, um dos melhores arcos é a busca da confiança de Jane (Jillian Shea Spaeder), enquanto Mia (Willa Skye) e Paula (Mary Elizabeth Ellis) não têm muito o que fazer.

Fada Madrinha pode ser divertido para alguns e possui uma mensagem bonita sobre o amor, mas não vai além do que já foi feito antes – até mesmo pelo próprio estúdio. Essa poderia ser uma ótima oportunidade das fadas madrinhas terem uma história digna, mas o resultado é decepcionante, carregado de clichês e humor exagerado. O lado bom é que a Disney não precisou investir em um lançamento para o cinema, optando por uma estreia mais comedida no streaming. Para evitar um fracasso de bilheteria, faz sentido que o filme esteja na plataforma.

Fada Madrinha
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Comentário do Crítico

O projeto conta com o padrão Disney de qualidade técnica, incluindo efeitos visuais e trilha sonora original, mas peca pela trama previsível e uma fórmula repetitiva.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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