Crítica | Invasão ao Serviço Secreto

Em 2013, chegou aos cinemas Invasão à Casa Branca, o primeiro filme da franquia Fallen, que tinha como principais elementos o patriotismo americano e uma ação escapista como puro entretenimento. Sua sequência, Invasão à Londres, repete a fórmula do antecessor, mas desta vez em maior escala. Já o terceiro longa aparece para mudar um pouco a dinâmica, apresentando novas ideias e dando mais profundidade ao protagonista, pela primeira vez. Agora, o agente do serviço secreto Mike Banning (Gerard Butler), depois de anos trabalhando como guarda-costas do presidente, é acusado de um atentado contra o mesmo, precisando provar sua inocência e descobrir quem é o verdadeiro culpado.

Enquanto nas produções anteriores ele era retratado como o herói americano que precisava proteger uma das pessoas mais importantes do mundo, aqui há uma tentativa de humanizá-lo, aproximando-o do público. O lado pessoal de Banning, como seu relacionamento com a família e os amigos, ganha mais foco, além de conhecermos seus dramas, incluindo seu automedicamento após uma concussão. Isso ajuda a torná-lo menos idealizado e mais realista, elemento que passava longe na franquia até agora.

O que chama atenção aqui é o lado furtivo do personagem, onde ele precisa colocar em prática tudo que aprendeu para escapar de todos que o perseguem. As cenas de ação são eficientes, criando a tensão que se pede. Também é interessante a forma como elas são sempre colocadas da perspectiva de Banning sensorialmente, ajudando a criar uma maior imersão. Por outro lado, é possível notar muitas conveniências do roteiro, como o protagonista resolvendo conflitos de forma muito fácil. Tudo bem que a ideia é mostrar o quanto ele é experiente e esperto, mas em alguns momentos chega a ficar exagerado.

Entre os coadjuvantes, quem se destaca é Clay Banning (Nick Nolte), representando o veterano de guerra com sequelas do que viveu. Ele traz uma carga dramática bem-vinda e convincente, apesar de não funcionar como alívio cômico, destoando do tom pretendido. Danny Huston interpreta o típico vilão ganancioso e superficial. Neste caso, ele ainda é prejudicado pela obviedade do roteiro, que tenta fazer um mistério sobre seu papel, claramente explícito desde sua escalação. Allan Trumbull (Morgan Freeman), agora Presidente dos EUA, fica ausente durante boa parte da trama, mas sempre rouba a cena quando aparece graças ao talento do ator. Já Leah Banning (agora interpretada por Piper Perabo), ainda não tem muito o que fazer.

Tecnicamente, o CGI funciona, como na sequência do ataque de drones. Entretanto, em outras há problemas com excesso de tela verde, que fica muito aparente. Visualmente, é o representante da franquia que mais se arrisca em trazer uma fotografia diferenciada, apresentando algumas ideias atraentes, como o contraste do azul noturno com o vermelho das explosões. Já a trilha sonora tem um uso emocional importante, principalmente na criação de tensão e suspense. Sua ausência também é usada de maneira eficiente para enfatizar diálogos.

Mesmo que a proposta do longa seja trazer algo novo e se diferenciar dos demais, ele não abandona totalmente a fórmula antiga de “presidente em perigo”. Quando o ritmo começa a ficar cansativo, esse recurso é utilizado para dar mais fôlego e voltar a empolgar. Como nos anteriores, aqui também estão presentes comentários políticos e conflitos internacionais de maneira bem patriota. Por outro lado, é um dos que mais trabalha com a área cinzenta entre vilões e mocinhos, mostrando que eles existem dos dois lados.

Invasão ao Serviço Secreto é corajoso em se arriscar e trazer uma nova dinâmica para a trilogia, apesar de não entrar totalmente de cabeça na ideia. Como filme de ação, ele faz um ótimo trabalho em entreter, agradando aos fãs do gênero e das produções anteriores. Fica o questionamento para onde a franquia ainda pode ir.

Invasão ao Serviço Secreto
3.5

Comentário do Crítico

A franquia consegue fugir da fórmula e se reinventar, apostando no drama de seus personagens. Como filme de ação escapista, ele entrega ótimas sequências de ação, incluindo muita tensão e suspense.

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