Crítica | It – A Coisa encontra a dose perfeita entre terror e diversão

Por se tratar de uma adaptação da obra de Stephen King, It – A Coisa tinha como desafio estar a altura do material original. Cá entre nós, esta não é uma tarefa fácil, inclusive se levarmos em conta que o filme se trata de um remake da versão dos anos 90, que já era bastante aterrorizante. Felizmente ele consegue não só superar o clássico, como também ser surpreendentemente divertido.

Para começar, precisamos esclarecer sobre Pennywise. Se você já tinha medo da versão de Tim Curry, Bill Skarsgard consegue ser ainda mais macabro. A ideia de transformar um palhaço, que deveria ser uma figura para alegrar as crianças, em algo assustador é muito boa. É claro que existem pessoas com fobia deles, mas aqui o nível é extrapolado. Pennywise é excêntrico, manipulador e uma ameaça em potencial.

É interessante como o personagem consegue prender nossa atenção pelo seu olhar estrábico e brilhante, que já revela muito da sua intenção assassina. A forma como ele se movimenta freneticamente e a maneira como surge na tela ainda dão um toque a mais para o palhaço dançarino. E é claro que não podemos esquecer dos balões, que funcionam como uma espécie de mau agouro para suas vítimas, antecipando sua presença.

Todos esses elementos reunidos, além da própria caracterização e maquiagem, tornam Pennywise um dos seres mais aterrorizantes dos filmes do gênero. Mas nada disso funcionaria se não fosse pela sua justificativa, e neste caso está intimamente ligada aos medos. É aí que entram nossos protagonistas do Clube dos Perdedores.

O elenco infantil está ótimo em termos de atuação, principalmente pela naturalidade das suas emoções. Não só nas cenas em que estão com medo, mas a interação entre eles também acontece de forma bem natural, sem falar no carisma de cada um. O longa nos dá tempo suficiente para construir a amizade do grupo, para só depois enfrentarem o vilão da história. O público torce a todo momento por eles, pois se identifica, não só com suas fobias, mas também com os dramas juvenis apresentados.

O destaque do Clube fica por conta de Finn Wolfhard (Stranger Things). Ele é o personagem mais divertido do elenco, e 95% das suas piadas funcionam, se tornando um ótimo alívio cômico. É interessante como um filme de terror pode também ser engraçado, já que os dois gêneros normalmente são vistos como opostos. Na verdade, eu diria que um sentimento ajuda o outro, cativando o público gradativamente.

A reconstituição dos anos 80 também é algo muito bem construído. Ela vai desde os posters da época até a cidade em si, que conhecemos bastante a partir das crianças. Assim como todo filme de terror, o som também é algo bem presente. Ele não abusa dos jumpscares para nos assustar, mas são ótimos para criar uma boa atmosfera e suspense nas cenas.

Algo que também funciona bem é o CGI dos monstros, que são feitos com muita segurança. Eles não ficam escondidos ou desfocados como normalmente acontece, e a fotografia também ajuda bastante nesse sentido. Aqui eles estão presentes a todo momento como uma ameaça real, mesmo que nenhum deles exista. Por outro lado, o filme também nos passa uma mensagem de que existem monstros na vida real, seja um valentão que comete bullying ou até uma figura familiar.

Os fãs de Stranger Things também devem ficar muito satisfeitos com o resultado que verão no cinema. O filme e a série têm muita coisa em comum, principalmente porque a produção da Netflix foi influenciada pela obra de Stephen King. Temos um menino desaparecido, anos 80 como plano de fundo, uma única garota no grupo, crianças tentando resolver um mistério, dramas familiares, entre outros pontos parecidos.

Se você quer ir ao cinema apenas para levar susto, It – A Coisa oferece muito mais do que isso. O filme não quer só te fazer sentir medo, mas despertar também outros sentimentos. Seu maior acerto está na forma como consegue passar para o público o que os personagens sentem, como se fizéssemos parte do Clube dos Perdedores.

Nota: 5 vagões – Excelente

It - A Coisa
5

Comentário do Crítico

A história de Stephen King recebeu uma ótima adaptação, transitando com maestria entre momentos de terror e diversão. O destaque fica por conta de Pennywise e o Clube dos Perdedores, na sua intensa batalha constante contra o medo.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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