Crítica | Live-action de Fullmetal Alchemist é decepcionante

Em 2017, fomos surpreendidos com o lançamento do filme live-action de Fullmetal Alchemist. Pelos trailers, parecia que teríamos uma história fiel, visuais realísticos, um uso de CGI decente e muitas cenas de ação. Um ano depois, a Netflix decide investir pesado na franquia, trazendo as duas séries animadas – Fullmetal Alchemist e Fullmetal Alchemist Brotherhood – para então lançar o tão comentando filme live-action. Infelizmente, ele é bem inferior ao material original.

É importante destacar que um filme japonês é totalmente diferente de uma animação japonesa, e que adaptar um anime é algo bem complicado. Além disso, a história de Fullmetal Alchemist é longa demais para ser contada em duas horas, portanto, era certo de que haveria adaptações da trama e omissões de acontecimentos e personagens.

É evidente que o filme conta com problemas no uso de CGI, que em nenhum momento aparenta ser real. Todos os elementos de alquimia – como na sequência da perseguição no início do filme – são nitidamente falsos, com uma tecnologia que seria aceitável 20 anos atrás. O mesmo acontece com seus personagens criados digitalmente, como o exército de homúnculos da sequência final. Em alguns momentos, parece que estamos assistindo a uma cut scene de um videogame e não um filme com atores reais. Uma das poucas exceções é a armadura de Alphonse Elric, que é bem fiel ao anime e parece realística.

Em relação a atuação, os atores ficam no meio do caminho entre imitar um personagem de um anime ou tentar parecer uma pessoa de verdade. Enquanto Edward Elric (Ryosuke Yamada) conta com poucas expressões, Winry Rockbell (Tsubasa Honda) chega a ser caricata, o que atrapalha a interação entre os dois. Além disso, os vilões não poderiam ser mais superficiais e genéricos, com planos megalomaníacos de dominação do mundo e ações injustificáveis que ajudam os protagonistas.

O principal inimigo do filme é seu próprio roteiro, que faz uma boa adaptação dos primeiros episódios do anime, mas depois decide contar muita coisa ao mesmo tempo, resultando em plot-twists sem peso narrativo e personagens rasos. Apesar do filme ter duas horas de duração, não há tempo de explorar nem mesmo o que ele se propõe a falar.

A melhor coisa do live-action de Fullmetal Alchemist é sua dublagem em PT-BR. Ela é muito bem-vinda como fator nostálgico por trazer todos os dubladores originais da animação. Além disso, eles conseguem resgatar traços de personalidade presentes no anime e que provavelmente não seriam notadas com o áudio original do filme.

Ainda vale destacar o figurino do exército e do próprio protagonista, que, assim como a armadura de Alphonse, são fieis ao conteúdo original e passam a ideia de como seria o mundo de Fullmetal Alchemist na vida real.

Assistir a este live-action é uma péssima opção para quem não conhece o anime, assim como não funciona para quem é fã da animação. Não é a primeira vez que o Japão errou em um filme com atores reais e não será a última. Talvez os animes não tenham sido feitos para isso, ou ainda não aprendemos como fazer da forma correta. Fullmetal Alchemist é apenas mais uma tentativa que infelizmente não funciona.

Fullmetal Alchemist
1.5

Comentáro do Crítico

O live-action de Fullmetal Alchemist sofre com o uso de computação gráfica exagerado e de baixa qualidade e se atropela ao contar uma história longa em apenas duas horas.

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