Crítica | Monster Hunter

A franquia de jogos Monster Hunter, da Capcom, é um enorme sucesso. Com 17 anos de existência e dezenas de títulos lançados, a ideia de colocar o jogador na pele de um caçador de monstros conquistou o público e a crítica, principalmente com o recente Monster Hunter: World. Era questão de tempo até que Hollywood demonstrasse interesse pela obra para desenvolver uma adaptação para os cinemas, e ela acabou caindo nas mãos de Paul W.S. Anderson. No início, houve um certo receio por parte dos fãs, já que o diretor é conhecido pela franquia Resident Evil e não se importou com fidelidade. As coisas ficaram ainda mais preocupantes com o surgimento das primeiras imagens e a sinopse oficial, onde a Tenente Artemis e seus soldados são transportados para outro mundo e precisam enfrentar criaturas enormes e poderosas para sobreviver. Porém, não podemos julgar um livro pela capa e, agora que finalmente assisti ao longa, posso comentar as minhas impressões sobre a obra.

Levando em conta que a história é sobre pessoas caçando monstros, a produção realmente foca nisso, deixando a construção de mundo, a mitologia e os personagens em segundo plano, com explicações bem rasas. Para os fãs da franquia, as armas e os monstros estão bem representados e com visual muito fiel, com destaque para Diablos e Rathalos, além de Nerscylla, Apceros, Meowscular Chef e Gore Magala. Com centenas de criaturas nos jogos, ter apenas seis na adaptação para os cinemas parece pouco – e realmente é – principalmente pela decisão de focar mais em uns do que outros. Mas esse é o menor dos problemas.

A maior crítica não fica para a adaptação do material do jogo, mas sim para a direção e montagem. O primeiro ato é o mais problemático, onde somos apresentados aos soldados e à Tenente Artemis. O filme aposta em sequências de ação grandiosas e um ritmo frenético, mas que são vazios de sentimento. Em nenhum momento existe a preocupação em nos importamos com os personagens, além das coisas acontecerem muito rápido. A direção da ação – seja contra monstros ou combate corpo a corpo – é toda picotada, dificultando o entendimento do que é mostrado em tela, além do excesso do uso de slow e fast motion.

Milla Jovovich vive uma personagem badass sem muito pano de fundo e que conta com bastante ajuda do roteiro pra superar os desafios. Tony Jaa representa o lado nativo, sendo responsável por apresentar o Novo Mundo e trazendo mais estratégia para os combates, mas é prejudicado por alívios cômicos insistentes nas cenas de interação. Apesar de aparecer pouco, o personagem de Ron Perlman se destaca pelo seu visual, que parece ter saído direto de um jogo de videogame. Já a atriz brasileira Nanda Costa, infelizmente, não tem muito o que fazer em seu pouquíssimo tempo de tela.

O último ato é um dos poucos que são satisfatórios na ação, sendo a batalha contra Rathalos uma das coisas mais empolgantes do longa. Por outro lado, o filme termina sem uma conclusão e com um gancho para uma possível sequência, o que pode decepcionar os fãs. Afinal, depois do que é mostrado aqui, não há motivos suficientes para garantir que a sequência será melhor.

Monster Hunter não está preocupado com sua história, e sim em entregar batalhas épicas entre humanos e criaturas gigantes, sendo prejudicado pela direção apressada e pela montagem desastrosa. No fim, temos um filme que não tem o que dizer, não sabe para onde ir e onde pouca coisa é aproveitada. Com muito esforço, pode servir como diversão escapista, mas até nisso poderia ser melhor.

Monster Hunter está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Monster Hunter
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Comentário do Crítico

A produção não se preocupa em contar uma história ou criar personagens cativantes, focando apenas em batalhas grandiosas prejudicadas pela direção e montagem.

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