Crítica | Mudo complica uma história simples por falta de foco narrativo

Depois de The Cloverfield Paradox não ter sido bem recebido pela crítica, mais uma produção original Netflix vem sendo criticada após seu lançamento. O mais novo filme adicionado ao catálogo do serviço de streaming é Mudo, dirigido por Duncan Jones (Warcraft Lunar). Com abertura de 8% de aprovação no Rotten Tomatoes, decidi tentar entender quais são os problemas do longa e descobrir se é tão ruim quanto as pessoas estão dizendo.

A história gira em torno de Leo Beiler (Alexander Skarsgard), um homem que perdeu a capacidade de falar após um acidente de barco na infância. Atualmente, ele trabalha como barman e namora Naadirah (Seyneb Saleh), mas um certo dia ela desaparece misteriosamente e ele precisa encontrá-la a qualquer custo.

O filme tem como plano de fundo uma Berlim futurista, mais precisamente no ano de 2052. Apesar do visual repleto de neon e avançado tecnologicamente, algumas das ambientações conta com uma característica que remete aos tempos atuais. Ele não chega a ser considerado cyberpunk, se encaixando no gênero noir sci-fi.

O protagonista é vivido pelo premiado Alexander Skarsgard (Big Little Lies), que tem a difícil missão de passar tudo que seu personagem sente sem dizer uma palavra. O ator consegue expor veracidade em suas emoções em momentos de explosão, como raiva e desespero, onde a ausência de som impacta o público. O problema é que isso acontece poucas vezes durante todo o filme.

Outra questão que poderia ser melhor resolvida é a relação entre Leo e Naadirah. Não dá tempo de sentir empatia pelo casal ou torcer pelos dois, pois logo no início eles já são separados. Por conta disso, a determinação do protagonista em encontrar sua amada não tem o peso que deveria ter. Isso se torna ainda mais problemático pelo roteiro do filme, que não segue um foco narrativo.

Por outro lado, uma relação bem resolvida é entre o protagonista e a água. Seu acidente aconteceu no mar, e ele tem uma ligação íntima com isso. A respiração do personagem é algo muito bem trabalhado por Skarsgard, dando uma importância maior para as cenas em que ele nada ou simplesmente bebe um copo d’água. Esses momentos funcionam como um tipo de terapia para aumentar sua concentração. Isso também expressa a personalidade metódica do protagonista.

A dupla antagonista são os criminosos Cactus e Duck, vividos por Paul Rudd (Homem-Formiga) e Justin Theroux (A Garota no Trem e Zoolander). De um lado, Rudd consegue trazer humanidade para seu personagem através da relação com sua filha, mas não deixa de ser um vilão prepotente e arrogante. Do outro, temos um cirurgião pedófilo que ajuda Cactus a cometer fraudes.

O longa intercala entre o desenvolvimento destes antagonistas e a busca do protagonista, mas em alguns momentos ele acaba dando destaque para momentos sem importância ou simplesmente perde muito tempo em coisas que poderiam ser resolvidas mais rápidas. A história que o filme quer contar não é complicada, mas ele dá muitas voltas. Por conta disso, suas 2h 6m apenas servem para deixá-lo chato e cansativo.

Se por um lado Mute é bem resolvido com seus efeitos visuais, passando o realismo necessário – como nas sequências cirúrgicas – seu maior problema é o roteiro. Ele poderia ser um filme simples sobre um homem que busca a mulher que ama, mas acaba deixando as coisas confusas, sem se preocupar com o essencial: a motivação de seu protagonista. Se você procura um bom filme sobre um personagem mudo, A Forma da Água é uma opção bem melhor.

Mudo
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Comentário do Crítico

Mute é um filme que deveria ser simples, mas acaba se complicando pelo roteiro. Ele deixa de lado pontos importantes da trama e se alonga em momentos que não mereciam tanta atenção.

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