Crítica | Mulher-Maravilha 1984 (Sem spoilers)

Depois de roubar a cena em Batman vs Superman, a Mulher-Maravilha de Gal Gadot ganhou seu primeiro filme solo em 2017, explorando a primeira aparição da personagem no nosso mundo de forma competente. Agora, em 2020, mesmo com diversos adiamentos por conta da pandemia de COVID-19, o longa ainda manteve seu lançamento nos cinemas, mas o resultado não foi tão satisfatório quanto esperávamos.

Assim como o título já adianta, o projeto não só se passa nos anos 1980, como o roteiro de Patty Jenkins e Geoff Johns parece ter sido feito nesse período. Na trama, uma pedra misteriosa é responsável por realizar o desejo das pessoas, gerando consequências catastróficas em escala mundial. Apesar de simples e já vista outras vezes, a premissa possui algumas falhas e incoerências durante sua condução, sendo talvez a maior delas a própria resolução do conflito, se apoiando em facilitações narrativas.

Além do roteiro, a estética também abraça o visual oitentista, trazendo referências no figurino e na ambientação, incluindo uma fotografia com cores mais saturadas. Logo no começo, há uma sequência no shopping que possui uma ação mais artificial e “brega”, com uma violência contida, e essa decisão criativa se mantém durante toda a produção.

Com 2h30 de duração, o longa não chega a ser arrastado, pois a trama está sempre em movimento, mas é prejudicado pela edição, que perde tempo em momentos desnecessários e ainda deixa pontas soltas. Aqui há pelo menos três ótimas sequências de ação, onde vemos a protagonista usar o laço da verdade de maneira mais inventiva do que no primeiro filme, mas os confrontos ainda deixam a desejar.

Gal Gadot está ótima como Diana Prince, entregando os valores que a personagem representa e injetando uma dose de humanidade cativante. Seu uniforme tradicional recebeu cores mais vibrantes e a armadura dourada é belíssima visualmente, além de ser funcional, porém, é uma pena que apareça tão pouco. Também destaco a versão mais jovem da Mulher-Maravilha, interpretada por Lilly Aspell na sequência inicial. Apesar de rápida, sua participação é uma das melhores coisas do longa, mostrando que, definitivamente, precisamos de um filme das Amazonas, ambientado em Themyscira.

Infelizmente, Steve Trevor (Chris Pine) é um dos pontos negativos da trama. O personagem retorna de uma forma incoerente e desnecessária, sem acrescentar muito à trama, além do alívio cômico pelo choque cultural. Basicamente, ele faz o mesmo papel da Diana no primeiro filme, só que de maneira mais infantilizada e boba. Barbara Minerva (Kristen Wiig) convence como a nerd desastrada, além de ser interessante ver sua transformação durante a trama para uma pessoa mais segura e confiante. É uma pena que sua versão como Mulher-Leopardo seja subutilizada e a personagem não receba nem mesmo um desfecho. Já Maxwell Lord (Pedro Pascal) é caricato e exagerado, apesar de seu arco dramático funcionar.

Mulher-Maravilha 1984 é um retrocesso ao que foi feito em 2017. A produção possui uma mensagem bonita e importante, que é ainda mais emocionate graças à trilha sonora de Hans Zimmer, mas sua condução é previsível e possui problemas narrativos. O filme está longe de ser ruim, mas levando em conta a expectativa criada para a sequência e todo o potencial que poderia ser alcançado, o resultado é decepcionante.

Mulher-Maravilha 1984
3

Comentário do Crítico

Mesmo com uma bela mensagem, o filme é prejudicado pela sua condução, com facilitações narrativas e um desperdício de potencial.

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