Crítica | Mundo em Caos

Desde que teve seu primeiro trailer divulgado, Mundo em Caos me chamou bastante atenção, não só pelo elenco estrelado, incluindo Daisy Ridley e Tom Holland, mas principalmente pelo conceito. O projeto é baseado no livro O Motivo, de Patrick Ness, que aqui atua como roteirista ao lado de Christopher Ford. Na obra, que se passa em um futuro distante, os homens são afligidos por um fenômeno chamado “ruído”, onde todos os seus pensamentos são expostos para as outras pessoas. Vivendo em um novo mundo, as mulheres foram extintas e a chegada de Viola ao planeta coloca sua vida em risco.

Tenho que começar essa crítica falando da coisa mais legal do filme, que é o “ruído”. Histórias sobre pessoas que possuem a capacidade de ler mentes já foram amplamente exploradas, mas nunca tinha visto nada como o que é mostrado aqui. Conforme assistia ao longa, ia cada vez mais me surpreendendo com o uso dessa habilidade, onde tudo foi pensado nos mínimos detalhes. Por exemplo, os pensamentos não são apenas palavras, podendo ser expostos visualmente, incluindo em sonhos, assim como usados para criar ilusões e resgatar memórias. Isso resulta em cenas divertidas de interação entre os personagens e como fio condutor para desenvolver a trama. Em um certo momento, é até possível notar um cansaço do uso desse recurso, mas acredito que isso também seja proposital para que o público se coloque no lugar dos personagens, que precisam conviver com isso. Também imagino o trabalho que deve ter sido para a equipe de pós-produção, já que os efeitos visuais do ruído estão presentes em, praticamente, todas as cenas.

Dito isso, o filme conta com muitos problemas, como a direção de Doug Liman, que não sabe para onde ir. A produção contou com muitas adversidades nos bastidores, passando por refilmagens e versões que não foram bem recebidas ainda na exibição de teste. O desenvolvimento da trama é um pouco lento e a ambientação é bastante contida e repetitiva, mas o maior problema está nos personagens.

Todd (Tom Holland) e Viola (Daisy Ridley) são os mais bem trabalhados, já que são os protagonistas, e a obra aposta completamente na dinâmica deles. Um ponto interessante da relação entre os dois são as reações, pois Todd nunca havia visto uma garota antes, enquanto Viola nunca havia estado naquele planeta. Outro destaque é a constante ameaça do Prefeito Prentiss (Mads Mikkelsen), que não só tem muita presença em cena, como também é muito intimidador. Agora, todo o resto do elenco é muito mal trabalhado. Por exemplo, em um momento nem me lembrava que Nick Jonas estava no filme de tão descartável que o seu personagem é. Além disso, todos os outros que pareciam ser minimamente interessantes, como Hildy (Cynthia Erivo), não possuem profundidade. O roteiro também não se ajuda pela trama quase telegrafada e a dificuldade em criar conexões entre os personagens e com o público.

Mundo em Caos entra para a lista de decepções desse ano, pois o projeto parecia ter muito potencial. Além do conceito do “ruído”, há uma crítica social que deixa a sensação de que poderia ter sido melhor trabalhada. Com isso, se você gostou da história e quer ver um melhor desenvolvimento, o jeito é ficar com a obra original.

Mundo em Caos está em cartaz nos cinemas.

Mundo em Caos
2.5

Comentário do Crítico

Apesar do elenco estrelado e um conceito original e interessante, a execução de Mundo em Caos fica muito a desejar, com personagens rasos e uma trama previsível.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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