Crítica | Não Olhe Para Cima

Hollywood adora filmes de catástrofe. É muito comum vermos produções americanas grandiosas onde o mundo pode acabar por conta de uma ameaça iminente, com foco em mostrar essa destruição. E aí temos Não Olhe Para Cima, que pretende ser uma sátira desse tipo de obra, só que está mais preocupado em fazer uma crítica social sobre como a humanidade reagiria a um evento dessa magnitude, incluindo o ponto de vista científico, a cobertura midiática e o embate político.

O projeto é escrito e dirigido por Adam McKay, que recebeu críticas mistas em seu último longa, Vice, e deve acontecer o mesmo aqui. Quem conhece o cineasta já está familiarizado com seu estilo, incluindo o texto irônico, personagens satíricos e inserções narrativas, portanto, se gostou dos seus trabalhos anteriores pode também gostar deste. Um dos problemas fica para o fato de que, mesmo abordando um evento de nível mundial, temos apenas a perspectiva dos EUA, como se fossem o centro do mundo.

O elenco é repleto de astros de Hollywood, onde a maioria dos personagens funciona e estão muito divertidos. Destaco a dupla Dr. Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) e Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence), que descobrem um cometa prestes a se chocar com a Terra e tentam impedir a catástrofe. Os dois são os que mais tratam o tema com seriedade, onde Randall possui uma linguagem mais acadêmica e conta com muito nervosismo para falar com a mídia, enquanto Kate é quem mais sofre emocionalmente com a situação e é mais explosiva. A dinâmica funciona muito bem, principalmente por serem pessoas bem diferentes e ainda evoluírem conforme a trama avança.

A Presidente Orlean (Meryl Streep) e seu filho Jason (Jonah Hill) representam um governo que está mais preocupado com se manter no poder do que com a população e, mesmo sendo caricatos, é possível traçar paralelos com a realidade. Já Brie (Cate Blanchett) e Jack (Tyler Perry) possuem uma ótima química como apresentadores de um programa de TV para retratar a mídia que está mais preocupada com a audiência do que com a verdade. Também me surpreendi positivamente com as participações de Ariana Grande como Riley Bina – que basicamente interpreta ela mesma – além de Timothée Chalamet com Yule, um personagem bem diferente do que ele costuma fazer.

Com mais de duas horas de duração, Não Olhe Para Cima nunca fica cansativo, pois está sempre apresentando novos elementos e fazendo a história andar. O ritmo é dinâmico e nunca fica claro se o mundo vai realmente acabar ou não, deixando aquela curiosidade sobre o que vai acontecer em seguida e como vão resolver o problema.

Fiquei muito feliz em ver como o longa é atual e trata de assuntos que estão em evidência, semelhante ao que Borat: Fita de Cinema Seguinte fez em 2020, sendo uma ótima forma de fechar o ano. Além da repercussão da mídia, redes sociais e memes, é impossível não fazer um paralelo com a forma como os países estão lidando com o COVID-19. Tanto na ficção quanto na realidade, temos a presença de teorias da conspiração, a politização da ciência, grupos anticiência e embates geracionais. Mesmo sendo uma comédia, o filme nos faz refletir sobre a sociedade, pois não conseguimos nos unir e deixar as diferenças de lado nem mesmo contra um inimigo em comum.

Não Olhe Para Cima
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Comentário do Crítico

A obra funciona como uma sátira de filmes de catástrofe, fazendo uma crítica sobre a sociedade atual através de personagens caricatos e um roteiro ácido que, infelizmente, estão próximos da realidade.

Sobre o Autor /

Estudante de Publicidade, redator do Anime21, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype

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