Crítica | O Homem das Cavernas vai ter que se contentar com o bronze

O mês de abril traz de volta às telonas um filme do famoso diretor Nick Park, O Homem das Cavernas. Consagrado por seu estilo de animação em stopmotion e grandes sucessos como A Fuga das Galinhas e Wallace and Gromit: A Batalha dos Vegetais, o diretor volta com mais um filme humorístico voltado para o público infantil, mas dessa vez é apenas isso.

O longa conta a história de uma vila de homens das cavernas que tem suas terras roubadas por uma civilização mais avançada, o povo do bronze, já que debaixo delas existia uma grande quantidade de minérios e metais preciosos. Expulso de seu lar, um jovem da tribo, Doug (Eddie Redmayne em inglês e Marco Luque em português), resolve enfrentar o povo do bronze para salvar sua tribo e reaver sua morada. A trama parece interessante, até descobrirmos que todos os conflitos são resolvidos por meio de partidas de futebol.

Diferente de outros sucessos do diretor, este filme não se preocupa em se aprofundar em seu tema, tomando um rumo mais leve e, por consequência, desinteressante. A crítica à colonização de povos, a ganância de líderes tirânicos, o descaso com a natureza, todos esses aspectos estão presentes no longa, mas não são devidamente abordados, deixando a sensação de que algo podia ser feito, mas não é.

O humor é fraco, se comparado com outras obras de Nick, focando-se apenas no público infantil. A junção da idade da pedra e do futebol, além de não fazer sentido, se apresenta como algo cômico, uma piada que dura o filme inteiro, também voltada para as crianças.

O roteiro é bem escrito, mas perde seu ritmo no segundo ato do filme e só é retomado na disputa final entre o protagonista e o vilão. Essa queda no andamento da história deixa o longa um tanto maçante, principalmente para pessoas mais velhas. O Homem das Cavernas também trabalha com clichês de filmes de esporte, como o treinador que vem salvar o time ou a chantagem dos adversários com promessas de riquezas ou privilégios.

A animação, como é de se esperar, está melhor do que nunca. A técnica de claymation (animação de stopmotion com massinha) e o estilo característico do diretor foram aperfeiçoados e trazem um sentimento de nostalgia para os fãs da arte de Nick. Além disso, outras técnicas de animação, como efeitos especiais para alguns trechos do filme, se mostram mais presentes do que em outras obras, mas não tiram a importância do stopmotion.

A trilha sonora segue um estilo de música tribal, complementando o ar de pré-história da trama, o que destoa um pouco com a pegada esportiva da obra. Como o foco do longa é a animação em si, a música não tem tanta importância, servindo apenas como pano de fundo e não tem nenhuma melodia memorável.

A dublagem é, depois da animação, um dos pontos mais altos do filme. Enquanto a original conta com grandes nomes como Tom Hiddleston, Maisie Williams e Timothy Spall, a dublagem brasileira conta com Márcio Simões (como Lodre Nufi), Evie Saide (como Guna) e direção de dublagem de Manolo Rey.

O Homem das Cavernas é uma boa e divertida comédia infantil, mas não muito interessante para um público mais velho. Se comparado a outros filmes do mesmo diretor, veremos que este é bem mais fraco e genérico. Mesmo com uma boa animação, a obra não sustenta seu legado, quebrando a expectativa do público que gosta dos trabalhos de Nick Park.

O Homem das Cavernas
2.5

Comentário do Crítico

O Homem das Cavernas chama a atenção pelo seu estilo e fama de seu diretor, mas se perde na trama e falha ao criar um a experiência marcante como seus antecessores, mostrando que nem toda obra pode viver do passado.

  • Oscar 2019 | Confira os 25 pré-indicados na categoria de Melhor Animação | Trem do Hype
    4 anos ago

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