Crítica | O Menino Que Queria Ser Rei

A história do Rei Arthur já foi contada várias vezes nos cinemas e de diversas maneiras diferentes, mas Hollywood sempre encontra um jeito de recontá-la de outras perspectivas e para outros públicos. Esse é o caso de O Menino Que Queria Ser Rei, que adota uma abordagem infantil e se diferencia por ser ambientado nos dias atuais.

Na trama, acompanhamos Alex Elliot (Louis Ashbourne Serkis), um garoto de 12 anos que encontra a espada Excalibur enquanto fugia de dois valentões no colégio. Agora ele precisa reunir aliados e aprender a ser um cavaleiro para deter a Bruxa Morgana (Rebecca Ferguson).

A história é introduzida a partir da animação de um livro ilustrado sobre o Rei Arthur. Mesmo sendo uma história muito conhecida, ela é contada de forma cativante e inspiradora, como se fosse para crianças. E o mais importante: vários pontos que o livro aborda são vividos pelo nosso protagonista, que segue os passos do Rei Arthur, tornando o objeto um elemento importante para a condução do filme.

Mesmo sendo um longa infantil, ele se preocupa em mostrar que a vida não é um conto de fadas. O próprio protagonista conta com problemas na escola e precisa lidar com valentões, sendo repreendido mesmo tentando fazer a coisa certa. Além disso, o motivo para Morgana retornar, segundo a trama, é o crescimento de líderes tiranos e ditadores no poder, o que se relaciona ao momento político internacional que vivemos.

Graças aos seus problemas pessoais, Alex é um protagonista com o qual podemos nos identificar, sendo mais fácil gerar empatia. Suas reações condizem com os acontecimentos bizarros que ele passa e sua motivação também é convincente, contando com um belo twist no último ato. Vale também destacar a presença da mãe (Denise Gough) que conta com grande importância emocional para o protagonista e demonstra um carinho genuíno pelo filho.

Um dos alívios cômicos é seu melhor amigo, Bedders (Dean Chaumoo), responsável por trazer referências da cultura pop e conhecido pela sua personalidade ingênua. Quem completa a Távola Redonda são Lance (Tom Taylor) e Kaye (Rhianna Dorris) que começam como antagonistas, mas contam com um arco de desenvolvimento satisfatório envolvendo maturidade.

Porém, um dos principais destaques do elenco é o jovem Merlin (Angus Imrie). Ele ainda conta com a sabedoria do famoso mago, mas está em uma sociedade muito diferente da que está acostumado, resultando em um choque de cultura muito divertido. Já sua versão adulta é vivida por Patrick Stewart, que infelizmente conta com pouco tempo em tela, apesar de marcante.

Quem também tem pouca presença é a vilã Morgana, que recebe pouco desenvolvimento na trama e não representa o senso de perigo que um antagonista deveria ter. Ela pode ser resumida a uma vilã genérica que quer muito uma coisa, mas acaba não conseguindo. Porém, boa parte do filme ela está “adormecida” sob a superfície, e existe um excelente trabalho de criação de atmosfera sonora para o ambiente onde ela vivia. Isso fica ainda mais evidente quando assistido em uma sala de cinema.

Levando em conta seu público-alvo, muitos conceitos apresentados aqui são ditos e mostrados diversas vezes, se tornando expositivos e repetitivos demais. Por conta disso, o filme gasta boa parte de seu tempo se explicando sobre coisas que já estão claras. O problema da repetição também pode ser notado nos confrontos dos nossos protagonistas contra os cavaleiros enviados por Morgana. Nas primeiras vezes é divertido de acompanhar, apresentando um trabalho de computação gráfica convincente e sequências de ação empolgantes, mas com o tempo se torna tedioso, apesar do conceito interessante.

Um dos problemas do longa está em se estender demais, principalmente na sequência final, o que pode ser um problema levando em conta que é um filme para crianças. Seu ritmo, que conta com altos e baixos, também pode ser outro desafio para o público.

A partir do momento em que O Menino Que Queria Ser Rei se assume como um filme infantil, ele deixa de lado a veracidade que precisa para atingir diferentes públicos. Por exemplo, incomoda a ausência de sangue mesmo que os personagens lutem com espadas. Além disso, mesmo após os confrontos, suas armaduras continuam limpas e reluzentes.

O longa conta com um público muito bem definido, mas ainda pode atingir sua criança interior. Ele traz uma aventura divertida e descompromissada sobre uma das lendas mais famosas do mundo de um jeito que você ainda não viu.

O Menino Que Queria Ser Rei
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Comentário do Crítico

O Menino Que Queria Ser Rei apresenta uma nova proposta sobre a história de Rei Arthur, focando em crianças como cavaleiros e ambientada nos dias atuais. Porém, a falta de ritmo, a longa duração e ausência de realismo nas lutas podem atrapalhar sua experiência.

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