Crítica | Os 7 de Chicago

Baseado em uma história real, o drama Os 7 de Chicago, do diretor e roteirista Aaron Sorkin, vinha chamando a atenção antes mesmo do lançamento. Além do talento do cineasta, conhecido por seus diálogos acelerados e longos monólogos, o elenco estrelado também prometia ótimas performances, tornando-se um candidato forte entre as produções da Netflix que poderiam aparecer na temporada de premiações. Agora que chegou à plataforma, podemos dizer que a promessa realmente se cumpre, conseguindo traçar paralelos com o mundo atual.

A trama se passa no final dos anos 1960 e acompanha o julgamento de sete pessoas acusadas pelos EUA de conspiração, incitação à rebelião e protestos contraculturais em Chicago. O mais interessante do caso é que ele não teve um processo tranquilo, passando por muitas intrigas e complicações, fazendo com que a história seja atrativa o suficiente para render um bom filme.

Logo no começo, é possível notar um excelente trabalho de edição. Sorkin brinca com os diálogos dos personagens, criando contrastes e complementos por meio de uma montagem dinâmica. Isso ajuda, por exemplo, a apresentar os acusados e os diferentes grupos que representam de maneira efetiva e bem humorada. Outro destaque é o uso de imagens de arquivo, presentes desde a cena inicial e usadas, ao longo da obra, para ilustrar as manifestações e outros eventos. Isso evidencia a qualidade da recriação da época, como figurino, cabelo e maquiagem, além da própria ambientação.

Como drama de tribunal, a produção também funciona muito bem, agradando até os mais leigos. Talvez um dos problemas seja o fato de que há muitas pessoas envolvidas e o espectador tenha que se lembrar de muitos nomes, mas há uma preocupação em explicar o que está acontecendo e quem são os envolvidos, incluindo através dos enquadramentos. Ao mesmo tempo, a condução é feita com um bom ritmo, sempre introduzindo novos elementos, apresentando flashbacks e até mesmo quebrando o clima tenso e dramático com um humor pontual.

Todo o elenco está muito bem e a escolha para cada personagem se encaixa perfeitamente. Destaco Sacha Baron Cohen como Abbie Hoffman, que rouba a cena em vários momentos como o alívio cômico, mas também possui importância na narrativa, não se limitando apenas a isso. Eddie Redmayne tem seus momentos como Tom Hayden, principalmente pela intensidade que ele passa. Já Joseph Gordon-Levitt como Richard Schultz é um dos personagens mais interessantes pela situação em que se encontra como advogado de acusação. Yahya Abdul-Mateen II como Bobby Seale e todo o arco envolvendo o movimento dos Panteras Negras são muito bem construídos. As cenas com seu personagem são bem revoltantes, desde a forma como ele é tratado no tribunal até as injustiças que sofre.

E isso nos leva a um dos pontos mais interessantes da obra, que é sua contemporaneidade. Mesmo sendo uma história que aconteceu há 50 anos, ela ainda é muito atual – e preocupante. É um evento que vale a pena ser revisitado e refletido, tendo como foco o público americano. Os 7 de Chicago é um longa que vale conferir, possuindo tantos pontos positivos que é difícil ficar de fora da temporada de premiações.

Os 7 de Chicago
4.5

Comentário do Crítico

A produção conta com uma história atual, um elenco de peso e uma edição eficaz, coordenados pelo ótimo texto e direção do talentoso Aaron Sorkin.

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