Crítica | Os Novos Mutantes

Em 2017 (sim, você não leu errado), a 20th Century Fox – hoje, 20th Century Studios – divulgou o primeiro trailer de Os Novos Mutantes. O projeto tinha uma proposta bem interessante, pois carregava um tom mais sombrio e flertava com o gênero do terror para explorar uma nova equipe de heróis nos cinemas. Por não controlarem seus poderes, precisam passar por um tratamento em um hospital, que acaba se transformando em uma casa mal-assombrada depois que coisas estranhas acontecem. Na época, era impossível não ficar empolgado com o filme, pois traria uma nova visão para o universo dos X-Men, mas o excesso dos adiamentos fez parecer que o longa era apenas um delírio coletivo. Depois de tanto tempo, será que a espera valeu a pena? Infelizmente, não.

Quem estava esperando o prometido filme de terror com mutantes, vai ficar decepcionado. No resultado final, é mantido o clima sombrio e o suspense, mas as cenas de terror não possuem impacto e algumas são até cômicas. Desde o primeiro trailer, muita coisa mudou e é possível perceber que houve problemas nos bastidores da obra. O longa possui apenas 1h30 de duração, mas é extremamente arrastado, com um desenvolvimento monótono, prejudicados pela edição que parece uma colcha de retalhos, incluindo cenas desconexas e mudanças abruptas.

A relação entre os cinco mutantes principais, que deveria ser o coração do projeto, também é outro problema. Separados, há um trabalho interessante em desenvolver os traumas de cada um, porém, com exceção da relação entre Rahne (Maisie Williams) e Dani (Blu Hunt), nunca os vemos como uma equipe de fato, com uma interação instável e conflitos desnecessários. Além disso, todos têm seus poderes subutilizados, até mesmo Dani, que, teoricamente, é a mutante mais poderosa. Para não ser injusto, Illyana é a que mais convence dramaticamente graças à atuação de Anya Taylor-Joy.

No último ato, o longa passa a investir um pouco mais na ação, mas o resultado também não é dos melhores. A luta final é confusa e mal dirigida, enquanto o CGI só aparece em sequências escuras para não percebemos o quão ruim ele é. Uma das poucas coisas boas que vemos é o visual final de Roberto (Henry Zaga), inspirado na versão dos quadrinhos de maneira bem competente. É uma pena que não apareça tanto.

Pelo que é apresentado nesse longa, parece que a intenção do diretor Josh Boone era introduzir os personagens para continuar a história em outras sequências. Como o início de uma possível franquia, há elementos interessantes, incluindo o fato dele ser ambientado no universo dos mutantes já estabelecido e a presença da Essex Corp. Porém, nunca veremos a conclusão dessa saga.

Os Novos Mutantes é bastante decepcionante. Havia um potencial grande para a introdução do grupo nos cinemas, mas os problemas de produção ficam evidentes e não há motivos suficientes para nos preocuparmos com os heróis ou torcermos por eles. É uma pena que o universo cinematográfico dos X-Men tenha um desfecho tão fraco.

Os Novos Mutantes
1.5

Comentário do Crítico

O longa surgiu com bastante potencial e uma premissa interessante, mas o resultado é uma trama arrastada, com falta de carisma e um desenvolvimento instável.

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