Crítica | Raya e o Último Dragão

As produções da Walt Disney Animation Studios sempre tiveram grande foco em princesas de contos de fadas, começando com A Branca de Neve e os Sete Anões. Com o tempo, essas personagens foram modernizadas, transformando-as em guerreiras e tornando-as mais independentes, como em Frozen, Moana e agora com Raya e o Último Dragão. Essa última, com uma história ambientada pela primeira vez no sudeste asiático. A mais recente animação da Disney não tem apenas a representatividade como chamariz, destacando-se também pela construção de mundo, um visual belíssimo e uma mensagem importante.

O projeto é dirigido por Don Hall e Carlos López Estrada, com roteiro do vietnamita Qui Nguyen e da malaia Adele Lim. Baseada em contos, lendas e culturas do sudeste asiático, a trama começa com a guerreira solitária Raya em um mundo distópico, procurando pelo último dragão para salvar seu reino de criaturas que transformam as pessoas em pedra. A ideia original foge do que esperaríamos de uma animação do estúdio, sem sequências musicais e com mais seriedade e violência.

O ponto que mais me chamou atenção nessa obra é a construção de mundo, que pensa em todos os detalhes. Somos apresentados à região de Kumandra, inspirada em Indonésia, Tailândia, Vietnã, Laos e Camboja. Inclusive, a equipe de produção viajou para esses países, que são representados na arquitetura, no figurino e, claro, no visual dos personagens. O universo é muito rico culturalmente, contando até com novas espécies de animais. Cada região remete a uma parte do corpo de um dragão, como Garra, Coluna e Presa, e o mais interessante é que o próprio mapa possui a figura de um dragão.

A animação mantém a excelente qualidade do estúdio, com uma bela fotografia e uma montagem estilosa, que em alguns momentos até lembra heist movies. Outro destaque é a direção e a coreografia das cenas de ação, desde combates corpo a corpo até lutas com espadas, que possuem movimentos complexos e fieis.

Mesmo com tantas princesas em seu catálogo, Raya consegue se diferenciar e ter uma identidade própria. Ela é inteligente, habilidosa, prevenida e consciente de suas ações, demonstrando muita responsabilidade. Seu companheiro Tuk Tuk tinha tudo para ser apenas um mascote fofo, mas ele consegue ir além e ter utilidade na trama, principalmente como transporte, como seu nome deduz. Sisu funciona muito bem como uma quebra de expectativa, representando um dragão carismático e divertido. Já Namaari é uma excelente antagonista, pois a história não procura o caminho fácil de vilanizá-la, trabalhando muito bem suas motivações e desejos, possuindo como tema principal a confiança. Ainda destaco os coadjuvantes Tong, Boun e Noi, responsáveis pelo alívio cômico da produção, mas também trazendo equilíbrio pela carga dramática de seus respectivos passados.

A Disney acertou de novo com Raya e o Último Dragão. Essa nova leva de princesas guerreiras vem rendendo produções incríveis, que não só apostam na diversidade, como também contam histórias com muito coração, servindo de inspiração para pessoas do mundo todo. Espero que encontram uma forma de voltarmos para Kumandra futuramente para explorar ainda mais esse universo tão rico.

Raya e o Último Dragão está em cartaz nos cinemas e disponível no Disney+ através do Premier Access por R$ 69,90.

Raya e o Último Dragão
5

Comentário do Crítico

Com um rico universo inspirado no sudeste asiático e uma belíssima animação, Raya é mais um acerto da Disney, introduzindo uma nova princesa guerreira.

Deixe um comentário

Seu email não será publicado

Start typing and press Enter to search