Crítica | Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

2021 está sendo um ano muito movimentado para a Marvel Studios. Agora que a empresa expandiu seu universo para o streaming, nunca tivemos tantas produções lançadas em tão pouco tempo, o que poderia resultar na saturação de vez do conteúdo ou numa maior diversificação. Até agora, parece que estamos indo pelo segundo caminho, marcado pela apresentação de heróis diferentes de tudo que já foi feito até o momento, como é o caso de Shang-Chi. Apesar de ter sido lançado em um período ainda complicado para os cinemas, a nova aposta do estúdio conseguiu bons números de bilheteria e, finalmente, está disponível para todos os assinantes do Disney+ – em formato IMAX.

Mais do que nunca, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis deixa bem claro a proposta do MCU como universo. Felizmente, é bom ver que o filme foca bastante em contar sua própria história de maneira isolada, com início, meio e fim, e dá apenas algumas pinceladas ao fato de que a obra está inserida em um contexto maior, usando fan-services, easter-eggs e pequenos detalhes para os fãs.

Como não poderia ser diferente, já que estamos falando da adaptação do Mestre do Kung Fu para os cinemas, um dos pontos que mais chama atenção no longa é a ação. O combate corpo a corpo é muito bem dirigido e coreografado, chegando a lembrar produções como O Tigre e o Dragão em alguns momentos, enquanto em outros faz referência ao estilo de Jackie Chan. As cenas de luta são potencializadas pelo uso inventivo dos dez anéis, o que justifica a mudança no visual dos quadrinhos, sendo usados nos braços.

Outro ponto a favor do longa é o cuidado ao apresentar a cultura chinesa. Além do elenco, o longa chega a abordar diferenças culturais, mostra o tempo todo personagens falando em mandarim e entra de cabeça na parte mística quando vai para o reino Ta-Lo, sendo uma das melhores coisas do longa, tanto visualmente quanto conceitualmente.

Shan-Chi tem tudo para ser um daqueles heróis que as crianças vão querer imitar os movimentos, e também é legal ver sua complexidade nas telonas, não sendo apenas um lutador. Ele passa por questionamentos internos, a cobrança do pai, culpa pelas ações do passado, e Simu Liu ainda é muito carismático. É bonito ver sua amizade com Katy (Awkwafina), que representa o público quando é introduzida nesse mundo e sempre se mostra útil durante a trama, seja como uma motorista habilidosa ou uma arqueira em treinamento. Também fiquei satisfeito com a versão verdadeira do Mandarim (Tony Leung Chiu-Wai), principalmente como o humanizaram, fugindo do estereótipo de vilão malvado. Por fim, Xialing (Meng’er Zhang) também se sobresai como uma guerreira badass e estou curioso com o futuro da personagem.

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é uma ótima adição ao MCU. O herói está muito bem representado nos cinemas e seu filme solo consegue entregar o que prometia. Há espaço para outras histórias sobre esse novo núcleo e mal posso esperar para vê-lo interagindo com outros Vingadores.

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis está disponível no Disney+.

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis
4.5

Comentário do Crítico

Shang-Chi é uma ótima adição ao MCU, se destacando pela ação bem dirigida e coreografada, potencializada pelo uso inventivo dos dez anéis. O filme entra de cabeça no universo místico da cultura chinesa e apresenta um herói que é mais do que um lutador de artes marciais.

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