Crítica | Submersão (2017) – Alicia Vikander e James McAvoy brilham em um drama intenso

A distância é um dos fatores que pode prejudicar uma relação. Uma forma de contornar a situação é através dos pensamentos, que ligam o casal um ao outro. Submersão (2017), adaptação do livro de J.M Ledegard, utiliza-se desse e outros pontos para trazer diferentes conceitos de mundo.

A trama retrata a história de amor entre Danielle (Alicia Vikander) e James (James McAvoy). Ela é uma exploradora dos oceanos em busca de novas descobertas e ele um informante que descobre planos terroristas na Somália. Depois de se conhecerem em um hotel, ambos voltam para seus trabalhos e precisam confiar na conexão emocional do relacionamento.

O roteiro acerta em construir a relação do casal, através dos diálogos e do interesse na vida de cada um. A paixão entre eles não é só pela questão física, mas também pelo conhecimento e inteligência que cada um possui. E toda essa construção ajuda a entender quando, em determinado ponto, acontece uma divergência de ideias entre eles.

O casal de personagens é muito humano. Alicia Vikander mostra porque tem um Oscar, trazendo uma personagem forte, cheia de discursos e convicções sobre o mundo. Mas que também tem dificuldade de lidar com seus sentimentos mais profundos. E James McAvoy faz um belo trabalho com seu personagem, conseguindo demonstrar todas as angústias e medos dele – muitas vezes só pelo olhar.

Através da fotografia de Benôit Debie, o diretor Win Wenders consegue captar perfeitamente os diferentes pontos de vista dos personagens. Enquanto ela vive num universo de cores, vida e beleza do Ártico, ele vive a poeira, tristeza e horror de um país completamente devastado. A fotografia também é essencial para mostrar que o mar pode ser algo belo e ao mesmo tempo assustador – pois une e separa esse casal.

Porém o segundo ato comete alguns erros, principalmente na divisão da atenção entre os personagens. É verdade que o drama de James é muito mais interessante e importante de se acompanhar. Mas Danielle é um pouco deixada de lado, prejudicando a identificação do público – as poucas cenas em que está em alto mar não conseguem trazer o impacto emocional que a história se propõe. Os diálogos expositivos dela também se tornam um problema, pois ficam repetitivos e cansativos.

Submersão acaba sendo um romance diferente e com conceitos interessantes sobre extremos e pontos de vistas. É delicado e ao mesmo tempo intenso. O resultado final é satisfatório, mas que poderia ser muito mais emocionante com menos tempo de tela.

Submersão (2017)
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Comentário do Crítico

Adaptação do livro de J.M Ledegard se destaca pela bela fotografia e intensidade das cenas. Apesar disso, algumas decisões do roteiro prejudicam a conexão com a história.

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