Crítica | Tudo Bem No Natal Que Vem

Uma das principais tradições de Natal é assistir a filmes natalinos. É comum conferirmos nessa época do ano aquelas produções americanas ambientadas no inverno e com muita neve, porém, por melhor que sejam esses longas, eles não refletem a nossa cultura. Tudo Bem no Natal que Vem me fez questionar a falta de filmes brasileiros natalinos, que mostrem nossas tradições assim como é feito nos EUA, mas a aposta da Netflix aparece como um ótimo representante dessa temática.

Na trama, Jorge (Leandro Hassum) é um homem que odeia o Natal porque nasceu no dia 25 de dezembro. Porém, ele precisa aprender o verdadeiro significado dessa data quando passa a esquecer tudo que viveu durante o ano todo e só lembra do que acontece no Natal.

Com essa sinopse parece que o filme é uma cópia de Feitiço do Tempo, A Morte Te Dá Parabéns ou outros derivados onde o protagonista passa a viver o mesmo dia várias vezes até quebrar esse ciclo de alguma forma, mas o roteiro de Paulo Cursino vai por outro caminho. Aqui, o interessante é que o personagem principal não revive o mesmo Natal. Na verdade, é como se ele vivesse apenas um dia do ano: 24 de dezembro.

Essa abordagem é responsável por criar outras dinâmicas para o longa, dando ao projeto sua própria identidade. Também é a partir disso que são criadas as cenas cômicas mostrando como todo Natal é sempre igual, o amadurecimento dos personagens, além de inserir muito bem características da celebração no Brasil, incluindo a clássica piada do tio do pavê e peculiaridades culinárias, como uva passas no arroz e maçã na maionese. Um dos poucos problemas é como alguns conflitos são resolvidos de maneira abrupta e simplificada, mas nada que prejudique a experiência.

A comédia conta com o humor característico de Leandro Hassum, presente em outras franquias como O Candidato Honesto e Até Que a Sorte nos Separe. Portanto, os fãs do ator também devem gostar de seu trabalho aqui. Ele consegue representar o brasileiro típico nessa época do ano, reagindo às frustrações e irritações sempre de forma bem humorada. Já umas das maiores surpresas é a entrega de Hassum nas cenas dramáticas, principalmente nos momentos em que contracena com Arianne Botelho, que vive sua filha Aninha. Um dos méritos do filme está na construção dos personagens para que nos importemos com eles, com destaque para o casal principal Jorge e Laura (Elisa Pinheiro). A atriz Denielle Winits também diverte no papel da exagerada e excêntrica Márcia, sempre roubando a cena.

A direção de Roberto Santucci consegue transitar do humor para o drama com fluidez e sem tropeços, além de ter sensibilidade ao tratar de assuntos sérios. O longa ainda conta com méritos técnicos, como a montagem dinâmica, o uso da trilha sonora incidental e a recriação da época na passagem de tempo. Por outro lado, há um deslize no uso de chroma key pela artificialidade, prejudicando a imersão.

Com o investimento em filmes de Natal da Netflix, é ótimo saber que o Brasil não conta apenas com uma obra que nos represente, como também que o mundo todo terá a chance de conhecer o Natal brasileiro. Mesmo para quem não é fã dos filmes do Leandro Hassum, vale a pena dar uma chance para essa história divertida, emocionante e com uma bela mensagem.

Tudo Bem No Natal Que Vem
4

Comentário do Crítico

O longa faz um ótimo trabalho em representar na tela características marcantes do Natal brasileiro com o humor característico de Leandro Hassum, além de emocionar com uma bela mensagem.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

1 Comentário

  • cenários virtuais
    1 ano ago

    top Tirou a minha duvida, parabens pelo artigo, me ajudou
    muito.vou baixar

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