Crítica | Um Lugar Silencioso é o melhor filme de terror do ano (até agora)

Mesmo que já esteja nos cinemas há algum tempo, o Trem do Hype não poderia deixar de lado um filme tão importante quanto Um Lugar Silencioso, de John Krasinski. Provavelmente o melhor terror do ano, o longa apresenta uma proposta diferenciada que dá muito certo, principalmente se você assisti-lo sem ser atrapalhado por ruídos externos.

De fato, a questão do som é um dos grandes destaques de Um Lugar Silencioso, que imerge o público no cotidiano de uma família que vive em um futuro apocalíptico onde monstros são atraídos pelo som. Por conta disso, o grupo precisa fazer tarefas comuns com o mínimo de ruído possível.

Isso faz com que a família adote novas formas de se comunicar e agir. Por exemplo, quase não existe diálogo durante o filme inteiro. A maior parte das conversas são feitas através de sussurros praticamente inaudíveis e língua de sinais. Além disso, as ruas e a casa do grupo foram adaptados para não fazer barulho enquanto andam, comem ou realizam outras atividades. A partir de todos esses elementos, é criada uma atmosfera de medo constante que também é sentida pelo público.

Com isso, é inevitável não cair nas táticas do filme para dar sustos, principalmente através do som. Por se tratar de uma produção silenciosa, qualquer ruído se torna alto demais, o que remete ao espectador os monstros que irão aparecer. Assim é criado o ambiente de terror durante todo o longa.

Mesmo que neste filme a ausência do som seja importante, isso não quer dizer que ele não tenha uma trilha sonora marcante. Ela está presente em momentos-chave do filme e funcionam para aumentar a tensão da cena. A diferença é que ela está muito mais pontuada do que o habitual.

Por outro lado, em alguns momentos o filme opta pela ausência total do som, podendo ser possível ouvir o projetor do cinema. Isso não é algo comum em produções comerciais de Hollywood, que sempre tentam conseguir nossa atenção da forma mais chamativa possível. Em Um Lugar Silencioso, somos cativados pelos detalhes.

Outro destaque na produção está nos personagens e nos atores por trás deles. Além de dirigir, John Krasinski interpreta o pai da família, que a todo momento se mostra preocupado em proteger a todos. Emily Blunt entrega uma ótima atuação, seja pelo seu carisma como mãe ou pelo desespero procurando a sobrevivência.

Os filhos são interpretados por Noah Jupe, que interpreta a criança assustada e desastrada – responsável pelas ações mais idiotas durante o filme – e Millicent Simmonds, que entrega uma atuação acima da média.

A atriz vive uma menina surda na ficção, mas também é deficiente auditiva na vida real. Ela tem um dos principais arcos de desenvolvimento do filme, revelando ser uma garota emotiva, mas também forte e corajosa.

A atuação de todos os personagens é potencializada pelo fato de que quase não é dita uma palavra. Com isso, suas expressões se destacam, ficando ainda mais evidentes. A comunicação e o vínculo entre eles é muito forte, e consegue convencer como verdadeiro.

Um Lugar Silencioso conta com uma boa proposta, mas seu roteiro poderia ser mais coeso e fechado. Em sua essência, continua sendo um filme de terror comum, mas se destaca pela execução. Apesar de algumas pontas soltas, o universo criado é bem construído, sendo capaz de ser revisitado em outros momentos, pois há muito o que explorar.

 

Um Lugar Silencioso
4.5

Comentário do Crítico

Apesar de ser essencialmente um filme de terror comum, Um Lugar Silencioso tem como destaque a forma como o som é usado, chegando a ficar inexistente em alguns momentos. Além disso, a atuação é outro ponto forte, mesmo quase não havendo diálogos.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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