Crítica | Um Lugar Silencioso – Parte II

Em 2018, Um Lugar Silencioso surpreendeu a todos com a sua proposta, onde uma família precisa sobreviver em um mundo pós-apocalíptico dominado por criaturas que caçam através do som. A experiência de assistí-lo no cinema é única graças ao excelente trabalho de mixagem e edição, deixando as sequências de terror ainda mais angustiantes e imersivas. Por esses e outros motivos, as expectativas para a Parte II estavas altas – principalmente levando em conta o final do longa original – e foram cumpridas.

A produção conta com o retorno de seu elenco principal, assim como John Krasinski na direção e no roteiro. A presença do cineasta é sentida desde os minutos iniciais, pois a obra mantém a ideia de unidade, funcionando como uma continuação direta e criando uma relação com o primeiro filme, mesmo com a diferença de três anos entre os dois projetos.

A Parte II abre de forma excelente, abusando de planos-sequência bem coreografados e respondendo uma questão que havia ficado pendente: como tudo começou. Por conta da excelente captação de áudio, há um ótimo uso dos elementos sonoros, com atenção aos detalhes, sendo efetivo também para os jumpscares bem calculados.

O roteiro encontra uma forma de expandir o universo da franquia, visitando regiões inéditas e apresentando novos personagens, mas sem tirar o foco da família Abbott. Gosto da forma como todos os personagens sempre têm algo para fazer, onde cada um está no seu limite, tentando sobreviver. Emily Blunt brilha nas sequências dramáticas, enquanto Noah Jupe é mais exigido emocionalmente do que no longa original, sempre sendo colocado em situações extremas. Outro acerto é o destaque que dão para Regan (Milicent Simmonds), que precisa provar sua coragem e abre a possibilidade de explorar sua deficiência auditiva de outras maneiras. A adição de Cillian Murphy ao elenco é outro ponto alto, trazendo uma nova perspectiva sobre o apocalipse através do seu personagem, que é muito bem desenvolvido. Por outro lado, senti um subaproveitamento de Djimon Hounsou.

Na parte técnica, vale elogiar a ótima fotografia de Polly Morgan, que consegue aproveitar a “beleza” do cenário pós-apocalíptico em ambientes externos e internos, mesmo com pouca iluminação. Outro ponto positivo fica para a edição de Michael P. Shawver, criando contrastes e semelhanças entre sequências distintas, principalmente nas angustiantes cenas de ação. A trilha de Marco Beltrami é mais um acerto, repetindo seu excelente trabalho na criação de tensão da Parte I. Já o CGI é usado de forma mais evidente, principalmente na exposição dos monstros, funcionando na maioria das cenas.

Se Um Lugar Silencioso mostrou seu diferencial na forma de contar uma história de terror, a Parte II repete a fórmula com muita eficiência, desenvolvendo ainda mais seus protagonistas. Ao final do longa, a sensação é de que uma hora e meia parece pouco para este universo, deixando a vontade de assistir mais – principalmente pelo encerramento “abrupto”. A espera valeu a pena, pois esta continuação é uma experiência que merece ser vista nos cinemas (para quem puder).

Um Lugar Silencioso – Parte II está em cartaz nos cinemas.

Um Lugar Silencioso - Parte II
4.5

Comentário do Crítico

A sequência repete o excelente trabalho de captação e mixagem de som do original, expandindo o universo sem deixar de lado seus protagonistas.

Sobre o Autor /

Formado em Cinema e Publicidade na PUC-Rio, colab do TechTudo, maquinista do Trem do Hype.

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