Crítica | Um Príncipe em Nova York 2

Lançado em 1988, Um Príncipe em Nova York, estrelado por Eddie Murphy, foi um grande sucesso na época, marcando uma geração aqui no Brasil por conta das reprises na televisão. Há alguns anos vem sendo discutida a possibilidade de uma sequência, incluindo o retorno de vários personagens marcantes, que acabou de chegar no Amazon Prime Video. Enquanto no original o príncipe de Zamunda, Akeem, vai para o Queens em busca de uma esposa que o ame pelo que ele é, na sequência o personagem retorna para os EUA para encontrar um filho bastardo.

Apesar da continuação indicar que o filme se passará em Nova York de novo, na verdade o grande foco é Zamunda, o que é ótimo, pois temos a chance de conhecer esse país africano fictício melhor e fugir de uma possível repetição de fórmula. O projeto conta com boas ideias ao longo do caminho, como a ameaça de uma nação rival, mas acredito que seu maior erro é dar destaque para o que é menos interessante.

Em comparação ao anterior, aqui é possível notar que o longa contou com um orçamento maior e está muito bem produzido, com destaque para o design de produção, figurino e maquiagem, mas deixando a desejar nos efeitos visuais. Aqui também há muitos números musicais com coreografias que são bem filmados e bonitos visualmente, apesar de não servir muito para a trama.

A grande aposta desta sequência é a nostalgia, repetindo os mesmos segmentos do original, como a rede de fast food McDowell, a barbearia, o pastor e até a banda Chocolate Sensual. O problema é que a produção acaba dependendo muito disso para funcionar, inclusive repetindo cenas do primeiro filme.

Quando não está preocupado em agradar os fãs de longa data, o longa investe no contraste entre as culturas dos EUA e Zamunda com Leslie Jones e Tracy Morgan, que nem tem muito o que fazer. Boa parte do tempo também é dedicado em Jermaine Fowler como protagonista, mas sem o carisma de Eddie Murphy, que acaba virando um coadjuvante. Seria um melhor investimento apostar no divertido e caricato vilão Izzi (Wesley Snipes) ou na independente e corajosa Meeka (KiKi Layne). Ainda há o retorno de boa parte do elenco, sendo a maioria em participações especiais, com destaque para James Earl Jones e Shari Headley, enquanto Arsenio Hall e os outros são subaproveitados.

Infelizmente, Um Príncipe em Nova York 2 toma decisões ruins, entregando uma sequência bem abaixo do original. Ele falha como comédia e no romance apressado, além de uma mensagem que poderia ser melhor resolvida. O engraçado é que o próprio longa critica as produções atuais de Hollywood, resumidas a “filmes de super-heróis, remakes e sequências de filmes velhos que ninguém quer ver”. A conclusão da personagem Mirembe (Nomzamo Mbatha) poderia ser seguida pelos responsáveis por essa continuação: “se uma coisa é boa, pra que estragar?”

Um Príncipe em Nova York 2 está disponível no Amazon Prime Video.

Um Príncipe em Nova York 2
1.5

Comentário do Crítico

A sequência conta com bons figurinos e números musicais, mas entrega uma comédia abaixo do original, um romance apressado e um Eddie Murphy menos inspirado.

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