Crítica | Viúva Negra

Desde que a Viúva Negra foi introduzida no MCU, em Homem de Ferro 2, o público vem pedindo por um filme solo da personagem. Infelizmente, um longa estrelado pela heroína só foi anunciado após a sua morte, em Vingadores: Ultimato, deixando uma sentimento agridoce nos fãs. Para piorar, ainda tivemos que esperar mais um pouco pelo lançamento do projeto, levando em conta seus adiamentos devido à pandemia de COVID-19. Agora que finalmente está disponível, posso dizer que Viúva Negra chegou tarde, mas a espera valeu a pena.

A trama é ambientada após os eventos de Capitão América: Guerra Civil, quando a equipe é desmantelada e aqueles que foram contra o Acordo de Sokovia estão sendo caçados – incluindo Natasha (Scarlett Johansson). Só que, apesar de mencionar o grupo e eventos passados o tempo todo, o longa funciona muito bem de forma isolada. Sem ter como avançar na história da protagonista, ele cumpre o que promete, com uma trama que explora seu passado, incluindo a Sala Vermelha, além de responder perguntas que os fãs se fazem há algum tempo, como o que aconteceu em Budapeste.

Homenageando franquias do gênero, como Missão: Impossível, às vezes nem parece que estamos assistindo a um filme da Marvel Studios. A qualidade do estúdio é mantida, porém com uma trama mais pé no chão. Em alguns momentos, lembra o tom de Capitão América 2: O Soldado Invernal, com foco nos combates corpo a corpo bem coreografados e dirigidos, sendo que o máximo de “superpoder” que vemos é o soro de supersoldado.

Mesmo com Natasha (Scarlett Johansson) no centro da história e sendo responsável pelo desenvolvimento da narrativa, a trama possui a família como uma das principais temáticas, ajudando a lidar com fantasmas do passado e resolver assuntos inacabados. Também é a oportunidade para apresentar novos personagens que esbanjam carisma. O grande destaque é Yelena (Florence Pugh), que representa a irmã mais nova de Natasha. As duas possuem muita química juntas e comprei a amizade com altos e baixos, onde cada uma serve de apoio emocional para a outra. Além disso, Pugh entrega a melhor atuação do filme e é uma adição de peso para o MCU. Dá vontade de ver mais da personagem e é certo que a Marvel não vai deixar essa oportunidade passar.

Ainda destaco o egocêntrico Alexei (David Harbour), que funciona como alívio cômico, além de apresentar um conceito bem interessante como o “Capitão América da Rússia”. Apesar de ter menos espaço, Melina (Rachel Weisz) possui um papel importante na trama, representando o cérebro do quarteto. Juntos, a família rende cenas divertidas e emocionantes, assim como todos possuem uma função específica durante a ação.

Dreykov (Ray Winstone), como vilão, pode não ser uma grande ameaça física, mas ainda sim coloca medo com sua personalidade cruel, sádica e sabendo mexer com o psicológico dos outros. Já o Treinador pode não ter explorado todo o seu potencial, mas entrega ótimas cenas de ação. Inclusive, a identidade do personagem também é um elemento bem bolado pelo roteiro.

Como todo filme de espionagem, a história possui vários twists, e todos são muito bem executados. Já para quem espera um grande filme de ação, também pode ficar tranquilo, pois a trama consegue escalonar enquanto progride, entregando momentos grandiosos e épicos.

Viúva Negra é a prova de que a personagem realmente merecia ter um filme solo. Ele pode ter chegado tarde, mas cumpre com as expectativas, trabalhando com o que é possível levando em conta as circunstâncias. Sei que pode não ser tão interessante para o MCU, mas seria ótimo se víssemos mais histórias da espiã. No final, fica a sensação de que trata-se de uma passagem de bastão de Johansson para Pugh, que certamente fará um excelente trabalho como Yelena Belova.

Viúva Negra está em cartaz nos cinemas brasileiros e disponível no Disney+ pelo Premier Access.

Viúva Negra
4.5

Comentário do Crítico

Viúva Negra nem parece ser um filme da Marvel Studios, apostando em uma trama de espionagem mais pé no chão que funciona de forma isolada. Enquanto explora o passado da protagonista, também representa a passagem de bastão para Florence Pugh.

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