Ranking | Filmes do Universo Cinematográfico Marvel

Com mais de uma década dedicada à construção de um universo coeso de deuses e monstros, o Universo Cinematográfico Marvel se tornou um fenômeno, além de um marco na história do cinema.

Para comemorar o recente lançamento de Capitã Marvel e aquecer a expectativa de Vingadores: Ultimato, nós, da redação do Trem do Hype, resolvemos realizar a árdua tarefa de colocar todos os longas da franquia num ranking, do pior ao melhor. Deslize para o lado ou clique na seta para ir avançando. No final do post, você também pode conferir as listas individuais de cada integrante da redação.

À medida que novos filmes forem sendo lançados, esta lista será atualizada. Por enquanto, fique com os 21 primeiros:

Comentários por José Gabriel Fernandes

20. O Incrível Hulk (2008)

Direção: Louis Leterrier

Esse filme não tem nenhum problema aparente. À princípio é só mais um longa de ação, com um bom elenco e ritmo satisfatório para um thriller de perseguição. Porém, a falta de profundidade e, até mesmo, interesse no próprio personagem tornam esta aventura do Gigante Esmeralda completamente esquecível. É uma aposta segura, mas que, por consequência, falha em impressionar ou trazer algum sentimento diferenciado.

Edward Norton é um excelente ator, mas o roteiro é tão pouco inspirado que não tem muito o que fazer. Ele está sempre tenso, triste e… é isso. É o protagonista mais funcional possível para o tipo de história que os realizadores buscaram contar. Nós vemos sua tristeza, sua angústia, mas não nos aprofundamos, quase como se ele fosse uma pedra.

Dá para perceber as inspirações da série antiga, principalmente pela trama de perseguição. Porém, os mesmos riscos que a produção tomou, lá na década de 1980, aqui não são retomados. Se colocassem um Lou Ferrigno pintado de verde, ao menos poderíamos apreciar a coragem do longa. Mas não há nada de diferente ou particular no filme. Só mais um blockbuster genérico que se leva a sério demais.

Ah, e colocar um ator que não fala português para interpretar um brasileiro pode funcionar para os norte-americanos, mas, para nós, fica completamente ridículo. Sim, vocês sabem de quem estamos falando.

19. Thor (2011)

Direção: Kenneth Branagh

A primeira aventura do Deus do Trovão ganha pontos pela fidelidade. Tudo bem, o filme reduz toda a trajetória do personagem a praticamente um fim de semana perdido numa cidadezinha de interior, mas o faz pautado no material fonte (ainda mencionando o Dr. Donald Blake numa cena). Isso torna o seu desenvolvimento um tanto apressado, mas se esse fosse o maior problema do filme, ele não estaria nesta posição ingrata.

Thor começa como uma fantasia competentemente dirigida, com toques aventurescos e dramáticos muito bem desenvolvidos. As atuações e relações entre os personagens beiram o shakespeariano (especialidade de Branagh), trazendo uma atratividade para a trama (que ainda é ilustradra por um luxuoso desenho de produção).

Porém, tudo isso é deixado de lado quando Thor é mandado para Midgard (Terra). O longa passa de drama medieval à comédia “peixe fora d’água” num piscar de olhos, o que muda completamente a proposta. Mas o humor em si não seria tão ruim, se não fosse pelos personagens coadjuvantes, que chegam a ser irritantes de tão intrusivos. A que mais sofre com isso é a de Kat Dennings (e o público, por consequência).

Até há boas cenas nesse núcleo terrestre, como quando Thor não consegue levantar o Mjolnir. É um momento dramaticamente carregado e um ponto importante para a mudança do personagem. A questão é que essa mudança não soa orgânica. Ele conhece uns terráqueos simpáticos e passa a se importar com toda a população da Terra. Esse é o problema de querer reduzir toda a trajetória de Donald Blake a um fim de semana com os amigos.

Felizmente, o filme volta a ganhar força no terceiro ato, com um emocional embate entre Thor e Loki. Mas não é o suficiente para reparar o estrago. É quase como se houvesse um episódio de uma sitcom cancelada no meio do filme do Thor. Não foi uma boa sacada.

18. Thor: O Mundo Sombrio (2011)

Direção: Alan Taylor

Esse filme supera seu antecessor por explorar bem mais os Nove Reinos, principalmente Asgard. O espectador consegue ver mais desse mundo, que é conceitualmente bem rico. Apesar da mitologia ser antiga, há diversos elementos futuristas, como naves espaciais e armas laser. É bem interessante a mistura.

Além disso, o filme explora mais a relação entre Thor e Loki, com Tom Hiddleston roubando a cena como o Deus da Trapaça, o que é ótimo de assistir, mas problemático para o longa como um todo. Acaba que o único atrativo é o Loki, já que o próprio protagonista é negligenciado. E, não, isso não é porque Thor é um personagem mais chato. Em Vingadores ele teve algumas das melhores cenas. O fato de seu carisma não ter sido aproveitado neste filme é por falta de inspiração do roteiro, que, aliás, apresenta outros problemas que já estavam no primeiro Thor.

O principal (mais uma vez) é a desnecessária inclusão do núcleo terrestre. Todos sabemos que Natalie Portman é uma grande atriz, mas sua personagem não tem o que fazer no meio daquela aventura. O roteiro tenta justificar sua presença com uma coincidência absurda, que poderia até ser aceita, se Jane Foster realmente adicionasse algo à trama, além de um romance forçado e clichê com o protagonista. Para piorar, os amigos dela também se fazem presentes em boa parte da trama. Até que Stellan Skarsgård tem umas boas piadas como o Dr. Erik Selvig, mas não passa disso.

O antagonista Malekith também é um dos mais monótonos da Marvel. O problema não é a falta de motivação, mas a falta de presença ou diálogos cativantes. Até a luta final contra o Deus do Trovão tinha potencial para ser mais inventiva, mas a execução parece mais a de um episódio de uma série de TV da CW. Provavelmente, isso se dá pela troca de diretores: substituíram Branagh (um bom diretor de cinema) por Alan Taylor, que é ótimo na TV, mas não se distanciou tanto do formato esteticamente (ainda que muitas produções televisivas já tenham até superado diversos filmes nesse sentido).

Assim, Thor: O Mundo Sombrio está mais para um episódio da Marvel. Um bom episódio, mas que poderia ter sido muito mais se tivesse sido pensado como um filme.

 

17. Homem de Ferro 2 (2010)

Direção: Jon Favreau

Homem de Ferro 2 é um filme divertido, mas foi bem decepcionante. E, não, não é só por causa do sucesso do primeiro. O principal problema da segunda aventura de Tony Stark foi a falta de foco do roteiro.

Parece que o filme tinha potencial para ser uma boa história de vingança, com a intimidadora presença do vilão Ivan Vanko, interpretado por Mickey Rourke. Mas os realizadores tiveram que empurrar diversas subtramas, que tinham potencial para um filme próprio.

Não estou falando da disputa com Justin Hammer e a origem do Máquina de Combate, porque esses dois pontos até que se encaixam na trama central. Mas questões como o passado de Howard Stark, a intervenção da SHIELD (apresentando a Viúva Negra) e o alcoolismo de Tony Stark (assunto da célebre história Demônio na Garrafa) são desnecessariamente abordados e subaproveitados. Isso foi um desserviço para essas histórias individuais, que mereciam ser propriamente contadas. Como se isso tudo não bastasse, o roteiro tenta conectar todas convenientemente, ficando um tanto forçado (principalmente no caso da participação de Howard Stark).

Dito isso, o filme ainda se beneficia do forte carisma de Robert Downey Jr. e excelente adições ao elenco, como Don Cheadle, Sam Rockwell, Scarlett Johansson e o próprio Rourke. A ação continua empolgante, com sequências marcantes como a da pista de corrida (com direito à linda referência à maleta em que Tony Stark costumava carregar o uniforme). Mas bons momentos não compensam um roteiro inconsistente.

16. Homem-Formiga (2015)

Direção: Peyton Reed

Esse é caso do filme que entrega o que deveria, mas poderia ter sido mais. Muito disso se deve à troca dos diretores, provavelmente. Edgar Wright, que estava trabalhando no projeto desde 2003, se afastou após ter tido diferenças criativas com o estúdio. Ele deu seu lugar para Peyton Reed, que sabe fazer comédias de boa qualidade, mas não tem tanta identidade quanto Wright. Isso fica perceptível no filme.

O roteiro está repleto de piadas que condizem com o humor característico de Wright, mas Reed não possui a idiossincrasia necessária para torná-las genuínas. Os contextos são bizarros e, por isso, ficam engraçados, mas as atuações e o ritmo das cenas são demasiadamente convencionais. Sem falar que, tirando esses momentos, o filme se torna extremamente formulaico, com direito a um vilão genérico e arcos dramáticos pouco efetivos e mal explorados, como a tempestuosa relação entre Hank e Hope.

Apesar das cenas que envolvem o resto do Universo Cinematográfico Marvel serem empolgantes, não compensam a cisão entre o estúdio e Wright. Valeria bem mais um filme ousado e fora dos padrões do que um com a marca da Marvel.

O caso é notável porque mostra o melhor e o pior dos universos compartilhados. Se por um lado podemos ver interações divertidas entre nossos personagens favoritos, por outro há um controle muito maior do estúdio, podendo prejudicar a integridade da obra.

15. Homem de Ferro 3 (2013)

Direção: Shane Black

Provavelmente uma das produções mais autorais da lista - e, por consequência, a mais injustiçada (na minha humilde opinião). Quer dizer, injustiçada pelos fãs mais radicais, porque a terceira aventura do Homem de Ferro foi um sucesso de público e crítica. Mas por que alguns fãs ainda insistem em falar tão mal do filme?

Para começar, houve uma clara falha no marketing ao vendê-lo como um dos filmes mais sombrios da Marvel. Na realidade, ele é uma típica comédia de Shane Black. A única diferença é que ele está usando personagens da Marvel e, com isso, deve seguir algumas regras.

Acho que isso que estraga um pouco o filme. Há a tentativa de retratar o Tony como um homem traumatizado pelos eventos que presenciou em Vingadores, mas nada disso é propriamente explorado. A única utilidade disso para a trama é ser uma desculpa para ele produzir várias armaduras - que até são bem aproveitadas. O uso que Stark faz delas é muito diferente do que tínhamos visto até então, fazendo com que ele realmente se torne um super-herói.

Por conta disso, as sequências de ação ficam mais inventivas e empolgantes. As em que ele está sem armadura também não ficam muito atrás, ao mostrar Tony como algo além de um homem numa roupa de metal. Sem falar que Shane Black sabe tornar qualquer situação mais divertida ao explorar a sua fragilidade (bem que ele poderia ter dirigido Homem-Formiga ou Thor: O Mundo Sombrio).

Mas o que torna Homem de Ferro 3, acima de tudo, relevante, talvez seja o seu ponto mais polêmico: o uso do personagem Mandarim. Muitos fãs se sentiram traídos com a virada envolvendo o vilão. Mas a verdade é que o Mandarim dos quadrinhos nunca teria causado tanto impacto quanto a versão de Ben Kingsley (brilhantemente interpretada, por sinal). Muito mais perigoso do que um gênio com anéis super-poderosos, o Mandarim do filme representa a cultura do medo. Medo que serve de distração para que os verdadeiros vilões possam sair ilesos. No caso, esses são personificados por Aldrich Killian, que - não coincidentemente - tem planos ambiciosos para lucrar sobre a política. Com isso, Homem de Ferro 3 diz muito mais sobre o mundo em que vivemos do que o dos quadrinhos, se diferenciando do resto, mesmo com seus defeitos.

14. Doutor Estranho (2016)

Direção: Scott Derrickson

O filme já acertou na escalação de seu protagonista: Benedict Cumberbatch é um dos melhores atores trabalhando atualmente e, com sua chegada à Hollywood, vê-lo numa adaptação de quadrinhos era só uma questão de tempo. Felizmente, ele foi escolhido para ser Stephen Strange, um homem extremamente sábio, poderoso e orgulhoso, como grande parte dos personagens que interpretou.

Como era de se esperar, o ator faz um excelente trabalho de caracterização, até mesmo no sotaque (para quem não sabe, Cumberbatch é britânico). Ao final, parece que estamos vendo o Doutor Estranho dos quadrinhos na tela, com toda sua superioridade intelectual e espiritual e, por mais que isso seja ótimo, talvez esse seja o maior problema do filme.

Apesar da história ser muito fiel ao material fonte, a evolução do personagem é apressada demais. No começo de seu treinamento, ele erra bastante – o que é natural. Porém, após o seu primeiro acerto, ele passa a dominar com total confiança as artes místicas. Alguém poderia argumentar que isso se dá por conta de sua genialidade, mas ainda gostaríamos de ter acompanhado sua trajetória com mais calma. Chega um momento em que ele consegue enfrentar, quase que de igual para igual, pessoas com muito mais experiência do que ele.

Felizmente, o roteiro encontra uma solução inteligente para ele derrotar Dormammu usando o intelecto, e não suas habilidades (isso beiraria o ridículo). Sem falar que as sequências de ação são sensacionais, com efeitos especiais de cair o queixo. A maneira que o design da produção encontra para retratar a magia neste universo é muito inventiva, dando um toque plasticamente surrealista aos planos. Parece que estamos vendo um caleidoscópio em forma de filme.

13. Capitão América: O Primeiro Vingador (2011)

Direção: Joe Johnston

O maior mérito do primeiro Capitão América é a maneira como o filme estabelece o personagem. O roteiro explora ao máximo toda a sua moralidade, coragem e senso de justiça, mostrando que Steve Rogers já era um herói muito antes de tomar o soro. Assim como a caracterização, sua origem também se assemelha muito à dos quadrinhos, sendo uma das adaptações mais fiéis da Marvel.

O mesmo vale para os personagens coadjuvantes, inclusive o seu clássico arqui-inimigo, Caveira Vermelha. Rumores diziam que Hugo Weaving não estava tão à vontade no set, mas nada disso é percebido. Sua versão do vilão é a tradução exata do personagem dos quadrinhos para as telas. Quem mais passou por alterações foi Bucky Barnes, que deixa de ser um ajudante mirim e se torna um companheiro de luta e amigo de infância de Rogers. Foi uma mudança muito bem-vinda, já que a relação de amizade entre os dois movimenta a trama, não só deste filme, mas das duas sequências.

Porém, como um filme que se passa na Segunda Guerra Mundial, O Primeiro Vingador falha na exploração deste contexto histórico. Ele até mostra um pouco da propaganda de guerra – o que é interessante – mas vemos pouco do Capitão e sua equipe atravessando campos de batalha, trocando tiros ou fugindo de explosões. Eles realizam missões mais contidas, que também poderiam ser exploradas de maneira atrativa, mas o filme as reduz a uma curta sequência, só para avançar a história.

Idealmente, teríamos uma trilogia inteira para ver o Capitão na guerra, mas como o estúdio precisava colocá-lo logo no presente para poder incluí-lo no primeiro Vingadores, não vemos o suficiente de sua participação nesse momento intenso da história mundial – e parece que não veremos tão cedo.

12. Capitã Marvel (2019)

Direção: Anna Boden e Ryan Fleck

O primeiro longa da Marvel protagonizado por uma mulher já era relevante antes de seu lançamento, mas ainda é surpreendente como Capitã Marvel consegue se utilizar da sua plataforma para falar de outros temas importantes e atuais.

A mudança envolvendo os personagens Skrulls pode soar estranha para leitores de longa data, mas é completamente justificável na trama e proporciona alguns dos melhores momentos do filme (a maioria envolvendo Talos, interpretado pelo sempre ótimo Ben Mendelsohn). É uma decisão que eleva a obra e a torna ainda mais consciente, proporcionando diversas comparações com eventos históricos reais.

Outro destaque é a participação de Samuel L. Jackson, que apresenta um lado até então desconhecido de Nick Fury. Ele está muito mais divertido, leve e carismático, tendo uma química excelente com a protagonista. O fato de terem subvertido todas as nossas expectativas sobre a história envolvendo o olho dele é um adicional que evidencia a irreverência do MCU.

Mas, no fim das contas, o que torna Capitã Marvel tão bom é a forma como introduz uma das personagens mais poderosas e inspiradoras deste universo, que tem todo o potencial para liderar os outros heróis nos próximos anos e chutar o traseiro do Thanos.

11. Homem-Formiga e a Vespa (2018)

Direção: Peyton Reed

Depois de todas as contradições do primeiro filme, em Homem-Formiga e a Vespa Peyton Reed finalmente encontra sua voz. É uma comédia de ação que contém atuações, no geral, sóbrias (com exceção de algumas figuras propositalmente mais caricatas) e motivações palpáveis para seus personagens.

No final, não passa de uma história sobre como interesses particulares geram conflitos muito maiores do que deveriam ser. O absurdismo proveniente do subgênero de super-heróis é só uma camada (bastante divertida) a mais, que não interfere na humanidade de sua trama.

Além do roteiro mais conciso, as cenas de ação são bem superiores às do primeiro filme, com efeitos especiais e visuais mais realistas e situações mais intensas. Tirando alguns excessos (a música tenta desnecessariamente ditar o tom de certas cenas cômicas) todos os elementos são muito mais fundamentados na proposta estética da obra. Essa é a diferença que faz um diretor envolvido no projeto desde sua concepção.

10. Vingadores: Era de Ultron (2015)

Direção: Joss Whedon

Se Homem de Ferro 3 não fosse o filme mais injustiçado do MCU, essa posição poderia ser facilmente ocupada por Vingadores: Era de Ultron. O único erro do filme foi ter forçado uma conexão com as próximas produções da Marvel, numa sequência que ainda ficou picotada (por intervenção do estúdio, segundo relatos).

Tirando isso, o filme faz exatamente o que uma continuação deveria fazer: desenvolver ainda mais o universo estabelecido pelo seu antecessor, sem abrir mão da qualidade da própria história.

O engenhoso roteiro de Joss Whedon leva a dinâmica do grupo para o próximo nível em relação ao que vimos em Vingadores. Desta vez, eles estão muito mais íntimos, integrados e organizados, se assemelhando ao que sempre vimos nos quadrinhos. A adição do Visão e dos gêmeos Maximoff também é muito bem-vinda, proporcionando alguns dos momentos mais marcantes da franquia.

Apesar do título Era de Ultron não ser o mais apropriado (o seu tempo de existência foi bastante breve), a participação do vilão não deixa a desejar. Sua concepção, mesmo sendo bem diferente da que vimos nos quadrinhos, faz total sentido dentro do Universo Cinematográfico Marvel e a atuação de James Spader o torna imponente e ácido. Sua personalidade irreverente e sarcástica, herdada de Tony Stark, faz com que ele não seja só mais um “malvadão” que quer destruir o mundo.

Enfim, Era de Ultron pode até ter decepcionado muita gente, mas ele foi fundamental para consolidar o Universo Marvel nos cinemas, desenvolvendo boa parte de seus personagens e, consequentemente, o grupo como um todo. Por ser um filme de transição, é natural que ele seja um dos menos queridos da franquia, mas são filmes assim que dão liga para toda a história (como acontece nos quadrinhos).

9. Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017)

Direção: James Gunn

A continuação do fenômeno Guardiões da Galáxia certamente tinha uma tarefa muito difícil: manter o nível do primeiro. Apesar de não suceder nesse sentido, o longa está longe de ser um fracasso.

James Gunn volta com muito mais confiança na direção, abusando de seu estilo particular e explorando conceitos mais ambiciosos (não poderíamos esperar menos, considerando o sucesso do primeiro). O resultado é um filme muito mais autoral, reforçando tudo que foi introduzido no primeiro Guardiões. Você não gostou de Peter Quill dançando para derrotar Ronan? Bom, agora você vai ter que lidar com a sequência de abertura centrada no Baby Groot dançando, enquanto os outros membros da equipe enfrentam um monstro gigante no fundo.

Essa confiança de Gunn nas suas ideias é muito gratificante, principalmente para os fãs de seu trabalho. Mas se por um lado isso resulta em cenas memoráveis, por outro traz alguns excessos, como o de piadas. O humor nos filmes da Marvel nunca me incomodou (muito pelo contrário, normalmente considero fundamental), mas, em Guardiões 2, grande parte das piadas são previsíveis, forçadas e até mesmo intrusivas. A piada do rabanete, tudo envolvendo o Taserface e a Mantis sendo acertada na cabeça durante um momento épico são exemplos de como não inserir humor num filme.

Felizmente, a trama inteligente envolvendo o pai de Quill é mais memorável do que esses momentos fracos, e traz uma mensagem muito importante com relação ao papel dos pais na vida dos filhos. Sem falar que, emocionalmente falando, é um filme muito poderoso, não só pelo final comovente, mas também pela forma de trabalhar as relações entre os personagens. O romance entre Peter e Gamora, por exemplo, é um dos melhores da Marvel, simplesmente por não precisar ser constantemente reforçado. Nós já sabemos que ele existe, então não há motivos para perder tempo com chamegos e declarações de amor vazias.

8. Guardiões da Galáxia (2014)

Direção: James Gunn

A ópera espacial de James Gunn foi certamente a aposta mais arriscada da Marvel. O estúdio pegou uma de suas propriedades menos populares, entregou para um diretor/roteirista que poucos conheciam e a tratou como uma grande peça para o MCU. Mas parece que a Marvel sabia o que estava fazendo ao escolher Gunn para tocar o projeto, porque a crítica e o público compraram imediatamente a sua visão ousada e saudosista com relação à cultura pop da década de 1980. Me arrisco a dizer que o filme foi um dos expoentes dessa atual onda nostálgica que invadiu o cinema e a TV.

Assim como as obras que referencia, Guardiões da Galáxia é um clássico instantâneo, não só pela composição visual marcante, mas também pelos personagens memoráveis. Goste ou não, daqui a algumas décadas as pessoas ainda vão lembrar do Baby Groot dançando com muito carinho. Mas é uma pena que Groot seja o mais lembrado entre tantos personagens únicos, como Rocket e sua rebeldia imprudente (para não dizer “estúpida”); Gamora, com sua determinação; Peter Quill, com sua atitude de Han Solo e maturidade de adolescente. Mas nenhum vai superar Drax, que numa mudança drástica de personalidade em relação aos quadrinhos, se tornou uma das figuras mais hilárias do cinema atual, com sua falta de entendimento do sarcasmo. São traços de personalidade únicos que individualmente poderiam passar despercebidos, mas em conjunto, num grupo, formam uma interação única, relacionável e prazerosa de assistir.

 

7. Homem de Ferro (2008)

Direção: Jon Favreau


O primeiro Homem de Ferro já merece uma posição de destaque na lista só por existir. Sem ele, não teríamos Vingadores e dificilmente haveria esta onda de universos compartilhados em Hollywood (pensando bem, isso não seria tão ruim assim). Mas há bons motivos para o filme ter gerado todo esse movimento.

O diretor Jon Favreau tenta contar uma boa história da maneira mais simples e rica possível. Só de trazer a origem do personagem dos quadrinhos para um contexto atual, o roteiro já consegue dar conta de diversos aspectos importantes para a composição do personagem, como o seu egoísmo inicial, sua genialidade e sua transformação através de uma experiência traumática.

Claro que, apesar da abordagem pouco pretensiosa, o filme possui diversas sofisticações, principalmente quanto à qualidade técnica. As sequências de ação não soam artificiais, apesar de centrarem num homem numa armadura robótica. Homem de Ferro poderia facilmente ter se assemelhado a Transformers nesse quesito, mas Favreau tenta tornar as batalhas as mais realistas possíveis (dentro do óbvio contexto fantasioso).

Mas, acima de tudo isso, o estúdio conseguiu encontrar o ator perfeito para o papel. Tony Stark foi tão vital para Robert Downey Jr. (que estava passando por maus bocados antes do filme) quanto Downey Jr. foi vital para Stark. O carisma e a personalidade que ele inseriu no personagem ajudou a consolidá-lo como uma das figuras mais populares da cultura pop.

6. Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014)

Direção: Irmãos Russo

Para a surpresa de todos, o segundo filme do Capitão América foi o primeiro a mostrar que a Marvel sabe fugir de sua fórmula, quando necessário. Esse é um filme do herói, mas poderia tranquilamente ser um filme de espião qualquer à la Jason Bourne.

Mais surpreendente ainda é saber que os diretores por trás dessa gema do cinema de ação são os irmãos Russo, dupla que, na época, era apenas conhecida por ter feito alguns episódios de sitcom’s. Quem diria que eles seriam capazes de realizar cenas de ação tão vibrantes? Mas eles demonstram competência durante todo o filme e não só nesses momentos. Um exemplo disso é a troca de olhares entre Steve e Bucky, antes e depois do último combate. Há tanta emoção naqueles planos que corrigem qualquer falta de desenvolvimento da relação deles no primeiro Capitão América.

Aliás, o filme é particularmente importante para a trajetória do personagem por ser o que melhor estabelece sua personalidade nos dias atuais. É interessante ver como o seu senso de patriotismo se aplica aos Estados Unidos de agora, e a atuação de Chris Evans deixa todos os seus sentimentos bem claros. A partir deste filme, ele passa a ficar muito mais à vontade no papel, assumindo de vez o manto do Capitão.

 

5. Thor: Ragnarok (2017)

Direção: Taika Waititi

Se, num futuro distante, 99% dos filmes de super-herói forem esquecidos, Thor: Ragnarok não será um deles. Esse é um daqueles raros casos em Hollywood em que o filme não é mais um produto do estúdio do que uma expressão artística de seu diretor. Como se isso já não fosse bom, o diretor no caso é Taika Waititi, uma das vozes mais particulares do cinema indie atual. Ou seja, nós temos uma legítima obra de arte moderna aqui (como disse Joss Whedon).

O melhor de tudo é que o filme não se afasta do Universo Cinematográfico Marvel. Na verdade, ele o abraça e tira sarro dele ao mesmo tempo, com seu humor autorreferencial. Mas as referências não são só da franquia: há diversos planos e elementos que remetem diretamente a diversas obras da cultura pop, como Flash GordonStar WarsGame Of ThronesA Fantástica Fábrica de Chocolate e outros. Isso torna o filme um cocktail cultural com altas doses de humor.

Isso não quer dizer que o filme não respeita a mitologia dos quadrinhos. Além de todas as evidentes inspirações na arte de Jack Kirby, as consequências do Ragnarok aqui são muito parecidas com as dos quadrinhos, assim como todo o sentido do evento. Até o Hulk, com sua mentalidade de uma criança de 3 anos, lembra bastante as primeiras versões do personagem.

O filme só vai desagradar aos fãs mais sisudos, que acham que a mitologia dos super-heróis deve ser levada a sério como um drama estrelado por Meryl Streep ou Daniel Day-Lewis. Bom, Thor: Ragnarok pode até não ganhar um Oscar de melhor filme, mas não é como se isso fosse algo comum no subgênero. A diferença é que Ragnarok reconhece isso, não se levando a sério em nenhum momento. Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido com a trilogia do Deus do Trovão.

4. Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) e Pantera Negra (2018)

Direção: Direção: Jon Watts (Homem-Aranha: De Volta ao Lar) e Ryan Coogler (Pantera Negra)

Segundo o nosso esquema de apuração, Homem-Aranha: De Volta ao Lar e Pantera Negra tiveram a mesma pontuação. É curioso, porque são filmes bem diferentes, mas representam a crescente qualidade do Universo Cinematográfico Marvel.

O primeiro teve a difícil tarefa de substituir Tobey Maguire no inconsciente coletivo dos fãs, e o fez graças a Tom Holland, que mostrou entender o aracnídeo tão bem quanto Stan Lee e Steve Ditko quando o conceberam. Sua versão pode ainda não ser a mais popular ou querida, mas já podemos dizer que é a mais fiel (dentro de seus limites). O filme entende perfeitamente o Homem-Aranha porque sabe que sua história não é só sobre soltar teia por aí, fazer umas piadas e bater em bandidos. A história de Peter Parker é sobre passar dificuldades e superá-las (ainda que de forma tortuosa), por reconhecer que tem uma responsabilidade muito grande.

Pantera Negra, por outro lado, é um marco cultural com um legado muito maior do que todo o MCU (tanto que foi amplamente reconhecido nos Oscars). A trajetória de T’Challa é repleta de conflitos comuns a todos, ainda que num contexto fantasioso e exuberante. Sua evolução, tanto como governante quanto como pessoa, é tão épica quanto a escala da ação em seu centro, ainda mais em contraste com Killmonger, um dos melhores vilões da cultura pop e, provavelmente, o melhor do MCU. A atuação de Michael B. Jordan é perfeitamente emocional, trazendo a complexidade necessária para o seu arco. É um filme estiloso, socialmente relevante e bastante divertido, com as ambiciosas cenas de ação de Ryan Coogler.

Ambos são sucessos recentes da Marvel e demonstram como o estúdio consegue trabalhar diferentes propostas com a mesma eficácia. Aliás, os dois possuem algo em comum no fim das contas: são dois filmes sobre amadurecimento, algo extremamente necessário num subgênero que, no início, costumava suprimir as imperfeições de seus heróis. É o que torna esses personagens mais humanos e relacionáveis.

 

3. Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Direção: Irmãos Russo

Talvez o crossover mais ambicioso da história do cinema, Guerra Infinita tinha tudo para dar errado. Com tantos personagens em tela, não se sabia o que iriam fazer com todos. Porém, os roteiristas acertam ao reduzir tudo a um simples problema: Thanos.

O icônico e bitolado vilão acha que encontrou uma solução para todas as mazelas do mundo: apagar metade da população do universo. Acompanhamos sua busca atrás desse objetivo, enquanto os heróis tentam impedi-lo (cada um de sua forma). Essa premissa minimalista torna tudo mais fácil, dando espaço para as interações entre os personagens, as cenas de ação e tudo mais que os fãs queriam ver.

A trágica conclusão, porém, subverte quaisquer expectativas, ainda mais por se tratar de um filme de super-heróis, onde os mocinhos costumam ganhar. O impacto que o final do filme gerou na cultura geek pode ser sentido todos os dias, ao entrar numa rede social ou conversar com algum amigo. É um feito que se compara ao que O Império Contra-Ataca fez na década de 1980, deixando um enorme ponto de interrogação para o que está por vir.

 

2. Capitão América: Guerra Civil (2016)

Direção: Irmãos Russo

Eles mais uma vez. Em Soldado Invernal eles podem ter surpreendido a todos, mas foi aqui que mostraram que estavam aptos para assumir o próximo Vingadores. Quando foi anunciado que o terceiro filme do Capitão América seria uma adaptação da saga Guerra Civil, houve muita empolgação, mas também incerteza. Afinal, é uma história que requer a participação de boa parte do Universo Marvel. Como fazer isso e continuar propriamente o desenvolvimento do Capitão América? Quando foi revelado que o filme ainda teria a tarefa de introduzir o Homem-Aranha e o Pantera Negra, a minha preocupação só aumentou. Será que os roteiristas dariam conta de introduzir dois heróis tão importantes num filme já repleto de personagens? Para a alegria dos fãs, eles não só conseguiram como fizeram muito mais.

Além de excelente filme de ação, com batalhas memoráveis como a do aeroporto, Guerra Civil consegue destruir tudo que seus antecessores construíram. O conflito entre Steve Rogers e Tony Stark é tão cativante quanto o dos quadrinhos, e consegue trazer muito mais razão para os dois lados (principalmente o de Stark, que foi praticamente vilanizado na história original). Conseguimos entender as motivações dos dois e ficamos de coração partido com a briga. Não só isso, mas também ficamos tensos pelo que um pode causar ao outro, pois temos noção de que muito está em jogo e eles não estão dispostos a ceder.

Quanto às introduções de T'Challa e Peter Parker, ambas funcionam perfeitamente como histórias de origem para os seus personagens, que seriam desenvolvidas depois por seus filmes solos. Eles são apresentados com muito carisma e cada um do seu jeito. O T'Challa de Chadwick Boseman é imponente e compenetrado, enquanto Tom Holland confere a Peter um aspecto jovial super apropriado para o personagem.

Os outros coadjuvantes também conseguem deixar suas marcas, principalmente Feiticeira Escarlate, Bucky, Falcão e o Gavião Arqueiro. É impressionante como os realizadores conseguem equilibrar tudo isso e ainda fazer do filme uma conclusão perfeita para o arco do Capitão América.

1. Os Vingadores (2012)

Direção: Joss Whedon

Os crossovers podem estar ficando maiores e mais ambiciosos, mas nada é como a primeira vez. Poucos momentos no cinema se comparam à experiência de ver todos os heróis lutando juntos na batalha de Nova York. Até hoje, é possível sentir arrepios ao lembrar do rugido de Hulk, enquanto a câmera gira em volta da equipe e a emblemática trilha sonora de Alan Silvestri se intensifica. O efeito é causado graças a toda expectativa construída pelo excelente roteiro de Joss Whedon, que explora ao máximo as diferenças fundamentais entre os personagens, e por todos os anos em que fomos ao cinema ver as aventuras individuais de cada um dos heróis (menos Viúva Negra e Gavião Arqueiro, né, Marvel?).

Ter os Vingadores reunidos numa tela de cinema já era um sonho para qualquer fã de quadrinhos, mas vê-los reunidos com tamanha qualidade é mais recompensador ainda. A partir desse filme, todos sabiam que tudo seria diferente para a Marvel, mas poucos poderiam imaginar como o seu sucesso afetaria toda a indústria cinematográfica.

Reduzindo um pouco as coisas, Os Vingadores nada mais é do que uma empolgante aventura, com um elenco excelente, um roteiro cativante e um vilão super carismático (graças à inspirada atuação de Tom Hiddleston). Às vezes, isso é tudo que o cinema precisa - e acabamos nos esquecendo disso.

Listas individuais:

Bruno Brum

  1. Vingadores: Guerra Infinita
  2. Guardiões da Galáxia Vol. 2
  3. Capitão América: Guerra Civil
  4. Pantera Negra
  5. Homem-Aranha: De Volta ao Lar
  6. Guardiões da Galáxia
  7. Thor: Ragnarok
  8. Doutor Estranho
  9. Os Vingadores
  10. Vingadores: Era de Ultron
  11. Capitão América 2: O Soldado Invernal
  12. Homem-Formiga
  13. Capitã Marvel
  14. Homem de Ferro
  15. Capitão América: O Primeiro Vingador
  16. Homem de Ferro 2
  17. Homem-Formiga e a Vespa
  18. Homem de Ferro 3
  19. Thor: O Mundo Sombrio
  20. Thor
  21. O Incrível Hulk

Gabriel Santos

  1. Vingadores: Guerra Infinita
  2. Os Vingadores
  3. Homem-Aranha: De Volta ao Lar
  4. Capitão América: Guerra Civil
  5. Capitão América 2: O Soldado Invernal
  6. Pantera Negra
  7. Thor: Ragnarok
  8. Homem-Formiga e a Vespa
  9. Homem de Ferro
  10. Capitão América: O Primeiro Vingador
  11. Guardiões da Galáxia
  12. Guardiões da Galáxia Vol. 2
  13. Vingadores: Era de Ultron
  14. Capitã Marvel
  15. Homem de Ferro 3
  16. Doutor Estranho
  17. Thor: O Mundo Sombrio
  18. Homem-Formiga
  19. Thor
  20. Homem de Ferro 2
  21. O Incrível Hulk

José Gabriel Fernandes

  1. Thor: Ragnarok
  2. Capitão América: Guerra Civil
  3. Os Vingadores
  4. Homem de Ferro
  5. Homem-Aranha: De Volta ao Lar
  6. Pantera Negra
  7. Capitão América 2: O Soldado Invernal
  8. Vingadores: Era de Ultron
  9. Guardiões da Galáxia
  10. Homem de Ferro 3
  11. Capitã Marvel
  12. Homem-Formiga e a Vespa
  13. Guardiões da Galáxia Vol. 2
  14. Vingadores: Guerra Infinita
  15. Doutor Estranho
  16. Capitão América: O Primeiro Vingador
  17. Homem-Formiga
  18. Thor: O Mundo Sombrio
  19. Homem de Ferro 2
  20. Thor
  21. O Incrível Hulk

Pedro Henrique Figueira

  1. Os Vingadores
  2. Vingadores: Guerra Infinita
  3. Pantera Negra
  4. Capitão América 2: O Soldado Invernal
  5. Homem de Ferro
  6. Homem-Aranha: De Volta ao Lar
  7. Capitão América: Guerra Civil
  8. Guardiões da Galáxia
  9. Thor: Ragnarok
  10. Guardiões da Galáxia Vol. 2
  11. Capitão América: O Primeiro Vingador
  12. Homem-Formiga e a Vespa
  13. Capitã Marvel
  14. Homem de Ferro 2
  15. Vingadores: Era de Ultron
  16. Homem-Formiga
  17. Homem de Ferro 3
  18. Thor: O Mundo Sombrio
  19. Doutor Estranho
  20. Thor
  21. O Incrível Hulk

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